Petrobras com interferência política destrói valor

A estatal tem todas as condições de acelerar os seus projetos para tornar-se líder de produção de energias limpas

Charles Holland
15/Nov/2022
Contador, empresário, diretor da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), conselheiro da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (ANEFAC)
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Estamos assistindo a alguns políticos do novo governo eleito confundindo a Petrobras como uma empresa a serviço dos interesses dos partidos no poder, em vez de atender claramente aos seus objetivos sociais descritos no estatuto da empresa de capital aberto existente há quase 70 anos.

O mercado está assustado, negociando as ações da Petrobras no fundo do poço, muito abaixo do valor justo de mercado. As maiores empresas componentes do índice dos EUA de ações S&P 500, que incluem outras empresas famosas brasileiras, negociam desde 2020  suas ações com um ágio (média geral) de nove vezes o seu valor contábil. E as ações da Petrobras, na contramão do mundo, estão sendo negociadas diariamente abaixo até do seu valor contábil patrimonial.

Apesar de a empresa ser atualmente uma das petrolíferas mais rentáveis do mundo, e admirada pela maioria dos brasileiros, é precificada pelo mercado mundial igual a uma empresa em situação financeira difícil.  

Na data deste artigo, 11/11/2022, o valor da Petrobras era de R$ 367 bilhões. Em 30/9/2022 o valor do patrimônio líquido contábil era de R$374 bilhões, sem considerar a estimativa do valor presente do resultado de todas as reservas provadas de petróleo, a serem extraídas, liquidas de todos os custos e de efeito de imposto de renda, de pelo menos mais de R$ 650 bilhões, em 11/11/2022 (estimativa minha).

As reservas da Petrobras são reais, provadas e auditadas de forma independente por especialistas. Só não são reconhecidas contabilmente  como ativos tangíveis e reais por causa da instabilidade de preços do petróleo. Em 31/12/2021 o petróleo cru era negociado a US$ 75,01 o barril, e em 11/11/2022, em US$ 88,86.

A lucratividade da Petrobras em 2021 e 2022 tem sido extraordinária, graças principalmente a sua eficiência e know-how de exploração em águas profundas, autossuficiência de petróleo com custos de extração baixos, bem menores que seus grandes concorrentes, Exxon, Shell e outros gigantes, excluindo os países árabes, via OPEP, que controla produção dos países membros para valorizar os preços do petróleo no mercado mundial.

O novo Presidente, seus Ministros e sua equipe no governo federal que assumem em 1 de janeiro de 2023 têm uma oportunidade histórica, contrariando todas as expectativas da oposição e de todo o mercado de capitais, nacionais e do mundo.

Como sair-se vencedor, contrariando todos na atual oposição política? 

Assegurando respeito às regras de governança de estatais, meritocracia e gestão, acelerando  os investimentos para exploração e produção de petróleo, e explicando as razões fundamentadas para reduzir dividendos nos próximos 10 anos, para bem também de todos do Brasil.

O mundo está conseguindo uma boa redução dos poluentes da atmosfera: carvão e petróleo, que contaminam o ar e causam aquecimento global.  A aceitação de exploração de petróleo nos níveis atuais provavelmente dure 20 anos. Depois disso, o seu consumo será minimizado. Exploração é agora, ou nunca mais.

Até lá, a Petrobras tem todas as condições de acelerar os seus projetos para tornar-se líder de produção de energias limpas, usando todo o sol abundante, água e ventos que temos no nosso imenso território nacional.

Se a nova governança da Petrobrás restaurar a credibilidade no mercado de capitais, vai haver amplas ofertas de recursos financeiros baratos para assegurar mais exploração de petróleo e da  transição para a matriz de energias limpas, tudo simultaneamente.

Torcemos para que  outros façam sugestões semelhantes para  o novo governo nas outras áreas. Unidos criaremos mais confiança dentro e fora do País, empregos e prosperidade, em benefício de todos no Brasil.

 

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio

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