Sair? Depende de Dilma, diz Jobim
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- Publicado em Segunda, 01 Agosto 2011 22:47
- Escrito por Victória Brotto
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse ontem que não pretende sair do cargo, que exerce com prazer, e que tudo "depende da presidente Dilma Rousseff", a quem fez elogios. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Roda Viva da TV Cultura gravado à tarde e que foi ao ar ontem à noite.
Jobim fez questão de ressaltar sua "ótima" relação com a presidente. "A presidente Dilma é extraordinária. Ela tem muita visão de futuro, tem noção das tendências".
A presidente teria ficado irritada após o ministro, em entrevista à Folha e ao UOL (portal comandado pelo Grupo Folha) na semana passada, declarar que votou no candidato tucano José Serra nas últimas eleições presidenciais. A revelação incomodou o alto escalão do governo – o secretário geral da Presidência, Gilberto Carvalho, disse que a posição do ministro foi "desnecessária".
Sem segredo – Para Nelson Jobim, a sua amizade com Serra nunca foi "segredo" dentro do governo. "Lula e Dilma sempre souberam da nossa proximidade – sou padrinho de casamento dele e já moramos juntos".
Ao ser questionado se pretendia sair do cargo depois dos rumores de uma possível demissão, foi categórico: "Não. Absolutamente. Não mesmo. Tenho um projeto para tocar".
Jobim disse ainda que está no ministério por "prazer" e que não se sente nem um pouco desconfortável no cargo. "Não sou dissimulado. Sempre fui assim."
Política e emoção – Segundo o ministro, é importante separar política e emoção. "São duas coisas diferentes. Na política, até o ódio é combinado". E acrescentou: "Nada me tira do sério. A irritação não faz parte da política".
Além de ter revelado o voto, o ministro disse na semana passada que José Serra teria tomado as mesmas decisões de Dilma, caso tivesse sido eleito. Ontem, ao ser questionado pela âncora do programa, Marília Gabriela, se seria também ministro da Defesa em um possível governo Serra, Jobim procurou se esquivar. Disse que não se pode lidar com especulações desse tipo.
Idiotas – Em junho, numa homenagem a FHC, do qual foi ministro da Justiça, Jobim declarou que "os idiotas perderam a modéstia", dando a entender uma possível relação com a atual gestão. Ontem, citando desde o escritor argentino Jorge Luís Borges até o brasileiro Nelson Rodrigues, ele manteve sua versão, de que os "idiotas" são os jornalistas, que "escrevem por esquecimento".
Caças – Jobim não falou nada de novo sobre o impasse que marcou os últimos meses do governo Lula sobre a compra de caças internacionais – norte-americanos, suecos ou franceses. Disse que a decisão está nas mãos da presidente Dilma, e que, "devido à falta de dinheiro", o debate foi temporariamente deixado de lado.
"O norte do Ministério da Defesa hoje é proteger as riquezas da América Latina", disse. Acrescentou ainda que, com a compra dos caças, o Brasil quer promover a integração da América Latina e não só proteger o território nacional.
Investigação – Sobre a investigação da Procuradoria-Geral de Justiça Militar de possíveis fraudes em 88 licitações de obras do Exército, Jobim se disse surpreso e que não costuma "adiantar juízos nem antecipar culpa". O ministro foi avisado da denúncia na semana passada por Enzo Martins Peri, comandante do Exército e um dos oito investigados por suposto repasse de R$ 11 milhões ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit – órgão ligado ao Ministério dos Transportes. "Vamos ver o que é. Vamos examinar", disse Jobim. "Se houver problema, vão pagar. Se não houver, as coisas continuarão iguais".




