Tue05212013

Atualizado em:12:10:35 PM GMT

Atos de José Dirceu provocam nova polêmica

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Líderes de partidos de oposição na Câmara e no Senado consideraram ontem que documentos oficiais divulgados no domingo pelo jornal O Estado de S. Paulo confirmam a denúncia do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, de que o mensalão era operado no coração do governo. O material, incluindo correspondências confidenciais, bilhetes manuscritos e ofícios, de autoria do então chefe da Casa Civil, José Dirceu, cedidos com base na Lei de Acesso à Informação, retrata troca de favores entre governo e aliados, negociações de cargos na máquina pública por indicados políticos e ações que mostram o poder do então ministro.

Recluso desde o início do julgamento em sua casa em Vinhedo, José Dirceu se manifestou por meio de seus advogados. Segundo ele, todos os ofícios assinados no período em que comandou a Casa Civil estavam dentro das atribuições do ministério. "Todos [os atos] obedeceram rigorosamente à legalidade", afirmou o advogado José Luís Oliveira Lima. Ele ressaltou ainda que as relações políticas de Dirceu na pasta estavam dentro da normalidade e que a relação com o PT era institucional.

Comando – Os líderes do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), e do DEM, senador José Agripino (RN), afirmaram que as revelações comprovam a acusação do deputado Roberto Jefferson (PTB) de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha conhecimento de todas as iniciativas do ministro e que Dirceu era o operador.

"Na verdade, quem tinha o comando era o presidente Lula; José Dirceu era o segundo", afirmou Dias. "Ele operacionalizava o que já tinha acertado com Lula." No mesmo tom, Agripino ressalta que Dirceu atuava com o conhecimento prévio do presidente. "Roberto Jefferson acertou ao dizer que livrou o Brasil do José Dirceu", disse o senador.

Dias e Agripino argumentam que seria irreal imaginar que Dirceu fazia tudo "escondido" de Lula. O líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), disse que "a cada dia vai se confirmando todo o esquema montado com o objetivo de tomar o poder e de se perpetuar a qualquer preço. Seja por troca de cargos, por dinheiro, por Mensalão e por todo o aparato que não tem consistência republicana. O Mensalão estava no coração do poder com o chefe da Casa Civil".

Normal – O líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), considerou normal a atuação do ministro revelada nos documentos. Ele argumentou que, na época, a Casa Civil acumulava as funções da pasta de Relações Institucionais, hoje comandada pela ministra Ideli Salvatti, responsável pela ponte política do governo com o Congresso. "Era uma das funções legais, institucionais da pasta manter as tratativas com o Congresso. A Casa Civil é que negociava com a base de apoio", disse Tatto.

Tatto também considerou normal o ofício sobre "supostas irregularidade havidas entre a Petrobras" e a empresa do marido de Graça Foster. "Isso é corriqueiro na administração pública", afirmou.

 

 

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