Nos corredores de Brasília | Xi vai com Lula; Milei vai com Flávio; e MDB vai para onde o vento soprar
Enquanto a IA de Bolsonaro enfrenta problemas com o TSE, o presidente argentino foi presença real na largada da campanha de Flávio e o líder chinês declarou apoio ao governo Lula contra interferência externa

Milei entra no palanque de Flávio
A presença de Javier Milei no lançamento da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deu à largada do senador um tom internacional e ideológico. Ao lado do presidente argentino, Flávio tenta se apresentar como parte de uma direita regional organizada contra o avanço da esquerda na América Latina. O gesto anima a base bolsonarista, aproxima o senador do eleitorado mais fiel de Jair Bolsonaro e ajuda a compensar a ausência física do ex-presidente na articulação política. Mas também eleva o custo diplomático da campanha: Milei transforma o palanque de Flávio em vitrine de confronto direto com Lula, o Judiciário e o campo progressista. Na prática, o apoio estrangeiro fortalece a narrativa da direita, mas entrega ao governo o argumento de interferência externa na eleição brasileira.
Energia aproxima Brasil e Coreia
Brasil e Coreia do Sul assinaram na segunda-feira (27) um memorando de entendimento para ampliar a cooperação na área de energia. O acordo prevê ações conjuntas em transição energética, energias renováveis, eficiência energética, infraestrutura inteligente e modernização dos sistemas elétricos. A agenda também conversa com a disputa global por minerais críticos, inovação e investimentos. Para o governo Lula, a parceria ajuda a vender o Brasil como potência verde em meio ao tarifaço dos Estados Unidos e à busca por novos mercados. Para o setor produtivo, o teste será transformar discurso diplomático em projeto, investimento e segurança regulatória.
Xi entra no jogo da soberania
A conversa entre Lula e Xi Jinping levou a disputa geopolítica para o centro do tabuleiro brasileiro. O presidente chinês declarou apoio ao Brasil contra “interferência externa” e defendeu ampliar a cooperação em áreas estratégicas como inteligência artificial, energia, satélites, minerais críticos e fertilizantes. O gesto fortalece a narrativa de soberania usada por Lula diante da pressão dos Estados Unidos, mas também expõe o tamanho da dependência brasileira entre as duas maiores potências do mundo. Para o Planalto, Pequim oferece respaldo político. Para a oposição, o risco é trocar uma pressão externa por outra influência estratégica sobre setores sensíveis da economia.
Zema mira Joaquim Barbosa
Romeu Zema (Novo) abriu uma nova frente para tentar dar peso nacional à sua chapa presidencial: quer conversar com o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa sobre a possibilidade de tê-lo como vice. O movimento mira um nome com apelo simbólico, trajetória no Supremo e lembrança forte do julgamento do Mensalão. O aceno, porém, já nasce difícil: Barbosa afirma que não quer ser vice de Zema nem de qualquer outro candidato. No bastidor, a leitura é que Zema tenta furar o bloqueio da polarização com uma figura de autoridade moral, enquanto Barbosa evita entrar em uma campanha sem estrutura e sem protagonismo próprio.
MDB solta os palanques
O partido decidiu ficar neutro na disputa presidencial e liberar os diretórios estaduais para apoiarem quem quiserem em 2026. A escolha confirma a estratégia histórica do partido: menos ideologia nacional e mais poder regional. Sem candidato ao Planalto e sem aliança presidencial fechada, a legenda preserva palanques nos Estados, evita racha interno e concentra energia em governos, Senado e Câmara. Para Lula, é a perda de um apoio nacional relevante. Para a direita, abre-se espaço para negociar o MDB Estado a Estado. No fim, o partido faz o que sabe fazer melhor: chega à eleição sem dono e sai dela cobrando caro para governar.
Moro larga na frente no Paraná
Sergio Moro (PL-PR) aparece isolado na liderança da disputa pelo governo do Paraná, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira (27). O senador marca de 39% a 40% nos cenários de primeiro turno e também lidera as simulações de segundo turno, com desempenho entre 48% e 50%. O dado consolida Moro como principal ativo eleitoral da direita no Estado e amplia a pressão sobre adversários que ainda tentam organizar palanque competitivo. No tabuleiro nacional, uma eventual vitória no Paraná daria ao ex-juiz da Lava Jato novo peso político, musculatura estadual e papel relevante na reorganização da oposição pós-2026.
IA de Bolsonaro vai ao TSE
O ministro Kassio Nunes Marques será o relator da ação do PT contra o vídeo de inteligência artificial usado pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no qual Jair Bolsonaro aparece declarando apoio ao filho. A peça abre um novo flanco jurídico para a pré-campanha: além das restrições impostas ao ex-presidente, o caso testa os limites do uso de conteúdo sintético nas eleições de 2026. Para o PT, o vídeo tenta driblar decisões judiciais e explorar eleitoralmente a imagem de Bolsonaro. Para a defesa de Flávio, a peça não viola as restrições. No bastidor, a pergunta é simples: até onde a inteligência artificial pode substituir um líder politicamente interditado?
IMAGENS: Ricardo Stuckert/PR e Folhapress

