Plano Safra terá R$ 525,1 bi em linhas de crédito para agricultura empresarial
De acordo com o Governo Federal, o valor é R$ 9 bilhões maior do que em 2025; taxas de juros dos diferentes tipos de financiamento variam de 8% a 12,5%

O Plano Safra 2026/2027 terá linhas de crédito rural que totalizam R$ 525,1 bilhões destinadas à agricultura empresarial, de médios e grandes produtores. O anúncio foi feito nesta terça-feira (30/6) pelo Governo Federal, que informou que o valor é R$ 9 bilhões a mais dos empréstimos concedidos em 2025.
O volume de recursos ficou abaixo da expectativa do setor produtivo e de ministérios envolvidos no programa, que defendiam um orçamento de R$ 652 bilhões.
Do total de recursos do Plano Safra, R$ 384,9 bilhões serão para custeio e comercialização como aquisição de insumos, produção nas lavouras, manutenção dos rebanhos e comercialização.
Outros R$ 140,2 bilhões podem ser usados na modernização produtiva, ampliação da capacidade de armazenagem, irrigação, inovação tecnológica, renovação de máquinas e equipamentos e o aumento da eficiência nas propriedades rurais.
No Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), voltado aos empreendimentos rurais de médios porte, o recurso previsto é de R$ 72,6 bilhões.
De acordo com o governo, a queda da taxa Selic abre a possibilidade de redução do custo financeiro do produtor e ampliação da capacidade de contratação do crédito rural. “Com juros menores, o produtor ganha mais previsibilidade para planejar a safra, realizar investimentos na propriedade e organizar sua atividade produtiva”, declarou o Ministério da Agricultura e Pecuária em nota.
As taxas de juros dos diferentes tipos de financiamento variam de 8% a 12,5%. Na cerimônia de lançamento do Plano Safra, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, admitiu que o cenário é de taxa alta de juros, mas disse que “conseguimos fazer um esforço para a redução dos juros em todas a linhas para o agronegócio empresariais”.
O governo assegurou que o compromisso com as contas públicas não será prejudicado pelas taxas menores do Plano Safra. “É possível conciliar a responsabilidade fiscal com a expansão sustentável do crédito rural", disse o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula. “Responsabilidade fiscal e política agrícola não são opostas, são condições complementares. A agricultura precisa de crédito, mas precisa também de estabilidade, de previsibilidade e de confiança”, acrescentou.
Uma novidade no plano deste ano é o incentivo para produtores que mantiverem o Cadastro Ambiental Rural (CAR) regularizado e adotarem práticas sustentáveis. Nesses casos, será concedido desconto de até um ponto percentual nas operações de custeio.
'Desafio é o produtor conseguir acessar o crédito'
Coordenador do Conselho do Agronegócio da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Cesário Ramalho afirma que, independentemente do volume de recursos ofertado no Plano Safra 2026/27, o real problema persiste - que é a incapacidade de boa parte dos produtores acessar as linhas de crédito devido ao alto quadro de endividamento.
"O produtor estará apto, terá capacidade para contratar o financiamento?", questiona. "É preciso uma solução que dê fôlego ao produtor; caso contrário, o crédito ficará inacessível."
Do ponto de vista do montante ofertado, o coordenador do Conselho do Agro assinala que o aumento de 1,7% não deixa de ser positivo, assim como juros de um dígito para a categoria dos médios produtores - a mais castigada nos últimos anos -, além de condições especiais para quem avança na adoção de práticas sustentáveis.
Por outro lado, o seguro rural - cada vez mais imprescindível diante das mudanças climáticas - segue frágil, refém de cortes no Orçamento. Nesta agenda, na verdade, o Brasil precisa endereçar um modelo de política agrícola de acesso ao crédito mais longo, diz. "Um plano a cada safra tira previsibilidade, coloca todos à mercê de conjunturas de curto prazo e, no fundo, alimenta insegurança e adia investimentos."
O plano para a agricultura familiar também foi anunciado nesta terça-feira, com R$ 83 bilhões previstos em linhas de crédito rural. O evento contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não participou da cerimônia do Plano Safra, conduzida pelo presidente em exercício Geraldo Alckmin, já que Lula cumpriu agenda oficial no Paraguai na Cúpula do Mercosul.
IMAGEM: Marcelo Camargo/Agência Brasil *Atualizado às 16h30

