Despesas públicas estaduais do Centro-Oeste somam R$ 109,2 bilhões em 2026
Para associações comerciais, eficiência nos gastos dá mais segurança para investir. Plataforma da CACB e ACSP será lançada no Congresso Nacional no dia 11 de agosto

As despesas públicas primárias estaduais da Região Centro-Oeste chegaram a R$ 109,2 bilhões em 2026, segundo dados da plataforma Gasto Brasil. Criada em 2025 pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), em parceria com a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a ferramenta reúne informações online da União, Distrito Federal, estados e municípios sobre despesas com pessoal, previdência, encargos sociais e investimentos, incluindo obras, aquisição de imóveis e outros gastos públicos.
De acordo com informações do Centro-Oeste, no Distrito Federal, com mais de 2,8 milhões de habitantes, o Gasto Brasil chegou a R$ 35,5 bilhões, entre 1º de janeiro e 27 de julho, o que representa uma despesa per capita de aproximadamente R$ 12,3 mil. O valor das despesas até a data do levantamento correspondeu a 9,5% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual de 2025, que foi de R$ 365,7 bilhões.
Em Goiás, os números apontam um total de R$ 31,8 bilhões em despesas públicas estaduais neste ano. Com uma população de 7 milhões de habitantes, o cruzamento de dados revela um gasto de R$ 4,4 mil por pessoa. Quanto ao PIB goiano, que em 2025 atingiu R$ 336,7 bilhões, o Gasto Brasil parcial deste ano correspondeu a 9,2%.
No Mato Grosso, com 3,6 milhões de habitantes, a despesa pública estadual em 2026 chega a R$ 26,1 bilhões, projetando um custo per capita de R$ 6,9 mil e um consumo correspondente a 9,3% do PIB de 2025 (R$ 273 bilhões).
De acordo com dados deste ano, Mato Grosso do Sul, com população de 2,7 milhões, teve despesa pública estadual no total de R$ 15,8 bilhões - o que equivale a R$ 5,6 mil por habitante. Até a data do levantamento, o Gasto Brasil representou 8,4% do PIB do estado em 2025, que foi de mais de R$ 184,4 bilhões.
Em âmbito nacional (União, DF, estados e municípios), a despesa governamental atingiu a marca de R$ 3,1 trilhões. Desde o início de 2026, o governo federal respondeu por mais de R$ 1,4 trilhão (46% do total) do gasto público. Do restante, os estados consumiram R$ 843,7 bilhões e os municípios, R$ 827,2 bilhões.
Outro dado importante é que, na comparação com dados do Impostômetro, apurados no mesmo dia, a despesa pública supera em mais de R$ 800 bilhões o valor total da arrecadação de impostos no país (R$ 2,3 trilhões).
Segurança para investir
Na avaliação do presidente da Associação Comercial de Campo Grande (ACICG), Omar Aukar, o principal caminho do país para promover gastos eficientes é fazer uma gestão responsável dos recursos públicos. “Não se trata apenas de gastar menos, mas gastar melhor. Com planejamento, prioridades bem definidas e foco em resultados”. Para o dirigente, quando o dinheiro público e aplicado de forma eficiente, toda a sociedade ganha - inclusive o ambiente de negócios que passa a ter mais segurança para investir e crescer.
Já o presidente da Associação Comercial e Industrial de Anápolis-GO (Acia), Luiz Claudio Ledra, afirma que o primeiro ponto em busca da eficiência dos gastos públicos é mudar o foco da discussão. “Muitas vezes, o problema não está apenas na falta de dinheiro público, mas na forma como esse recurso é aplicado. O empresário sabe que, dentro de uma empresa, não basta ter receita, é preciso gestão, planejamento, prioridade, controle e resultado. Com o dinheiro público deve ser da mesma forma”, adverte.
Ledra afirma que cada real arrecadado da sociedade precisa voltar em serviços melhores, infraestrutura, saúde, educação, segurança, inovação e condições reais para o desenvolvimento econômico. “Para isso, precisamos de metas claras, avaliação de resultados, menos desperdício e mais responsabilidade na aplicação dos recursos.”
Na visão do presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Mato Grosso do Sul (Faems), Alfredo Zamlutti, "é preciso que o governo apoie o setor produtivo e não políticas assistencialistas para que as despesas públicas tenham um caráter mais eficiente."
Transparência e consciência política
Sobre a plataforma Gasto Brasil, Aukar classificou a ferramenta como uma iniciativa relevante pois aproxima a sociedade das informações sobre o destino dos recursos públicos. “Quanto mais transparência houver maior será a possiblidade de acompanhar, cobrar e melhorar a gestão pública. O Gasto Brasil é uma ferramenta que contribui para esse debate de forma técnica e acessível”, destaca.
Para Ledra, a iniciativa é importante, necessária e essencial. “A plataforma Gasto Brasil permite que a sociedade, os empresários, as entidades representativas e os próprios gestores tenham acesso mais claro às informações sobre os gastos da União, dos estados e dos municípios”.
Em sua avaliação, a transparência ajuda a transformar dados em consciência pública. “Quando sabemos onde o dinheiro está sendo aplicado, conseguimos identificar distorções, combater desperdícios, valorizar boas práticas e cobrar decisões mais eficientes”, destaca o presidente da Acia. “Um país mais competitivo depende também de um Estado mais eficiente, transparente e comprometido em aplicar melhor os recursos que vêm do esforço de quem trabalha, empreende e gera empregos”, acrescenta.
Lançamento na Câmara
Para ampliar a divulgação dos dados sobre despesas públicas, a CACB e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) farão o lançamento do “Painel Gasto Brasil” na Câmara dos Deputados no próximo dia 11 de agosto.
A solenidade será às 15h30, no Salão Nobre da Câmara, com as presenças dos presidentes da CACB, Alfredo Cotait Neto, e da CNA, João Martins. Também haverá a exposição do “Painel Gasto Brasil”, que ficará até o dia 13 de agosto no Espaço Mário Covas.
Na ocasião, serão lançadas novas funcionalidades na plataforma para aumentar ainda mais o nível de transparência de dados para a população, com recortes econômicos, valores mais detalhados por população, índice de qualidade da informação e outros dados relevantes.
IMAGEM: Comunicação CACB

