Governo espera nova taxação dos EUA nesta sexta-feira
Nova tarifa pode se somar à que entra em vigor nesta quarta-feira, de 25%, e afeta produtos como máquinas agrícolas, vestuário, calçados, equipamentos elétricos, papel, pneus, etanol, tabaco, madeira e açúcar orgânico

A taxação de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre diversos produtos importados do Brasil começa a vigorar nesta quarta-feira (22), mas o governo federal já está de olho em uma nova tarifa norte-americana, de 12,5%, prevista para ser comunicada na próxima sexta-feira (24). “Deve ser anunciada, mas não se sabe se será acumulativa ou não”, disse hoje o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa.
O Brasil continua em análise pelo Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR). A nova taxação está relacionada com a verificação de produtos supostamente fabricados com trabalho forçado que estão entrando no mercado norte-americano, o que poderia elevar a taxação a 37,5%.
Hoje, ao longo do dia, o ministro esteve reunido com produtores de plástico, máquinas, peças, têxteis, borracha e calçados. “Foi a primeira rodada com os setores diretamente afetados. Estamos confirmando dados, colhendo novas informações e recebendo sugestões para ver o impacto nos preços e na redução dos lucros, além de buscar soluções como a diversificação de mercados. Esse é o grande desafio”, afirmou o ministro na noite desta terça-feira, 21/07.
Ele traçou um cenário preocupante para os setores afetados. “Os EUA são o segundo maior mercado de autopeças do Brasil, o primeiro mercado de eletroeletrônico. Além disso, 24% das máquinas são importadas pelos americanos, que também são responsáveis por 20% da importação de calçados. Temos que correr para não perder esse mercado”, declarou Rosa. Amanhã, o governo tem uma nova rodada de conversas com o setor produtivo.
O ministro, que afirmou que ainda não há prazo para definição das ações para atender ao setor produtivo, também disse que pretende conversar com as empresas importadoras norte-americanas para que possam auxiliar no diálogo com o governo dos EUA. “Vamos arregimentar quem importa e ver se estão se sentindo desconfortáveis com essa decisão. Vamos continuar negociando, essa é a orientação”, disse, ao reafirmar que a taxação é “injusta, indevida e descabida.”
Já o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, voltou a dizer que o uso do mecanismo da reciprocidade não está descartado. “Estamos sendo injustiçados e queremos corrigir isso. Temos instrumentos para fazer, no momento oportuno, na forma adequada”, destacou. Mas o propósito, segundo ele, é manter a negociação. “O Brasil vai tentar buscar resolver essa situação”, acrescentou.
Nas reuniões de hoje, o setor produtivo pediu ao governo que evite aplicar a Lei da Reciprocidade para não fechar canais de diálogo com os EUA.
Alckmin informou ainda que o governo estuda a possibilidade de conceder prazo de seis meses a um ano para que a empresa, que deixou de exportar um produto fabricado, fique sem pagar o imposto sobre a mercadoria e busque um novo mercado. O governo também pretende utilizar os recursos do Programa Brasil Soberano, que oferta linhas de crédito às empresas atingidas.
Tarifa vai atingir 18% das exportações brasileiras aos EUA
Foram taxados produtos como máquinas agrícolas, vestuário, calçados, equipamentos elétricos, papel, pneus, etanol, tabaco, madeira e açúcar orgânico. Segundo o governo, as taxas podem impactar quase 2,4 mil empresas exportadoras.
A tarifa vai atingir 18% das exportações brasileiras aos EUA, que correspondem a US$ 7,4 bilhões. As mercadorias já em trânsito têm até 29 de julho para entrar nos Estados Unidos sem pagar a nova taxação. Entre os principais alvos da investigação dos EUA estão o Pix, o mercado de etanol e o desmatamento ilegal.
Mais de 2.100 itens, como carne, café, laranja, peças para aviões, mel orgânico e ferro gusa, ficaram de fora das novas tarifas. A justificativa do governo dos EUA é que a elevação nos valores desses produtos poderia levar à escassez da oferta e aumento da inflação. Em alguns casos, levaria à impossibilidade de produzir em quantidade suficiente para atender à demanda interna.
Como a tarifa global de 10% imposta pelos EUA em fevereiro deste ano sobre todos os países, a taxação dos produtos irá para 35% nesta quarta. As exportações brasileiras para o mercado norte-americano caíram 6,6% em 2025, para US$ 37,7 bilhões. Já as importações de produtos fabricados nos Estados Unidos subiram 11,3% no ano passado e chegaram a US$ 45,2 bilhões.
IMAGEM: Júlio César Silva/MDIC

