Os auto-enganos de Curupira

No Brasil, nunca houve oposição verdadeira entre as esquerdas veganas e carnívoras que devoravam os governos e desgovernos

Jorge Maranhão
14/Set/2022
Mestre em filosofia pela UFRJ, dirige o Instituto de Cultura de Cidadania A Voz do Cidadão e autor de "Destorcer o Brasil, de sua cultura de torções, contorções e distorções barroquistas", e de “Curupira, o enganador do mundo e os doze dragões da maldade. Email: [email protected]
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Não sei o que é pior, se a esquerdalha ensandecida ou os socialdemocratas ditos de centro, coniventes e omissos diante das esquerdas e seus desvarios! Portanto, paremos de nos enganar como o país dos curupiras de pés retorcidos que, de tanto enganarem os outros, acabam por enganar a si mesmos.

No Brasil, nunca houve oposição verdadeira entre as esquerdas veganas e carnívoras que devoravam os governos e desgovernos, aparelhando empresas e instituições desta incauta e infelicitada nação.

A verdadeira oposição entre a recente aliança de conservadores e liberais liderada pelo atual presidente e o rodízio das carcomidas esquerdas fingindo-se de oposição no teatro das tesouras nacional é a grande e verdadeira novidade de nossa cultura política barroquista, a verdadeira terceira via contra a curupiragem geral de nossa subcultura política.

Eis a causa desse mal-estar entre os participantes do grande e silencioso conluio de agentes mamadores das tetas do tesouro, desmamados pelo atual presidente. E nunca é demais listá-los:

  1. Políticos corruptos intermediadores de verbas públicas;
  2. Grandes grupos de mídia da extrema imprensa viciados em gordas verbas publicitárias estatais;
  3. Reitores e diretores de departamentos das universidades públicas com autonomia de gestão e desperdício dos recursos da educação devolvendo para a sociedade um dos piores índice de qualidade do mundo;
  4. Artistas pejotizados da Globolixo viciados em subsídios da lei Rouanet; 5. Alta burocracia das autarquias federais, da alta magistratura e do Parquet viciadas em penduricalhos e que não prestam contas de desempenho a ninguém;
  5. Ativistas de viés esquerdista da alta magistratura e do ministério público fazendo “justiça social” com as próprias sentenças e denúncias;
  6. Grandes banqueiros rentistas da dívida pública e oligopolistas na extorsão do crédito privado dos segmentos de baixa renda;
  7. Grandes empresas campeãs-nacionais, fornecedoras de serviços públicos e frequentadoras dos subsídios do BNDES;
  8. Ongs nacionais e internacionais exploradoras políticas de ambientalismo, globalismo e tuteladoras dos povos indígenas;
  9. Ongs de direitos humanos ativistas da desconstrução dos valores da família, ativistas de ideologias de gênero, abortistas e relativistas morais.

Por isto é que já é corrente nas redes sociais a reflexão de que a polarização não é apenas político-eleitoral, mas político-cultural. Civilizacional até! Pois, se trata de definir de uma vez por todas o caráter nacional, o que a maioria quer ser em face do pior legado possível dos sucessivos mitos de vagabundagem, malandragem, engodo e engano de Macunaíma, Jeca Tatu e de Curupira, respectivamente.

E para refletir sobre a ironia barroquista de nossa subcultura política ter chegado ao ápice de uma história em quadrinhos, com todas as farsas, ciladas e armadilhas dos bandidos contra o mocinho, temos até um Capitão para nos liderar nesta batalha.

Trata-se de uma inflexão cultural nunca vista na história brasileira, desde que fingiram trocar um imperador por um dito republicano. Deu no que deu: o imperador era mais republicano do que o próprio republicano de araque! Agora, acordamos para trocar os mitos e lendas da esperteza, da farsa e da fraude, pelo ideal da correção e disciplina! Um vagabundo por um Capitão! A maior inflexão do incipiente Iluminismo do Império brasileiro carcomido pelo cupim do ancestral e resiliente barroquismo colonial!

E tudo isto pelo orgulho ferido de lideranças empresariais, artistas globais, acadêmicos esquerdistas e jornalistas militantes, lagostíssimos sinistros e operadores da justiça parciais, mínima parcela da população, mas com o poder de repercutir seu puro preconceito social contra a larga maioria de cidadãos de fé apoiadores do Capitão, sem acesso à mídia e aos aparelhos do Estado ainda dominados pelos desmamados das tetas do tesouro nacional!

Todavia, duas insignes mulheres brasileiras, que não se omitem do debate público, mataram essa charada. Janaína Paschoal e Bruna Torlay. A primeira, professora de direito, atual deputada estadual por São Paulo, quando denuncia a manobra barroquista do sinistro Fachin na descondenação do Lularápio por não ver qualquer outro político com chances reais de se defrontar contra a popularidade do Capitão.

A segunda, professora de filosofia clássica, quando denuncia o orgulho ferido da social-democracia de punho-de-rendas, viciada nos recursos do tesouro nacional e nos recursos retóricos do “centro democrático”, a posar de isentona diante dos “extremos”, dona da “razão de Estado”, por não ter previsto, enfim, a sede de participação política dos conservadores em aliança com os liberais, todos recém-saídos do armário. E neste caso, também podemos listar quem são:

  1. Profissionais liberais, pequenos comerciantes e pequenos industriais cansados de arcar com uma carga fiscal pesada e injusta para alimentar a corrupção dos políticos;
  2. Produtores rurais desde a pequena empresa da agricultura familiar até as grandes corporações multinacionais do agrobusiness frequentemente invadidas pelo MST;
  3. Pais de família que repudiam a doutrinação ideológica de gênero, raça e credo dos estabelecimentos educacionais controlados por esquerdistas;
  4. Cidadãos dedicados à sua fé religiosa e à conservação dos valores morais da tradição judaico-cristã;
  5. Ativistas sociais dos direitos fundamentais dos cidadãos como liberdade de ir e vir, de expressão e opinião;
  6. Intelectuais independentes e críticos da dominação dos cargos das universidades públicas por militantes da esquerda hard ou soft;
  7. Militares e agentes de segurança pública preocupados com a destruição dos valores morais praticadas por organizações políticas de esquerda em aliança com as organizações do narcotráfico;
  8. Juristas, advogados e membros do poder judiciário preocupados com a perenidade e o desgaste da credibilidade pública das instituições da justiça;
  9. Novos políticos lutadores pela reforma política e pela mudança da cultura política brasileira para que mais representem os interesses dos cidadãos eleitores do que os seus próprios;
  10. Jornalistas e artistas independentes operadores de uma mídia alternativa e das redes sociais, críticos do enviesamento ideológico da informação pública e das artes em geral.

Desta feita, os dados estão lançados: mais do que uma eleição, estamos a escolher o próprio caráter nacional pelo qual queremos ser reconhecidos, a própria cultura dominante sob a qual queremos viver, se da razoabilidade e prudência iluministas na condução do interesse público ou da cultura barroquista de enganação e curupiragem geral que já estamos fartos de conhecer.

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio

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