Economia

O pior já passou para a indústria, apontam economistas


A quinta alta consecutiva na produção industrial, na comparação mensal, reforça a expectativa de recuperação do setor produtivo


  Por Redação DC 02 de Setembro de 2016 às 18:13

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em julho, a produção industrial mostrou queda de 6,6% na comparação com igual mês do ano passado, enquanto nos acumulados do ano e em 12 meses as retrações foram de 8,7% e 9,6%, respectivamente.

Apesar da piora na comparação interanual, em parte explicada pelo fato de julho ter tido menos dois dias úteis em 2016, os economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) apontam que os resultados sugerem que a atividade industrial parou de aprofundar a contração.

Essa sensação é reforçada pelo dado mensal, que pelo quinto mês consecutivo mostra crescimento, de 0,1%, livre de efeitos sazonais.

Entretanto, a equipe de economistas da ACSP destaca que início da retomada só se dará se houver continuidade na recuperação da confiança dos empresários e se o novo patamar da taxa de câmbio não contribuir para reverter os ganhos de competitividade alcançados.

OS DADOS

No confronto com julho do ano passado, as quatro grandes categorias de uso seguiram apresentando retração: bens de capital (-11,9%), bens intermediários (-5%), bens duráveis (-16,2%) e bens semi e não duráveis (-6,3%). 

No campo negativo, também destaca-se as diminuições da produção de veículos (-13,8%), produtos eletrônicos (-13,4%), móveis (-13,8%), artigos cuja aquisição é extremamente dependente do crédito e da confiança do consumidor, atualmente em patamares muito reduzidos.

Na contramão, aparecem segmentos em alta, tais como alimentos (5,4%), produtos de madeira (4,7%), perfumaria (1,1%) e bebidas (0,3%), estimulados pela taxa de câmbio mais alta, que eleva a competitividade da produção nacional.

Nessa mesma linha, os dados de exportações de agosto, em relação a igual mês de 2015, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), continuam exibindo amentos dos embarques de produtos semimanufaturados (13,6%) e manufaturados (7,6%), destacando-se veículos de carga, aviões, automóveis, máquinas de terraplanagem e tratores.

A economista da CM Capital Markets, Jéssica Strasburg, afirma que a confiança da indústria continua subindo e que a produção deve seguir melhorando nos próximos meses.

"Para quem vinha de uma sequência tão ruim de baixa, uma alta de 0,1% pode ser comemorada. A indústria acumula cinco meses consecutivos de ganhos", diz Jéssica.

A analista indica que, entre as categorias, apenas bens intermediários subiu na margem (+1,6%), enquanto bens de consumo recuou 1,0%, com baixa de 1,9% em não duráveis e alta de 3,3% em duráveis. Já a produção de bens de capital teve retração de 2,7% na margem. "Investimento de fato não está acontecendo", diz.

O economista-sênior do Haitong, Flávio Serrano, indica que o avanço em bens intermediários foi puxado por segmentos como metalurgia, derivados de petróleo, óptico e produtos de borracha e plástico, o que retrata uma demanda de insumos mais forte da própria indústria. 

"Em linhas gerais, a dinâmica industrial do segundo trimestre mostrou recuperação com recomposição de estoques e julho, mesmo de lado, aponta para possível uma recuperação da economia no terceiro trimestre", diz Serrano.

AJUSTE DE ESTOQUE

Com uma visão menos otimista, o economista-chefe da consultoria Lopes Filho & Associados, Julio Hegedus Netto, afirma que a recente melhora na indústria vem mais de um ajuste de estoque do que de um aumento na capacidade produtiva. 

"O que chama atenção é que a produção de bens de capital está recuando muito, com contração de 11,9% na comparação interanual. Não temos uma verdadeira retomada na indústria, porque por enquanto está se usando a capacidade instalada já existente", aponta Hegedus.

Para a MCM Consultores, aumentam as sinalizações de que a indústria está no fundo do poço. "Ainda não acreditamos em uma retomada da atividade industrial no curto prazo em função dos estoques que ainda se encontram elevados e também por conta da demanda que segue fraca”, dizem os analistas em relatório.

A consultoria Parallaxis também não crê em uma forte recuperação. "Acreditamos que estamos diante de dois cenários possíveis, um no qual a recuperação se dará de maneira mais lenta e gradual e outro no qual estamos diante de uma estabilidade em um patamar muito baixo de atividade, que perdurará por um longo tempo."

A Parallaxis estima que a produção industrial encolherá 6% este ano, em linha com a pesquisa Focus do Banco Central, que prevê contração de 5,98%.

IMAGEM: Thinkstock





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