Economia

'O Brasil está deixando a crise para trás'


Para Henrique Meirelles, ministro da Fazenda, a queda do endividamento das empresas e das famílias é pré-condição para o país voltar a crescer


  Por Estadão Conteúdo 07 de Março de 2017 às 10:56

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou, nesta terça-feira (07/03), que a queda do nível de endividamento das empresas e das famílias é um indicativo de que o Brasil está deixando a crise para trás.

"O endividamento das empresas sobre o patrimônio líquido atingiu pico no início de 2016 e foi caindo ao longo do ano, isso é muito importante, é uma pré-condição para o país voltar a crescer, para voltarem a tomar empréstimo e crescer. O endividamento das famílias como proporção da renda também caiu", disse.

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A declaração foi dada durante a 46ª reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), que ocorre no Palácio do Planalto.

"As famílias e as empresas pagaram suas dívidas, é um processo penoso, mas é resultado da crise, já estamos passando para um segundo processo, de voltar a tomar empréstimo, financiar consumo, investimento e crescer", afirmou o ministro, argumentando que a queda do PIB de 2016 é "retrovisor".

Para o ministro da Fazenda, o Brasil tem voltado à normalidade, não só no ambiente político, mas também na economia, destacando que até mesmo a população, e não apenas os agentes do mercado financeiro, tem percebido a melhora econômica e tem reagido a isso com aumento da confiança.

Meirelles disse que o país ainda sente os efeitos da recessão, como resultado de políticas do governo anterior, mas destacou que a economia brasileira já começa a crescer. "Isso (a retomada) é resultado de medidas que mudam o horizonte de crescimento e de medidas que buscam assegurar que de, fato, o País saia da crise e venha a crescer a taxas mais elevadas", afirmou.

O ministro disse que "a retomada da economia, no fim do ano passado, de fato, não foi tão rápida", em referência ao resultado do PIB no quarto trimestre, que mostrou queda em relação ao terceiro trimestre e na comparação com o quarto trimestre de 2015.

Afirmou, no entanto, que até mesmo o mercado de trabalho, que ainda apresenta resultados piores a cada mês, "já reverteu a tendência".

Ainda de acordo com o ministro, existe a possibilidade de o Brasil terminar 2017 com um "crescimento robusto" e entrar em 2018 com uma "situação completamente diferente da que vivemos agora".

Para Meirelles, a competitividade das empresas brasileiras que exportam está sendo penalizada por várias questões. Ele deu maior destaque para o custo de produção no Brasil.

"Não há dúvida de que o Brasil tem estrutura complexa e custos elevados". Ele citou medidas microeconômicas que buscam elevar a produtividade das empresas, além das reformas trabalhista e tributária. "O projeto de mudanças tributárias é abrangente e está em andamento".

Meirelles destacou também, como sinal de retomada da economia, que a confiança da indústria voltou a subir em maio do ano passado, ao perceber que haveria uma troca de governo, e, apesar de uma interrupção do aumento da confiança em agosto e setembro, subiu "fortemente" em janeiro de 2017, o que, de acordo com ele, reflete o avanço da confiança do consumidor e de outros setores.

INVESTIMENTOS

O presidente Michel Temer comemorou, nesta terça-feira (07/03), os sinais de retomada da atividade e disse que isso o motiva a trabalhar ainda mais.

Entre os sinais de retomada, Temer citou como exemplo o aumento do investimento estrangeiro direto, o bom resultado da balança comercial e a melhora das contas públicas.

"O investimento somou US$ 11,5 bilhões em janeiro. Isso mostra que está se restabelecendo a confiança no país. A balança comercial teve o melhor resultado desde o início da série histórica em 1989, as contas públicas registraram em janeiro o maior superávit da série e o risco Brasil caiu para 270 pontos", disse Temer, durante a discurso na abertura da reunião do CDES, o Conselhão.

"Esses, portanto, são alguns entre os muitos exemplos que revelam que nós temos posto a casa em ordem. Esses são resultados que nos motivam a trabalhar muito mais", disse o presidente.

Temer também comemorou o avanço das reformas estruturais e avaliou como "ousada" a agenda proposta pelo governo.

"Estamos encarando com muita coragem, se não até com relativa ousadia, as reformas que o Brasil demanda e precisa. Não há atalhos nem passes de mágica nessa matéria. É preciso coragem e ousadia", disse.

O presidente lembrou que na reunião anterior do Conselhão, em novembro, o governo não havia aprovado o teto de gastos públicos.

"Nós conseguimos em seguida com grande apoio do Congresso Nacional", disse, ao lembrar que também foi aprovada a reforma do ensino médio.

Temer demonstrou confiança com a tramitação da reforma trabalhista no Congresso Nacional. "Tenho convicção de que, com a nossa muito sólida base no Congresso, devemos aprovar a modernização da legislação trabalhista", afirmou.

"A todo momento as pessoas dizem que não pode continuar assim", disse Temer, ao comentar a legislação trabalhista.

Por isso, argumentou o presidente, o governo dialogou com centrais sindicais e empregadores para costurar o consenso. A confiança na aprovação, disse Temer, é baseada no fato de que essa reforma trata de lei ordinária que exige maioria simples.

Foto: Agência Brasil







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