Relatórios de sustentabilidade com criação de valor para empresas

Obrigatórios para empresas abertas a partir de 2026

Charles Holland
15/Mai/2024
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Relatórios de sustentabilidade com criação de valor para empresas

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) tornou obrigatória para as empresas abertas a emissão de relatórios de sustentabilidade a partir de 2027 de forma regulamentada.

Esses relatórios a serem emitidos pela primeira vez para os investidores e credores atuais e em potencial trarão as informações essenciais, nunca disponibilizados para eles. 

Eles conterão informações essenciais para os investidores e credores, destacando como a governança da empresa identifica e gerencia os riscos materiais, divulgando a matriz desses riscos e temas materiais, além de seus indicadores-chave de monitoramento de riscos de sustentabilidade de valor e respectivos indicadores-chave de negócios. Dentro desse trabalho, não contemplado pelo regulador, busca-se oportunidades para criação de mais valor para sua empresa.  

Informações que os investidores e credores sempre quiseram receber das empresas, incluindo as administrações, as governanças das empresas e o mercado. Os investidores e credores não querem receber relatórios extensos de informações das empresas sobre sustentabilidade, com pouca agregação de valor e utilidade. 

Esses novos relatórios conterão as informações essenciais para eles entenderem quais são os riscos associados aos principais ativos intangíveis (de sustentabilidade da empresa que criam valor e fazem acontecer os resultados). Também os principais destruidores de valor, e como impactam os resultados.  

Queremos informações sobre como a governança da empresa identifica e gerencia os riscos materiais, divulgando claramente ao mercado, anualmente, a matriz de riscos materiais, positivos e negativos, seus indicadores de monitoramento de riscos – KPIs etc. 

Aqui não abordamos relatórios de clima pois sua aplicabilidade é para poucas empresas abertas no Brasil. Para as empresas aplicáveis, é complexo e trabalhoso. São questionados por muitos investidores e credores. Há argumentos fundamentados que mostram que os benefícios do aquecimento do planeta são superiores ao de não aquecimento.  Argumentos omitidos aqui para não fugir do tema aqui apresentado. 

Os novos relatórios são adicionais e complementares aos relatórios financeiros exigidos pela CVM – demonstrações financeiras e formulário de referência. 

Os ativos intangíveis (de sustentabilidade) e passivos (destruidores) intangíveis, que existem, mas nunca são contabilizados, por serem muito ariscos em termos de valor, são os responsáveis e acionadores (“drivers”) para fazer acontecer os resultados e fluxos de caixa ou de destruí-los. São movidos pela inteligência quando ativos, e por interferências internas e externas, principalmente de fraudes, deficiências de ESG e governos, quando passivos. 

Exemplos seguem para identificar as vantagens competitivas materiais de manutenção e criação de valor: 

• Líder aglutinador geral fornecendo apoio aos líderes das vertentes vendas, produção, administração e finanças para promover melhores resultados e aceitação de mudanças;

• Orgulho de pertencer a uma organização, inspiradora e motivadora;  

• Capacidade continuada de inovação nos processos-chave;

• Brilho nos olhos dos colaboradores;

• Domínio de tecnologias para promover vantagens competitivas;

• Aderência necessária a ESG considerada importante pelo seu mercado, dentro e fora do trabalho;

• Uso de aplicações de inteligência artificial;

• Softwares inovadores de gestão, governança etc.; 

• Aplicativos e processos geradores de vantagens competitivas nos processos-chave de vendas, produção, administração e finanças;

• Marcas, patentes e direitos autorais que geram vantagens competitivas em produtos e serviços prestados;  

• Controles internos-chave documentados funcionando nos processos de vendas, produção, administração e finanças.

Identificação e quantificação de passivos intangíveis – destruidores de valor 

Todas as deficiências importantes de ativos intangíveis listados anteriormente neste relatório tornam-se passivos intangíveis - destruidores de valor. 

Isto explica por que há tantas empresas com valor de mercado abaixo do valor patrimonial contábil – de ativos tangíveis. 

Seguem alguns grandes destruidores de valor, que quando ocorrem precisam ser reportados, e se possível quantificados: 

• Fraudes; 

• Descontroles internos e deficiências sérias de prestação de contas; 

• Instabilidade política e excesso de burocracia governamental;

• Deficiências de retidão e insegurança jurídica; 

• Interferência de governo como acionista nas empresas estatais; 

• Perda de imagem e de reputação;  

• Carga tributária excessiva retirando competitividade sobre os     produtos ou serviços prestados, comparado com o resto do mundo.   

Impactos dos Relatórios de Sustentabilidade no Brasil

Todos os investidores precisam entender o que faz acontecer ou destruir os números nos resultados e fluxos de caixas nas empresas. Precisamos reconhecer que a localização de país para investimentos é uma opção aberta para todos os investidores e credores. Se o Brasil dificultar empresas abertas ou fechadas de serem competitivas no País, em relação ao mundo, os nossos investidores podem ir embora. Muitos já o fizeram. 

Os investidores preferem países mais receptivos e atraentes para fazer negócios. Na avaliação de riscos materiais das empresas abertas, precisamos fazê-los em relação ao mundo, e nunca só em relação ao Brasil. Todos os grandes investidores fazem isto também. 

O objetivo correto sob o ponto de vista dos investidores e credores de todas as empresas abertas é incrementar continuamente os seus ativos de sustentabilidade. E divulgá-los, como o faz e administra nos relatórios de sustentabilidade.  O relatório de sustentabilidade para ter credibilidade e utilidade precisa ser rico em conteúdo e forte em objetividade e de síntese – minha ênfase. 

As empresas milionárias em termos de sustentabilidade nos EUA e Brasil

Com base nos dados publicados, disponíveis no Yahoo Finance US Markets, em 26 de abril o valor do patrimônio líquido tangível mais recente da Apple, comparado com valor de mercado em 26 de abril de 2024 de US$ 2,614 trilhões, era de 2,4%: da NVDIA, de US$ 2.191 trilhões, era 1,7%; da Microsoft, dos US$ 3,022 trilhões, era de 4,2%, e da Google, de US$ 2,145 trilhões, era de 11,8%.  

Na mesma base dos dados publicados, disponíveis no Yahoo Finanças Br, para mesma data, 26 de abril de 2024, agora em R$, o valor do patrimônio líquido tangível mais recente da WEG, comparado com o valor de mercado em 26 de abril de 2024 de R$ 164,5 bilhões, era 10%; da TOTVS, de R$ 17,871, era de 13%, da Raia Drogasil, de R$43,941, era de 7%.  

Em termos de sustentabilidade, as empresas acima brasileiras são exemplares, e motivo de orgulho. 

O que estas empresas exemplares têm em comum: vantagens competitivas determinantes para os consumidores/compradores, investimentos em tecnologia elevadas, e excelência de sustentabilidade (ESG). 

Justificativa de meu otimismo do Brasil ser pioneiro na implantação de relatórios de sustentabilidade no mundo de forma regulamentada

Vou mais além, de forma opcional, incluindo com criação de valor para as empresas. 

O Brasil vive há décadas muitas mudanças abruptas. Está habituado a enfrentar no campo de prestação de contas desafios até maiores, tais como adoção da Lei das Sociedades por Ações, prestação de contas entendíveis com mais de 1000% de inflação anual, instabilidade política, adoção das normas internacionais de contabilidade, mudanças de regras e de tributação excessiva, moedas etc. Temos profissionais experientes e em condições para resolver os novos desafios. O nível dos profissionais atuando em empresas abertas no Brasil é elevado.

Conclusão

Os relatórios de sustentabilidade se forem bem-feitos terão o impacto de “Acorda Brasil”, felizmente em tempo para melhorar a rota ou destino das empresas abertas e fechadas daqui para frente. 

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio

 

IMAGEM: Freepik

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