Tue05212013

Atualizado em:03:15:34 AM GMT

A difícil convivência

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As dificuldades de convivência econômica entre os dois principais países do Mercosul, Brasil e Argentina,  não decorrem de acidente de personalidades. Decorrem principalmente da tentativa, por parte de um deles, de manter integralmente a soberania do país em matéria econômica. Essa tentativa ignora as próprias premissas de um acordo de integração, que pressupõe que a soberania esteja limitada em matéria de política econômica, de acordo com o que foi pactuado no projeto de integração.

Não se trata de uma dificuldade incomum ou rara. Algo semelhante está agora mesmo ocorrendo nas relações entre a França e a Alemanha. O presidente François Hollande elegeu-se  com base em duas premissas: internamente, a promessa de aumento do emprego com elevação da renda dos franceses e a manutenção da aliança franco-alemã na política externa.

 
Em qualquer circunstância seria difícil ao presidente Hollande manter suas promessas de campanha. Quanto ao emprego e ao aumento da renda, o momento de sua eleição não poderia ser mais contrário ao prometido. Eleito em 2012, ele recebeu do antecessor, Sarkozy, uma economia que ainda sofria as consequências da crise global de 2008-2009. 

Sem clima para investir

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Os fundamentos econômicos são aqueles ditados pelos mercados. A lei a ser obedecida é a da oferta e da procura, é o mercado da confiança, da credibilidade e da segurança. E também o da  maior liberdade de empreender, da menor gula fiscal (e dos fiscais) e do bom senso nas relações de trabalho. 
 
Colocar dinheiro público, mesmo via bancos oficiais, em projetos escolhidos; cortar, aqui e ali, tributos por algum tempo; permitir que a moeda mantenha uma cotação irreal e  juros que atendam a caprichos políticos não levam a lugar nenhum. Muito menos o controle indireto das tarifas de serviços públicos. 
 
O resultado será certamente a  falta de investimentos no País e o sucateamento do que  existe. Outro fator que tende a  assustar os investidores é a impunidade – quando não a   proteção – a ações sindicais realizadas ao arrepio da lei. Agora, até nos canteiros de obras publicas de vulto, do mais alto interesse nacional, ocorrem greves e depredações, com a marca da impunidade.