Wed05222013

Atualizado em:12:38:57 PM GMT

Perillo vai ter que depor

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O senador Vital do Rego (PMDB-PB), presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, a CPMI do Cachoeira, admitiu ontem que o colegiado poderá mudar e incluir o depoimento do governador Marconi Perillo (PSDB-GO). A decisão será tomada na reunião marcada para o dia 17. Nesse mesmo dia será colocado em votação requerimento que pede a convocação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel.
 
Muito próximos – A convocação de Perillo praticamente passou a ser inevitável após as revelações feitas pelo delegado da Polícia Federal, Matheus Mella Rodrigues, ontem na CPMI (detalhes na página 5).O responsável pela Operação Monte Carlo, que investigou o esquema criminoso comandado por Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, deixou claro em seu depoimento que  Perillo e Cachoeira eram "muito próximos".
 
O senador Randolfe Rodrigues (PSol-AP) defendeu a convocação "urgente" de Perillo. De acordo com o parlamentar, os detalhes apresentados pelo delegado indicam loteamento de órgãos públicos e "participação direta da organização criminosa dentro da estrutura do governo de Goiás", afirmou Randolfe. "No meu entender, a convocação do governador é urgente".
 
Sempre ele – O delegado informou que a Polícia Federal interceptou mais de 200 citações do nome de Perillo nas gravações, além de ligações do governador para o contraventor. Randolfe revelou que "há ligações do próprio governador para Cachoeira para dar parabéns pelo aniversário". E a PF confirmou que Perillo teve dois encontros com Cachoeira. Num deles na casa do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). O delegado confirmou ainda que Perillo vendeu a sua casa para Cachoeira e quem negociou foi o sobrinho do contraventor, Leonardo Almeida Ramos. Ele repassou três cheques que totalizaram, R$ 1,4 milhão.
 
Em nota, ontem à noite, a assessoria de Perillo justificou que o governador, na época da venda, não identificou o autor dos cheques  "O governador recebeu os cheques, depositou-os nas datas combinadas e só escriturou o imóvel após a compensação de todos os cheques. Na época, o governador não observou o nome do emitente, pois a casa só seria escriturada após a devida quitação", alegou a nota. 
 
A versão de Perillo é a de que a casa foi vendida a Walter Paulo, dono da Faculdade Padrão, por R$ 1,4 milhão em 2011. A negociação, segundo ele, foi intermediada pelo ex-vereador Wladimir Garcez, apontado pelo Ministério Público como membro do esquema de Cachoeira. 
 
Ainda segundo a nota, "trata-se de patrimônio pessoal do governador e foi vendida dentro da lei e declarada no IR, em uma transação que nada tem a ver com a atividade pública do governador", disse a assessoria. A nota informou também que Perillo não sabia nem sabe quem é Leonardo Almeida Ramos. 
 
Investigações – O relator da CPMI, deputado Odair Cunha (PT-MG), afirmou que a comissão precisa "aprofundar as investigações" sobre a participação do grupo de Cachoeira nos governos de Goiás e do Distrito Federal. "Há uma impregnação muito forte dessa organização no governo de Goiás. Temos que aprofundar as investigações. O governo do Distrito Federal também merece nossa investigação", disse Cunha. 
 
Venda da Delta – O senador Randolfe disse que pretende analisar a possibilidade jurídica de vetar a venda da Delta. "Vamos estudar uma forma de barrar. Há de ter instrumentos jurídicos. Porque estão vendendo a empresa agora? Estranho negociar agora, vender agora, muito estranho", reafirmou Randolfe. Por se tratar de um campo minado, o governo federal tenta manter distância da operação, apesar do BNDES ser sócio da JBS, o frigorífico que está comprando a empreiteira. 

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