Mon05202013

Atualizado em:02:56:28 AM GMT

Esforço para recuperar tempo perdido

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O vestibular de 1995 da Fuvest pode dar uma boa pista sobre a atual falta de engenheiros no Brasil. Naquele ano, apenas 5,63 candidatos disputaram cada uma das vagas do curso de engenharia civil do campus de São Carlos da Universidade de São Paulo, um dos mais prestigiados da área no País. Carreiras em alta eram jornalismo (57,4 candidatos por vaga) e direito (relação de 36,1) – a tradicional engenharia civil perdia até para biblioteconomia (10,3 candidatos para cada vaga). A falta de interesse pelas ciências exatas dos jovens pré-universitários daquela época – hoje requisitados profissionais que se aproximam da faixa dos 40 anos – também era evidente: nenhuma das dez carreiras mais concorridas da Fuvest 1995 ou nos anos seguintes estava ligada a matérias como física, matemática, estatística ou química.
 
A consequência desse retrato aparece agora. Com diversos projetos simultâneos de infraestrutura, energia, construção civil, telecomunicações e tecnologia da informação, de médio e longo prazos, o Brasil não tem engenheiros qualificados em número suficiente para tanto trabalho. Em 2011, graduaram-se pouco menos de 45 mil engenheiros no País, número bastante inferior aos de Estados Unidos (60 mil) e China (250 mil). As saídas? De acordo com especialistas, resta ao País importar mão de obra (como já ocorre na exploração de petróleo do pré-sal), incentivar a qualificação dos engenheiros que já atuam no mercado, pagar mais para esses profissionais e esperar a formação adequada das novas gerações. Aqui, pelo menos, uma boa notícia: no vestibular de 2012 da Fuvest, o curso de engenharia civil da USP de São Carlos passou a ser o mais concorrido (52,27 candidatos por vaga), o que mostra que os jovens já perceberam que o momento é favorável para a carreira (outro dado positivo para o futuro econômico do País é o fato de as ciências exatas terem começado a recuperar terreno, com dois dos dez cursos mais disputados no ano passado).

A importância da pós-graduação

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Embora os cursos sejam  técnicos, densos e longos (de cinco ou seis anos, muitas vezes em período integral), a graduação não basta para formar um bom engenheiro. A necessidade de aprimoramento e formação específica já motiva, há décadas, a criação de cursos e institutos educacionais dedicados à pós-graduação em engenharia.
 
E essas instituições acabam se transformando em parceiras das empresas em pequisa e desenvolvimento de projetos com tecnologia de ponta. Um bom exemplo desse modelo é a Coppe-RJ (Instituto Alberto Luiz de Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia), ligada à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A Coppe-RJ, que em 2013 completa 50 anos, contabiliza a formação de cerca de 12 mil mestres e doutores em seus 12 programas de pós-graduação – na lista de ex-alunos ilustres está a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster.