Wed05232012

Atualizado em:03:09:19 AM GMT

Na Bolsa, invista em um robô

O fim do pregão a viva voz na BM&F Bovespa, em 2008, deu início a uma revolução silenciosa no mercado financeiro. Desde então, a única bolsa de valores, mercadorias e futuros em operação no Brasil passou a ter todas as negociações feitas por computador. Com isso, a evolução tecnológica que já conquistava  espaço na vida de investidores, corretoras e bancos, ganhou velocidade e contornos de ficção científica com a crescente automação dos negócios no mercado de capitais. 
Além de despertar a atenção dos provedores de tecnologia para o desenvolvimento de novas ferramentas que garantem maior agilidade e rapidez, menor risco e, claro, melhor índice de sucesso nas transações. 
 
São exatamente essas as características oferecidas pela última geração de sistemas criados para automatizar as transações do mercado financeiro, conhecidos como software de algoritmos. Também chamados de robôs, são capazes de realizar operações em frações de segundos e disparar ordens de compra e venda de ações automaticamente a partir de programas customizados, levando em conta fatores como preço de compra e venda, liquidez, volume de negociação, entre outros. Conseguem executar centenas de milhares de operações por dia e acompanhar as sete horas de duração do pregão da BM&FBovespa, sem estresse e sem parada para um cafezinho. 
 

Embora as operações sejam automatizadas, elas não dispensam a expertise humana para definir os parâmetros e a estratégia a serem executadas nas operações. Os sistemas de algoritmos são definidos de acordo com os diferentes tipos de estratégias, principalmente para as operações de compra e venda de ações. Eles podem ser pré-customizados, criados pelo provedor de tecnologia (algoritmos "blackbox"), ou criados pelos próprios usuários das ferramentas (algoritmos "white box"), ou ainda uma fusão dos dois sistemas (algoritmos grey box). Mas seja qual for a opção, o usuário deverá inserir  parâmetros específicos para que o robô realize as operações da maneira desejada. 
 
A combinação entre uma ferramenta de automatização e a capacidade do operador de executar uma estratégia adequada pode gerar resultados invejáveis. É o caso de um investidor que começou aplicando R$ 100 mil com algoritmos para estratégia de volatilidade e conseguiu elevar seu capital para R$ 1,5 milhão depois de aproximadamente 18 meses. Mas é bom lembrar que o sistema de algoritmos sozinho não faz milagres. No caso, o usuário tinha a capacidade de avaliar o momento de entrar e sair da operação. 
 
"Uma das grandes vantagens dos softwares de algoritmos é agilidade operacional do sistema, o que permite que o usuário administre várias estratégias simultaneamente", explica Rogério Paiva, sócio-diretor da BLK Sistemas Financeiros, empresa brasileira que produz a plataforma RoboTrader, lançada em 2008. Em sua nova versão 2.0, o aplicativo com algoritmos pré-customizados incorporou serviços exclusivos de cotações em tempo real; análise de negócios e acompanhamento de diversas estratégias financeiras. 
 
Os principais clientes de softwares financeiros são as corretoras, pois as ordens de compra e venda são obrigatoriamente mediadas por elas. No entanto, o nicho de investidores individuais vem despertando a atenção dos serviços de solução tecnológica.
 
São pessoas físicas que querem ganhar agilidade e independência para realizar suas estratégias de investimentos, a partir do sistema homebroker das corretoras. É ele que permite as operações na BM&FBovespa via internet. Segundo Paiva, a BLK está investindo nesse novo consumidor, inclusive proporcionando a formação para que a pessoa esteja apta a operar os sistemas com workshops e treinamento. O custo para a pessoa física do RoboTrader Automate, versão baseada no sistema Excel com algoritmos pré-customizados e possibilidade de criar novos, é de R$ 1.500. 
 
A tendência de operações robotizadas no ambiente do mercado financeiro é irreversível. Nos últimos dois anos, a negociação eletrônica com robôs junto à BM&FBovespa pulou de 1% do total para mais de 8%, índice registrado em maio último. Muito pouco, se comparado às bolsas norte-americanas que tem 70% de suas operações executadas por sistemas de algoritmos. 
 
"Hoje, com papéis de liquidez muito alta, é fundamental contar com serviços automatizados para minimizar riscos e ter maior rentabilidade nas operações", comenta Romualdo Salata, diretor geral da CMA, fornecedora de soluções para o mercado financeiro, com sede em São Paulo. A empresa desenvolveu em 2008 a família Algotrader, com módulos de algoritmos padronizados no mercado e com aqueles desenvolvidos pelo próprio usuário, além de um produto para algoritmos em planilha Excel. 
A CMA opera junto à BM&FBovespa, mas também oferece plataformas de execução automatizada para negociações em bolsas internacionais, via corretoras do Chile, México, Estados Unidos e Espanha. "No momento, estamos finalizando a opção de processamento desses algoritmos em rede de computação em nuvem, com acesso via internet", revela Salata. 
 
O mercado de soluções tecnológicas ramifica-se também por outros locais do Brasil. Em Uberlândia (MG), a Cedro Finances, provedora de tecnologia criada em 2005, atende bancos e corretoras, sobretudo na capital paulista, com fornecimento de sistemas de homebrokers, plataformas de operações para o mercado financeiro e simuladores com fins educacionais, como o utilizado pela BM&FBovespa. A empresa prepara o lançamento para 2012 de serviços de robôs para operações no mercado de capitais. "Nossa solução de algoritmos poderá ser acessada de qualquer plataforma, seja a partir de dispositivos móveis, via internet, seja por meio de homebroker ou desktop",diz Eduardo Finzi, diretor de TI da Cedro Finances. 
 
Serviço
 
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