O que esperar da influência digital em 2024?

A influência digital está consolidada como carreira. Em 2024, o mercado vai exigir que os criadores de conteúdo tenham visão de futuro, conhecimento e uma capacidade de reinvenção

Mariana Missiaggia
05/Jan/2024
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O que esperar da influência digital em 2024?

O número de pessoas que vivem da internet tem crescido nos últimos anos. Seja mostrando o seu dia a dia ou criando conteúdo especializado, as profissões digitais ganham cada vez mais espaço no mercado de trabalho.

Segundo a Nielsen, o Brasil acumula mais de 10,5 milhões de influencers com cerca de mil seguidores no Instagram, o que coloca o país como líder mundial de influenciadores digitais na plataforma. Já outros 500 mil criadores de conteúdo digital têm perfis com mais de 10 mil seguidores. Ao considerar Instagram, YouTube e TikTok, o país continua entre os líderes como terceiro no ranking.

Existem alguns fatores importantes para que o público seja atraído para um perfil. O relatório Influenciadores Digitais 2023, feito pela Opinion Box e Influency.me, mostra que o conteúdo apresentado é fundamental para fidelizar os seguidores. Gostar do assunto abordado pelo influencer é a primeira opção para 69% do público. Em segundo lugar está a simpatia e o carisma, motivo para dar follow para 48% dos entrevistados.

Assim como há motivos para seguir, há também as razões que fazem muitos deixarem de seguir um influencer nas redes sociais. O mesmo material mostra que a perda de qualidade do conteúdo pode fazer com que 54% do público dê unfollow no influenciador.

Em segundo lugar, as opiniões, uma vez que 43% do público afirmou deixar de seguir quem tem um posicionamento diferente do dele. Hoje, muitos influenciadores usam o potencial do perfil para divulgar marcas. Porém, 35% dos seguidores disseram que muita propaganda é motivo para unfollow.

"Assistiremos juntos a uma expansão e fortalecimento do mercado em 2024. A entrada de novos rostos que com talento diferenciado terão seu lugar no digital - com maior valorização da comunidade e influência da ESG versus o número de seguidores", antecipa Marcela Raposo, consultora da PubliReview.

Com base nessas considerações, veja o que Marcela acredita que deve nortear a criação de conteúdo digital em 2024:

CO-INFLUENCING

O ano de 2023 foi marcado pelo co-branding (colaboração entre marcas), em 2024 podemos esperar por uma alta expressiva da colaboração entre influenciadores. Na prática, isso vai desde postagens compartilhadas até a participação em iniciativas de outros influenciadores, em um movimento que beneficia as duas partes. Ou seja, os influenciadores estarão menos no espírito da competição e mais no da colaboração.

MAIS CONHECIMENTO, MENOS ENTRETENIMENTO

A geração Z, formada pelos jovens que nasceram de 1997 em diante, gasta proporcionalmente uma fatia menor de sua renda com entretenimento do que os mais velhos. O levantamento divulgado pelo Fórum Econômico Mundial, com base nas estatísticas de trabalho e renda dos Estados Unidos, mostra que em 2021 esses jovens gastaram US$ 41.636 (R$ 214.930) – menos do que todos os outros grupos de idade.

Por isso, em 2024, os olhos e desejos de consumo estarão voltados também para o conhecimento e aprendizado. Criadores de conteúdo dispostos a ensinar devem ocupar um espaço acima dos demais.

VÍDEOS MENORES E MELHORES

Os vídeos continuarão sendo um diferencial e a preferência entre os usuários. Mas, para acertar em 2024, esses mesmos vídeos que já são produzidos atualmente deverão ser menores e melhores. Com a diminuição da capacidade individual de concentração e o alto volume de oferta de conteúdo, ganha quem oferecer mais em menos tempo.

EXPERIÊNCIA GUIADA POR SENTIDOS

Tudo o que ativa os sentidos, como visão, tato, olfato, deve receber mais atenção das marcas por sua eficiência na conexão com o público. Muito tem se falado sobre experiências imersivas e híbridas, que as pessoas possam acessar de onde estiverem. Esses recursos têm o poder de envolver o usuário com sensações que ativam sua memória afetiva por meio do cheiro, paladar, audição, entre outros aspectos que despertam nossos sentidos.

Muitas vezes por orçamento ou até mesmo por não ver tanto valor nesse tipo de personalização de ativação, as marcas perdem esse contato ativo com seu público, apostando em outros recursos que até são importantes, mas não impactam tanto.

CONTEÚDO BRUTO

Na contramão de conteúdos superelaborados, o conteúdo bruto deve ter cada vez mais a preferência do público. Isso porque a naturalidade tem ganhado maior peso nas redes. Embora o público valorize a entrega audiovisual profissional, outros atributos passam a ter mais peso, como a identificação, o sentimento de verdade, a autenticidade e o apreço pela naturalidade em diferentes aspectos.

RELAÇÕES DE LONGO PRAZO

Distanciando-se do efêmero, as marcas estarão de olho em parcerias de longo prazo. Por isso, a capacidade de representar, emocionar e converter será ainda mais importante. O volume de projetos curtos e publiposts pontuais ou avulsos irá diminuir e a busca por embaixadores deve aumentar. E, no fim, tudo isso repercute sobre a fidelização das marcas.

 

IMAGEM: Freepik

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