Thu05232013

Atualizado em:03:00:54 AM GMT

Delegado da PF alerta: tem mais 28 malotes cheios.

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O delegado da Polícia Federal, Matheus Mella Rodrigues, responsável pela Operação Monte Carlo, revelou ontem, durante a sessão secreta da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, a CPMI do Cachoeira, que 28 malotes lotados de documentos, fitas e arquivos virtuais apreendidos pela PF ainda não foram analisados.

 

O material, segundo o delegado, foi apreendido em 80 endereços diferentes no dia 29 de fevereiro, quando foi deflagrada a operação da PF que prendeu Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. O conteúdo ainda é um mistério até para o próprio Matheus, pois passa por perícia técnica no Instituto Nacional de Criminalística (INC), da direção-geral da PF, em Brasília.

 

O lucro – Durante seu depoimento, Matheus contou que Cachoeira arrecadava R$ 1 milhão por mês, em média, com os 30 locais em que operavam máquinas caça-níqueis. Desse total, 30% do ganho líquido era repassado para ele, o que projeta um valor de R$ 3,6 milhões por ano.

 

Com tanta arrecadação, a quadrilha mantinha empresas no exterior para lavar o dinheiro do esquema. De acordo com relato do deputado Paulo Teixeira (PT-SP), o delegado citou uma empresa sediada no exterior e um bingo com endereço em uma das ilhas britânicas, a ilha de Curaçao, perto da costa da Venezuela.

 

Teixeira contou ao G1 que, segundo Matheus, as empresas estavam em nome de laranjas. "Ele falou das empresas que atuam e atuavam como fachada para limpar esse dinheiro. Falou do nome das empresas, quem operava e que eram todas operadas por laranjas, com procuradores que podiam movimentar essas contas", afirmou Teixeira.

 

Dinheiro no Palácio – Para o deputado, o depoimento do delegado mostrou que a quadrilha de Cachoeira era "muito sofisticada e com operações internacionais". Teixeira disse também que a Delta Construções realizou depósitos em outras empresas de fachada do grupo de Cachoeira.

 

O delegado confirmou também, segundo Teixeira, que uma caixa de computador contendo R$ 500 mil foi entregue a um assessor especial do governador Marconi Perillo (PSDB) dentro do Palácio das Esmeraldas, sede do governo de Goiás. Matheus deu ainda detalhes da venda da casa do governador para Cachoeira.

 

O imóvel foi negociado para o sobrinho de Carlinhos Cachoeira, Leonardo de Almeida Ramos, que pagou com dois cheques no valor de R$ 400 mil cada um e mais um outro de R$ 600 mil. Nessa casa, Cachoeira foi preso no dia 29 pela PF.

 

A informação da venda da casa foi confirmada pelo senador Randolfe Rodrigues (PSol-AP), que acompanhou o depoimento de Matheus e do qual o senador depreendeu que a relação de Perillo com Cachoeira era "muito próxima". Tanto que a Operação Monte Carlo flagrou mais de 200 citações do nome do governador nas gravações telefônicas da quadrilha interceptadas pela PF. (Leia mais na página 6).

 

Encontros – Além disso, os federais gravaram diálogos de Perillo com Cachoeira e identificou dois encontros entre eles, inclusive um durante jantar na casa do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). Em função das suas relações com o contraventor, o parlamentar responde a processo por quebra de decoro no Conselho de Ética do Senado. Cachoeira e Demóstenes, inclusive, estão convocados para depor. O primeiro no dia 23 e o segundo no dia 28.

 

A Operação Monte Carlo, associada à Operação Vegas, vem embasando as investigações da CPMI. Entre as denúncias apuradas pelos dois inquéritos estão a de que Cachoeira atuava também como sócio da construtora Delta e agia para fraudar licitações públicas garantindo contratos para a companhia.

 

O empresário também é acusado de corromper diversos agentes públicos e de utilizar a influência de Demóstenes para conseguir vantagens com outras autoridades.

 

Segundo os números apresentados pelo delegado, a Operação Monte Carlo já interceptou 260 mil ligações, entre 2010 e 2012. Desse total, 17 mil foram consideradas importantes para a investigação da PF.

 

Defesa acompanha a sessão secreta

 

Os advogados de defesa do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) e de Cláudio Abreu, ex-diretor da Delta Construções, puderam acompanhar ontem a sessão secreta da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI).

 

Tranquilamente ouviram o depoimento do delegado da Polícia Federal, Matheus Mella Rodrigues, responsável pela Operação Monte Carlo, que levou Cachoeira e integrantes do esquema para a prisão e resultou na CPMI do Cachoeira.

 

A presença dos advogados foi autorizada pelo presidente da CPMI, senador Vital do Rego (PMDB-PB), sem consultar os demais parlamentares e sem levar em consideração que um dos argumentos para que a sessão fosse reservada era evitar que a defesa dos envolvidos conhecesse as novas linhas da investigação.

 

A descoberta dos advogados provocou um bate-boca protagonizado pelo senador Humberto Costa (PT-PE) e o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Ao questionar a presença dos advogados, Lorenzoni disse que a CPMI "estava virando um circo". Ao que Costa respondeu: "Está virando, não. Já virou", em referência à interrupção prolongada do depoimento do delegado. O deputado, então, rebateu dizendo que Costa era "um sanguessuga".

 

O senador reagiu chamando Lorenzoni de "leviano" e "desinformado". As versões foram confirmadas pelos protagonistas, que só não contaram que foi preciso a intervenção de outros parlamentares para evitar a briga física.

 

Costa disse apenas que deixou a sala. Sanguessuga é o nome dado à quadrilha que desviava dinheiro da compra de ambulâncias pelo governo federal. O escândalo estourou em 2006, quando Costa era ministro da Saúde. Ele jamais foi citado na investigação.

 

Depois do tumulto e cobrado pelos congressistas, Vital justificou que o Supremo Tribunal Federal (STF) autoriza advogados acompanharem CPMI, mesmo em sessões secretas. O senador Cassio Cunha Lima (PSDB-PB) ironizou a presença dos advogados, "o que faz dessa comissão não apenas secreta, mas com presença secreta". A senadora Katia Abreu (PSD-TO), completou: "Eu estou me sentindo agredida, isso não poderia ter ocorrido".

 

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