Clube Naval cria comissão paralela à da Verdade
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- Publicado em Domingo, 13 Maio 2012 22:52
- Escrito por AE
Preocupado em blindar os militares que serão convidados a depor na Comissão Nacional da Verdade e a apresentar um contraponto a possíveis ataques às Forças Armadas, o presidente do Clube Naval, Ricardo Veiga Cabral, criou uma comissão paralela da Verdade e montou um grupo jurídico para assessorá-la.
A ideia é analisar os debates na Comissão da Verdade e oferecer orientação jurídica e acompanhamento nos depoimentos. A iniciativa pioneira do Clube Naval deve ser seguida pelos demais Clubes Militares, liderados por militares da reserva, que têm funcionado como a voz do pessoal da ativa que é impedido de falar pelo Regulamento Disciplinar das Forças Armadas.
Na quinta-feira – um dia depois de a comissão oficial começar a funcionar em Brasília, após pomposa posse no Palácio do Planalto com a presença de quatro ex-presidentes –, as preocupações com a conduta dos trabalhos será debatida numa reunião interclubes, no Rio de Janeiro.
"Precisamos estar atentos sobre os passos da Comissão e por isso faremos este acompanhamento diuturno", disse Veiga Cabral ao jornal O Estado de S. Paulo. De acordo com o almirante, a comissão paralela poderá, ainda, "evoluir para um diálogo com a Comissão da Verdade, ou pelo menos com alguns integrantes dela, para ouvirem nossas justificativas". Ele teme que a Comissão da Verdade seja "apenas uma estratégia, um primeiro passo, para, depois, tentarem revogar a Lei da Anistia, que está em vigor e foi ratificada pelo Supremo Tribunal Federal".
"Será que eles não vão ceder à esquerda?", questiona Veiga Cabral. Para ele, decorre daí a importância da comissão paralela e de artigos como o publicado pelo jornal no sábado, assinado pelo general Rômulo Bini, que pede o fim do silêncio pelos militares.
O texto do general Bini – que convoca os militares da reserva e até os chefes para suspenderem a lei do silêncio que se impuseram, para questionarem a Comissão, que chama de revanchista, e pede que reajam aos insultos que a categoria vem recebendo – desagradou ao comandante do Exército, general Enzo Peri.
O artigo não foi incluído na resenha do Exército, que chega a todas as unidades militares do País.






