Uma viagem ao passado por meio das propagandas dos anos 40 e 50

Os anúncios publicados no Diário do Comércio ao longo dos seus 100 anos de história retratam, com traços elegantes e humor peculiar, uma realidade bem diferente da atual... Fique agora com as mensagens dos nossos patrocinadores

Renato Carbonari Ibelli
29/Fev/2024
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Uma viagem ao passado por meio das propagandas dos anos 40 e 50

Convido o leitor para uma viagem ao passado, um tour pelas décadas de 1940 e 1950 guiado por anúncios publicitários que estamparam as páginas do DC e do Digesto Econômico no período. Vamos recuar para um mundo onde os cabelos eram engomados por Petróleo Juvênia, a fumaça de cigarro Hollywood preenchia os ambientes e guaraná podia ser chamado de champagne.

Era um mundo em construção - ou reconstrução se considerarmos que a Europa acabara de ser demolida na Segunda Guerra. Por isso, em um primeiro momento, pode soar controversa a mensagem que a DuPont transmite em anúncio do início dos anos 1950 publicado no Digesto: “O explosivo ajuda a construir um mundo melhor!”.

Pois é, a DuPont, que apresentou a Lycra e o Teflon ao mundo, e que hoje desenvolve chips e tecnologias presentes em carros elétricos, surgiu como fabricante de explosivos. A propaganda abaixo, a propósito, é coerente com a realidade do Brasil nas décadas de 1940 e 1950, que passava por um processo de urbanização acelerado. Para abrir estradas em direção ao litoral e interior foi preciso explodir muita rocha.

 

Também pode chamar atenção do leitor a veneração ao petróleo nos anos de 1950, década na qual a Petrobras nasceu. Vilão do meio ambiente nos dias de hoje, o recurso foi por muito tempo associado ao progresso. Anúncio de 1954 da petroleira Esso, ilustrado por chaminés fumegantes, lembrava que “qualquer pessoa, em qualquer ocasião, se utiliza sempre de um produto de petróleo”.

Os usuários de Petróleo Juvênia, com seus “cabelos brilhantes e de fidalga aparência”, certamente corroboravam a tese da petroleira.

 

E quanto às propagandas de cigarro, das quais nem as bitucas restaram depois de terem a veiculação proibida no país no ano 2000. Elas eram as mais variadas nos anos 40 e 50, mas sempre associavam o produto a um estilo de vida elegante e aventureiro. Que contraste com a realidade atual.

 

Nessa volta ao passado, nos deparamos também com empresas brasileiras que, mesmo depois de todos esses anos, continuam presentes no nosso dia a dia.

A Drogasil, por exemplo, em anúncio publicado no DC em 1947, se orgulhava de ser a “maior organização de drogas da América do Sul”. É verdade que a publicidade dá margem para interpretações maldosas, mas é fato também que a rede de farmácias, que à época atendia com 50 unidades, permanece a maior do ramo, com mais de 2,4 mil unidades.


 

Outro exemplo é o de Brahma e Antarctica, que se uniram em 1999 para formar a gigantesca Ambev, a primeira multinacional do país. 60 anos antes, na década de 1940, elas disputavam o mercado, não só no segmento de cervejas, também no de refrigerantes.


 

Algumas marcas, no entanto, não resistiram ao tempo e desapareceram, mas criaram campanhas publicitárias que marcaram época. Caso da Xarope São João e seu pertinente slogan “larga-me! Deixa-me gritar!!!”

Claro que essa viagem não poderia chegar ao fim sem antes rememorar propagandas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), responsável pela veiculação do Diário do Comércio ao longo dos nossos cem anos de história.

 

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