Sat05182013

Atualizado em:11:39:03 PM GMT

Gurgel não quer depor, acusa Collor

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O senador Fernando Collor (PTB-AL) afirmou, durante sessão secreta da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, a CPMI do Cachoeira, que o procurador-geral da República, tem pedido ajuda, nos bastidores políticos, para não prestar depoimento.
 
Collor disse ainda que Gurgel também é responsável por "uma espécie de ameaça velada aos membros da CPMI, pois estaria espalhando a informação de que outros casos envolvendo políticos poderão vir à tona na esteira do escândalo Cachoeira".
 
Braços cruzados – As afirmações de Collor foram feitas durante depoimento do delegado da Polícia Federal, Raul Alexandre Marques Souza à CPMI do Cachoeira em sessão secreta. A Folha de S. Paulo teve acesso à íntegra de um áudio que registrou o depoimento de Souza, coordenador da Operação Vegas, realizada entre 2008 e 2009 e paralisada ao chegar na Procuradoria-Geral da República (PGR).
 
Collor é um dos principais críticos de Gurgel na CPMI e insiste, desde a instalação da comissão, para que o procurador seja convocado a depor e esclarecer por que nada fez, após receber em 2009 os autos da operação, que já apontavam indícios da participação do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) com o grupo comandado pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
 
Movimentos – Após duas horas de depoimento do delegado, Collor comentou a visita que o presidente da CPMI, senador Vital do Rego (PMDB-PB), e o relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), fizeram a Gurgel. Na ocasião, consultaram o procurador sobre seu possível depoimento na CPMI e a resposta foi um não.
 
De acordo com o senador, após a audiência, Gurgel passou a se movimentar nos bastidores políticos para tentar reverter uma provável convocação, como se estivesse pedindo auxílio. "Me ajudem para que eu não esteja lá, eu não vá lá", ironizou Collor. 
 
Ameaça velada – Para o senador, esses "contatos externos precisam ser melhor informados aos integrantes desta comissão, para que nós saibamos como as coisas estão acontecendo aí fora". 
 
E foi adiante: "O procurador-geral soltou umas notícias, em algumas colunas, falando sobre casos fortuitos, que nos pareceu uma espécie de ameaça velada no sentido de que se eu for para lá, esses casos fortuitos serão revelados e irão incriminar outras pessoas". 
 
Após o depoimento de Souza, na terça-feira, ganhou força na CPMI a proposta de convocação de Gurgel. De acordo com o delegado, a investigação Vegas foi paralisada após ser remetida ao conhecimento do procurador. A decisão, segundo o delegado, foi informada pela mulher de Gurgel, a subprocuradora-geral da República, Cláudia Sampaio.
 
Mensalão – O procurador rebateu as críticas por não pedir abertura de inquérito para investigar Demóstenes dizendo que elas partem de "pessoas que estão morrendo de medo do julgamento do Mensalão".
 
Sem citar nomes, Gurgel afirmou que "é compreensível" que pessoas "ligadas a mensaleiros" queiram atacá-lo e também aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que serão os responsáveis por julgar o caso.
 
De acordo com Gurgel, os ataques seriam uma "tentativa de imobilizar o procurador-geral para que ele não possa atuar como deve, seja no caso que envolve o senador Demóstenes e todos os seus desdobramentos, seja para o julgamento do Mensalão, caso que, repito, classifiquei nas alegações finais, como talvez o mais grave atentado à democracria brasileira".
 
Mais trabalho à frente – O procurador-geral afirmou também que os mentores das críticas "se não são os réus, são protetores de réus", além de pessoas que já foram alvo do Ministério Público e que agora querem retaliar. 
 
"Agora, minha preocupação é continuar trabalhando, continuar investigando e de continuar levantar o véu e revelar cada vez mais fatos extremamente graves que também estão submetidos à CPMI, mas que parece mais preocupada com o Mensalão", disse, negando que tivesse "pedido auxílio" a parlamentares, como acusou Collor.
 
Fim de sigilo – O PSDB protocolou ontem no STF pedido de suspensão do sigilo do inquérito da Operação Vegas. Idêntica solicitação será feita para a Monte Carlo. 

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