Parcelamento sem juros

‘Cada compra realizada vai além do significado econômico de lucro e faturamento. Ela representa empregos, diretos e indiretos, que são o motor da nossa economia’

Alfredo Cotait Neto
21/Dez/2023
presidente da CACB e Facesp
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Parcelamento sem juros

O tema não é novo, mas a preocupação continua presente: grandes bancos voltam a defender a cobrança de juros nas compras parceladas no cartão de crédito. Ao refletir sobre o ano que passou, é notável o apoio significativo recebido da sociedade civil e de parlamentares do Congresso Nacional contra essa mudança, que vai além de uma simples questão cultural e comportamental.

Em uma era marcada pelo PIX e por avanços tecnológicos nas relações comerciais, surge a indagação: será que teremos que voltar a dividir as compras em cheque? Embora essa possa ser uma solução, não deixa de ser um retrocesso. A possibilidade de comprar e parcelar sem pagar juros é uma prática antiga na economia brasileira, representando uma fatia considerável das vendas dos comerciantes. Mais do que números, isso é uma maneira de trocar um móvel desgastado, melhorar os eletrodomésticos em casa, presentear um filho que concluiu os estudos ou realizar o sonho de uma viagem em família para comemorar uma data especial.

Cada compra realizada vai além do significado econômico de lucro e faturamento. Ela representa empregos, diretos e indiretos, que são o motor da nossa economia. Por isso, a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) defende veementemente a continuidade do parcelamento do cartão de crédito sem a incidência de juros. Essa prática é uma ferramenta vital de sustentação, especialmente para os pequenos comerciantes.

Por outro lado, é fundamental questionar a quem interessa a cobrança de juros nas compras parceladas. Não há dúvidas de que os grandes bancos são os principais beneficiados. No entanto, é importante destacar que se essa mudança ocorrer no Brasil, teremos uma redução drástica das vendas e do movimento do comércio, resultando em perda de empregos, diminuição do pagamento de impostos e fechamento de lojas. Em resumo, um ciclo desastroso para a economia.

Sabemos que o Congresso está ao nosso lado. Em conversas com deputados e senadores, percebemos a sensibilização e a concordância de que é preciso simplificar e reduzir os custos para os estabelecimentos, beneficiando, consequentemente, o consumidor final. Nessa batalha, contamos também com o apoio dos lojistas, que entendem a extensão dos prejuízos para o país. A CACB busca alinhar o Brasil ao mercado internacional, onde as taxas de juros aplicadas são consideravelmente mais baixas.

Os valores já pagos nas vendas via cartão de crédito são elevados. Aumentar ainda mais os juros pode ser a saída mais fácil para o mercado financeiro, mas certamente não é a mais correta quando se fala da importância social do parcelamento, especialmente para a população de baixa ou média renda, que são as maiores beneficiadas com o parcelamento sem juros nas compras. Desse modo, a CACB entende que o parcelamento sem juros é um direito de todos os brasileiros. Nós apoiamos a campanha Parcelo Sim! e continuaremos nessa luta. #SouCACB.

 

IMAGEM: Freepik