Conversamos com Fernanda Sereno, CEO da maior feira de jogos de tabuleiro da América Latina

Neste fim de semana acontece a 11ª edição da DOFF, que vai reunir mais de 150 expositores e terá a Hasbro como parceira

Melina Dias
10/Jul/2026
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Conversamos com Fernanda Sereno, CEO da maior feira de jogos de tabuleiro da América Latina

Em sua 11ª edição, neste fim de semana, o Diversão Offline (DOFF) ocupará 14 mil metros quadrados do Pavilhão Azul do Expo Center Norte e reunirá mais de 150 expositores, entre editoras, artistas independentes, marcas de acessórios, estúdios, lojas especializadas, criadores e projetos autorais que movimentam um mercado diverso, criativo e conectado com diferentes gerações. A expectativa é que 14 mil pessoas passem pelo evento no sábado e no domingo.

Em meio à necessidade de diminuir o tempo de uso de tela e preocupação com as bets, o DOFF, desde 2015, se consolida como uma vitrine da cultura dos jogos analógicos no Brasil. Segundo expectativa dos organizadores, o ticket médio de consumo por pessoa é de R$ 600. Em um mesmo espaço, o público poderá conhecer lançamentos, testar jogos antes de chegarem ao mercado, participar de mesas de RPG, acompanhar demonstrações, pintar miniaturas, encontrar autores, assistir a painéis, viver experiências imersivas e descobrir jogos voltados para famílias, crianças, educadores, colecionadores e jogadores experientes.

Nessa edição, o Diversão Offline também conta com o patrocínio da norte-americana Hasbro Games e a parceria com o Grand Mercure Hotel Ibirapuera, que providenciou uma hospedagem imersiva aos hóspedes visitantes.

“O Diversão Offline mostra, a cada edição, que os jogos de mesa deixaram de ser um nicho para se tornar uma linguagem cultural, afetiva e social muito forte no Brasil. É um evento para quem joga, para quem cria, para quem trabalha com esse mercado e também para quem está chegando agora e quer viver essa experiência pela primeira vez”, afirma Fernanda Sereno, CEO da Diversão Offline. O Diário do Comércio conversou com a executiva sobre o atual momento do mercado e as expectativas para 2026. Confira entrevista:

 

Diário do Comércio - Existem números de faturamento do setor?

Fernanda Sereno - Infelizmente, por ainda sermos um mercado de nicho, temos pouco registro oficial de números que reflitam a realidade da nossa fatia de mercado. Apenas alguns poucos números da Fundação Abrinq, que mostram que crescemos de 7% para 13% em participação dentro do mercado de brinquedos nos últimos 6 anos. E números do portal Ludopedia falando sobre as projeções de faturamento do mercado global de games offline, para 2026, de mais de US$ 21 bilhões de movimentação. 

 

Como você analisa a cadeia de consumo, quais são os principais elos, da criação até o consumidor final, e onde estão as maiores oportunidades de negócio?

Fernanda - Vejo que a cadeia de consumo evoluiu consideravelmente nos últimos anos, principalmente com o fortalecimento da criação e produção nacional de jogos. Por muitos anos, consumíamos jogos importados ou traduzidos e nem sempre com temáticas e referências que criavam elo direto com o público. Hoje, temos já um portfólio nacional relativamente vasto. Sem dúvida, isso cria um forte elo entre a indústria e o público consumidor.

 

O DOFF existe desde 2015. De lá pra cá, como evoluiu o mercado de board games no Brasil em número de empreendedores, faturamento e público? A edição de 2024 teve 11 mil visitantes. O que isso representa em potencial de consumo?

Fernanda - Temos o privilégio de ver um crescimento constante no mercado de jogos analógicos ao longo dos últimos anos, especialmente após a pandemia, quando houve uma redescoberta desse universo. Segundo o portal Ludopedia, o número de editoras nacionais saltou de 3, em 2013, para mais de 50 em 2025. Então, acredito que isso reflita diretamente a força e potência do mercado brasileiro de jogos. Temos vivenciado crescimento constante em torno de 13% anualmente, e assim também é em relação à feira. Para esse ano, esperamos mais de 14 mil pessoas, entre já visitantes e público novo.

 

Quem é o pequeno criador que expõe no DOFF? Ele vive só do produto ou tem outra renda? Que espaço o evento abre para quem está começando e quer transformar o hobby em empresa?

Fernanda - O pequeno criador fatalmente tem um trabalho paralelo à criação de jogos, principalmente no início. Temos diferentes opções de espaços e estruturas para pequenas marcas e criadores independentes, um deles é o Indie Alley, por sinal, o espaço que mais cresce a cada ano no DOFF. Só este ano, teremos mais de 50 marcas.

 

O público do DOFF mudou nesses 11 anos? Qual o ticket médio dentro da feira?

Fernanda - Sem dúvida, o público mudou. Não radicalmente, mas diria que se atualizou. Tivemos um crescimento exponencial de famílias completas visitando a feira. Deixou de ser um hobby exclusivamente de nicho, de heavy gamers, como chamamos, para ser uma atividade de família. O ticket médio do público do evento é de cerca de R$ 600 por pessoa.

 

Quais são os principais gargalos para esse setor crescer no Brasil?

Fernanda - O maior gargalo envolve custos, principalmente dos insumos importados, como papel, e, consequentemente, preço final dos produtos, que ainda faz a maior parte dos produtos não ser tão acessível quanto gostaríamos. Custos e tributação ainda são altos e longe do ideal para o mercado ser mais lucrativo, mas não chegam a ser o que afeta a competitividade entre nacional e internacional. Acredito que essa dualidade ainda é mais afetada pelo ‘hype’ dos produtos e game designers em si.

 

Mas existe demanda internacional por jogos brasileiros? Algum criador já conseguiu exportar ou licenciar jogos lá fora?

Fernanda - Sim, existe, até porque os produtores e distribuidores internacionais dizem que nossa criação de jogos é diferenciada e que temos uma criatividade peculiar. E já tivemos vários títulos sendo lançados e reconhecidos em feiras nacionais, como o World Wonders do game designer Zé Mendes. Um dos nossos grandes parceiros e de longa data é a plataforma de crowdfunding Catarse, que está conosco desde a segunda edição da feira e que, a cada ano, vem fazendo um trabalho mais consistente de fomento e de desenvolvimento dos criadores e dos projetos nacionais apresentados na nossa área de protótipos.

 

Nesta edição, o DOFF fechou parceria com o hotel Grand Mercure e a Hasbro Games. Quais são os ganhos?

Fernanda - O objetivo é oferecer uma experiência imersiva e de qualidade para o público que vem de fora de São Paulo, que chega a quase metade do público total do evento. A cada ano buscamos as melhores opções de custo-benefício para oferecer aos visitantes. Sobre a Hasbro, essa aproximação foi fundamental para ambos os lados: para a feira, enquanto evento, por ter uma marca tão tradicional no mercado de tabuleiro. Para a marca Hasbro, como uma reaproximação estratégica do público, principalmente o heavy gamer, o usuário mais frequente.

Serviço

Diversão Offline — 11ª edição

Data: 10, 11 e 12 de julho

Local: Expo Center Norte — Pavilhão Azul

Endereço: Rua José Bernardo Pinto, 333 — Vila Guilherme, São Paulo

Horário: Sábado, 11 de julho, aberto ao público das 10h às 20h; domingo, 12 de julho, aberto ao público das 10h às 18h

Ingressos: disponíveis pela Sympla

Instagram: @diversaooffline

 

IMAGEM: divulgação

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