Nos corredores de Brasília | Lula trata o Simples como despesa. Para empresários, isso é realidade inventada

Governo diz que reajuste nos limites do Simples Nacional, congelados desde 2018, teria impacto fiscal de R$ 50 bilhões, e irrita empresários, que apontam benefícios dos pequenos negócios para economia

Redação DC - Brasília
23/Jul/2026
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Nos corredores de Brasília | Lula trata o Simples como despesa. Para empresários, isso é realidade inventada

Pequenos na mira petista

A campanha de Lula decidiu apostar no aumento do teto do MEI para tentar reduzir a resistência do presidente entre pequenos empresários. O governo enviou ao Congresso projeto que eleva o limite anual da categoria de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028, além de permitir a contratação de até dois empregados. O gesto tem cálculo eleitoral: o entorno petista admite dificuldade de aproximação com esse eleitorado, mesmo após crédito, renegociação de dívidas e criação do Ministério do Empreendedorismo.

Simples na fila

Enquanto tenta vender o aumento do teto aos pequenos empresários, o governo deixou o Simples Nacional fora da proposta. O argumento é fiscal: a atualização da tabela teria impacto estimado de até R$ 50 bilhões, mas a narrativa irrita o setor, que cobra a correção de uma tabela congelada há anos. O incômodo aumenta porque os pequenos negócios devolvem muito à economia: são 95% das empresas do país, respondem por 26,5% do PIB e pagam cerca de R$ 51 bilhões por mês em salários. Para a oposição, Lula tenta colher o bônus político e evita enfrentar a conta real do empreendedorismo.

Conta cara

Governo anunciou mais R$ 13,5 bilhões para empresas afetadas pelo tarifaço americano, dentro do Plano Brasil Soberano. As linhas terão juros abaixo do mercado, mas não serão dinheiro barato sem custo: as taxas finais estimadas vão de 7,9% a 13,5% ao ano para investimentos e de 10,2% a 15,7% a.a. para capital de giro. O foco são setores atingidos pelas tarifas, conflitos internacionais, fertilizantes e minerais críticos. O Planalto fala em soberania, mas a oposição chama de crédito subsidiado, escolha de campeões e conta nova no colo do contribuinte.

TSE acende alerta sobre Flávio

A fala de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a diplomatas estrangeiros reacendeu no Tribunal Superior Eleitoral o alerta sobre ataques às urnas eletrônicas. O senador citou uma empresa americana de tecnologia eleitoral ao questionar o sistema brasileiro, mas o tribunal reforçou que a Smartmatic nunca produziu urnas para eleições no país. O episódio preocupa aliados porque repete o roteiro que levou Jair Bolsonaro à inelegibilidade: discurso contra o Judiciário Eleitoral diante de embaixadores. Ainda não há decisão sobre a candidatura de Flávio, mas o tom adotado abriu discussão política e jurídica sobre o risco de o histórico da família voltar a contaminar o registro eleitoral em 2026.

Defesa nega ataque às urnas

A equipe de pré-campanha de Flávio nega que o senador tenha questionado a integridade do sistema de votação brasileiro. A avaliação é que a fala foi descontextualizada, já que Flávio teria citado apenas dois fatos públicos: a reunião de Jair Bolsonaro com embaixadores e um relatório divulgado pela CIA sobre suspeitas envolvendo eleições na Venezuela. Segundo aliados, o próprio pré-candidato afirmou expressamente que “não está questionando o sistema de votação brasileiro”. A estratégia agora é tentar conter a ofensiva do PT no Tribunal Superior Eleitoral contra Flávio e separar a fala do senador do histórico jurídico do pai.

Peça-chave da direita

O Republicanos virou a bola da vez na montagem da chapa de Flávio Bolsonaro. Filiada ao partido, Daniella Marques, ex-presidente da Caixa e ex-auxiliar de Paulo Guedes, é hoje um dos nomes avaliados para a vaga de vice. A escolha daria a Flávio uma mulher na chapa, discurso econômico liberal e ponte com uma sigla que tem peso no Centrão e abriga o governador Tarcísio de Freitas (SP). O problema é que a costura ainda encontra resistência dentro do próprio PL. A vice de Flávio deixou de ser apenas uma escolha pessoal: virou teste de força entre bolsonarismo, Centrão e projeto de poder da direita no Brasil.

Moderação difícil

Uma semana e três negativas. A federação União Progressista decidiu não apoiar o PL à Presidência da República. Um dia antes, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) declinou ao convite para formar a chapa como vice-presidente. Enquanto isso, empresários foram diretos ao registrar, durante reunião com Daniella Marques, que a campanha sem moderação não gera confiança do mercado brasileiro.

Vou de táxi

Tarcísio de Freitas não deve comparecer à convenção nacional do PSD, marcada para domingo (26), em São Paulo. A possível ausência ocorre após peças de divulgação do evento exibirem o governador paulista ao lado de Ronaldo Caiado, presidenciável do partido. O movimento foi lido por aliados como uma tentativa de pegar carona na imagem de Tarcísio para impulsionar Caiado em São Paulo. O incômodo é claro: Tarcísio trabalha pela reeleição, já declarou apoio a Flávio Bolsonaro na disputa nacional e não quer aparecer como fiador de outra candidatura da direita.

 

IMAGEM: Ricardo Stuckert/PR

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