Grupo Veste inclui John John em sua estratégia de franchising; Dudalina já segue por esse caminho

Marca estreia no mercado de franquias com modelo de lojas compactas, menor investimento e meta de chegar a 30 unidades até 2028

Rebeca Ribeiro
10/Jul/2026
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Grupo Veste inclui John John em sua estratégia de franchising; Dudalina já segue por esse caminho

A John John, marca brasileira especializada em jeanswear, iniciou um plano de expansão baseado em franquias e pretende abrir 30 unidades no formato até 2028. Até então, atuava apenas com lojas próprias. Essa é a segunda marca do grupo Veste S.A., gigante brasileira do ramo de moda de alto padrão, a ingressar no franchising. A Dudalina já havia adotado esse modelo. 

A estratégia ocorre após o grupo Veste atingir R$ 11,4 milhões de lucro líquido no primeiro trimestre de 2026, representando o melhor resultado para o período desde 2018 e a volta ao azul, após um longo processo de reestruturação e uma dívida de mais de R$ 1,5 bilhão.

A ideia de levar a John John para o franchising já existia há algum tempo, segundo Renata Viacava, diretora da marca. No entanto, a Dudalina foi escolhida para inaugurar essa estratégia por ser uma marca com maior maturidade no mercado, permitindo que a empresa conhecesse melhor o setor de franquias e consolidasse sua presença nesse modelo antes de levá-lo para a John John.

Para a incursão no franchising, além de ajustes no sortimento e na arquitetura das lojas, a John John vai investir em formatos mais compactos e baratos como forma de acelerar a expansão em cidades menores, a partir de 60 mil habitantes.

Enquanto o formato tradicional possui cerca de 100 metros quadrados, com um mix mais amplo de produtos e investimento inicial de R$ 800 mil, o novo formato, denominado John John Denim, possui cerca de 60 metros quadrados e investimento inicial de R$ 450 mil.

O modelo concentra produtos de alto giro, como peças de jeans e malharia, que representam 64% das vendas. A marca mapeou 300 cidades para expandir e também "shoppings mais democráticos", como o Parque Dom Pedro, em Campinas.

"São projetos diferentes. O John John Full tem um tíquete médio maior e transita entre diferentes faixas de preço. Hoje, o importante é levarmos nossa marca para outras regiões", diz Renata.

Com o novo formato, a marca pretende abrir seis unidades franqueadas neste ano e outras 18 em 2027. A meta inicial são 30 franquias até 2028. 

Segundo a executiva, o novo formato é uma forma de lidar com o atual momento econômico do Brasil, marcado por juros elevados, reforma tributária, inflação e instabilidade política em função das eleições, uma vez que o modelo menor exige menos investimento. Mas Renata descarta levar o modelo para outras marcas do grupo Veste, como Le Lis.

"Nós temos duas fábricas, com capacidade produtiva de 1,5 milhão de peças por ano, que podem ampliar essa produção com mais turnos. Quanto mais melhoramos nossa eficiência produtiva, mais reduzimos o custo por minuto de fabricação da peça, garantindo um equilíbrio no preço de venda, já que temos menos dependência de terceiros e das exportações", diz.

Outra estratégia do grupo é diminuir a dependência de liquidações e promoções, utilizando essas ações apenas em períodos tradicionais do varejo, como a Black Friday. "Para isso, trabalhamos muito o sortimento, para que a sobra seja apenas de grade", diz Renata. De acordo com ela, dessa forma, as liquidações realizadas em determinados períodos podem ser feitas com descontos menos agressivos.

Para não afetar negativamente os consumidores, Renata afirma que a marca trabalha com uma pirâmide de sortimento equilibrada, com diferentes faixas de preço, incluindo peças jeans a partir de R$ 300. "O consumidor com determinado poder aquisitivo terá acesso à marca independentemente das liquidações, por meio desses produtos de entrada", diz Renata, que enfatiza que os consumidores da John John têm interesse em adquirir os produtos no lançamento, sem esperar pelas promoções.

Com público entre 22 e 45 anos, a John John atingiu R$ 181,1 milhões em faturamento em 2025. No primeiro trimestre de 2026, a marca registrou R$ 43,7 milhões em faturamento bruto, representando um crescimento de 7,7%, enquanto a categoria jeans avançou 25%.

Tecnologia

O desenvolvimento do omnichannel no grupo Veste foi um dos principais passos para a marca avançar no franchising, integrando dados dos clientes das lojas franqueadas e das operações próprias, ampliando a base dos consumidores B2C. "Por exemplo, com a abertura das 22 unidades da Dudalina, crescemos 12% na nossa base de clientes. Com isso, o franqueado consegue vender por meio da nossa prateleira infinita", diz Renata.

Com isso, afirma a executiva, a empresa reduz a fricção entre lojas próprias, franquias e vendas on-line, permitindo que todos os canais participem de diferentes modalidades de venda. Além disso, a companhia tem utilizado inteligência artificial para analisar estoques e reposições, sugerindo as melhores estratégias de abastecimento também para os franqueados.

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IMAGEM: Andre Lessa/DC

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