Wed05232012

Atualizado em:03:09:19 AM GMT

Partido Novo nasce sem políticos

Fundado em fevereiro passado e já registrado em cartório, o Partido Novo espera conseguir 500 mil filiados até setembro, para em seguida poder se legalizar em definitivo e começar a disputar eleições, a começar pelas municipais, em 2012. João Dionísio Amoedo, 48 anos, banqueiro, integrante dos conselhos de administração do Itaú BBA e da João Fortes Engenharia, um dos fundadores e presidente do Partido Novo, explica que a instituição política surgiu porque nenhum dos atuais 27 partidos em funcionamento tem o foco principal na melhoria da gestão publica e na redução da carga tributária. 

 
Conta que o Novo, em futuro breve, só terá candidatos aptos a exercer os cargos que disputam, sempre dará todo apoio aos eleitos, mas os fiscalizará e cobrará em relação a metas a serem cumpridas durante o mandato. Leia abaixo a entrevista em que Amoedo explica o que é o Partido Novo.  
 
Diário do Comércio – O País tem hoje 27 partidos políticos legalizados. Há espaço 
para a criação de mais um partido, no caso o Partido Novo (PN)? Por quê?
 
João Dionísio Amoedo – Essa foi a primeira pergunta que nos fizemos ao decidir montar um partido político, dado que o processo é longo, trabalhoso e custoso. Identificamos três motivos principais para fundarmos o Novo. Em primeiro lugar, nenhum dos partidos políticos existentes tem como foco principal a melhoria da gestão pública e a redução da carga tributária. Em segundo, avaliamos que uma nova plataforma seria a melhor maneira de atrair pessoas interessadas em contribuir para a melhoria do País, mas descrentes do mundo político. Por último, acreditamos que é dever do partido propor candidatos aptos aos cargos que disputam, dar apoio a eles, cobrar e fiscalizar sua atuação parlamentar e executiva, inclusive com o estabelecimento de metas. Não encontramos essa concepção nos estatutos dos partidos já existentes.
 
DC – A partir de São Paulo, tudo indica que em breve o cenário político terá outro partido, o Social Democrático (PSD). Qual a avaliação do senhor em relação a esse partido? Ele tem pontos de aproximação com o Partido Novo? Há possibilidade de os integrantes do PN integrarem o PSD?
 
Amoedo – Minha avaliação é negativa. Entendo que a primeira obrigação de um partido em formação é divulgar seus princípios, programa e estatuto. E assim explicar o porquê de sua formação ao cidadão. Isto até agora não foi feito pelo PSD. A única informação disponível é o nome dos políticos que vão fazer parte do partido. Entretanto, como a origem desses nomes é muito diversa, não se consegue auferir a proposta por trás da formação do partido. Nesse cenário, portanto, é difícil identificarmos pontos de aproximação com o Novo, já que as práticas iniciais parecem muito distintas. Antes da sua fundação, o Novo já disponibilizava no seu site o programa, princípios e, quando da fundação, o estatuto. Além disso, por meio de um canal de relacionamento chamado "Fale Conosco" e de mídias sociais na web, mantemos um canal aberto para tirar todas as dúvidas dos cidadãos em relação ao projeto. E, finalizando, o que uniu o grupo de fundadores foram as diretrizes e ideais apresentados pelo Novo. Por tudo isso, vejo uma baixíssima probabilidade de integrantes do Novo participarem do PSD. O Novo nasce para ser um partido de ideias e não de pessoas.
 
DC – Quais os principais diferenciais do Partido Novo?
 
Amoedo – O Novo será o primeiro partido em muitos anos que não surge como uma dissidência de algum partido político já existente. Além disso, prevê "ficha limpa" para todos os seus candidatos. Estabelece metas de atuação parlamentar e metas de gestão para seus candidatos eleitos. Separa a gestão partidária da gestão pública. Ou seja, os candidatos eleitos do Novo não podem ser membros de seus diretórios. Proíbe mais de uma reeleição para igual cargo no Legislativo. Esses são alguns dos diferencias previstos no Estatuto do Novo. Além disso, utilizaremos as ferramentas tecnológicas, em especial as mídias sociais, para um contato aberto e mais frequente com os cidadãos.
 
DC – O PN será de centro, direita ou esquerda? Qual a ideologia do futuro partido?
 
Amoedo – Muito utilizada no passado, essa classificação hoje pouco esclarece sobre o perfil do partido. Utilizando ainda esse conceito, o Novo poderia ser classificado como um partido de centro-direita, por possuir uma postura mais liberal. Acreditamos que o Estado deva ter uma participação menor na economia e na vida das pessoas. Somos contrários ao capitalismo de Estado que atualmente se expande no Brasil. O Estado deveria priorizar os serviços básicos, a infraestrutura e seu papel regulador e fiscalizador. O Novo escolheu a melhoria da gestão pública como sua principal filosofia de governo. Acreditamos que, com uma gestão eficiente da máquina pública, iremos beneficiar justamente os mais necessitados, a camada mais baixa da população, principal usuária dos serviços públicos. 
 
DC – O PN apresenta-se como um partido que nasce sem políticos. O que a afirmação significa?
 
Amoedo – Nenhum dos 181 fundadores do Novo, embora atuem em 35 áreas diferentes da economia, tem cargo eletivo. Essa afirmação é um convite à participação efetiva do cidadão, que hoje está insatisfeito com a gestão pública. Ele pode se juntar a esse time e participar ativamente, mesmo com pouca ou nenhuma experiência política . Entretanto, não temos preconceito contra os políticos, e alguns certamente serão bem-vindos, no momento adequado. Mas apenas aqueles que se dispuserem a se adaptar aos princípios do Novo e carregar  suas bandeiras, deixando as ambições pessoais, ainda que legítimas, em segundo plano. Os participantes que possam acrescentar ideias e agregar trabalho são muito bem-vindos, porque o esforço de tratar as políticas públicas com critérios de eficiência, racionalidade, sensibilidade e moralidade é coletivo.
 
DC – Os integrantes do PN acentuam que um partido precisa ter o foco bem dirigido para a gestão pública. Qual a razão da afirmação?
 
Amoedo – Há duas razões principais. Primeiro pelo volume de impostos arrecadados, que não é compatível com os serviços prestados à população. E segundo porque a única forma de provermos oportunidades iguais àqueles com menos recursos é por meio de serviços de qualidade, principalmente educação , que só acontecerá com uma gestão eficiente do Estado.
 
DC – Alguns analistas avaliam que os partidos políticos estão obsoletos, ultrapassados, em especial por causa da "democracia eletrônica", ou seja, da participação política dos cidadãos por meio das redes sociais na internet. Qual a posição do PN em relação a essa análise? O partido pretende usar a web? De que forma? 
 
Amoedo – Também acreditamos que há um desgaste dos partidos políticos, mas decorrente principalmente de um processo contínuo de afastamento das pessoas do processo e, portanto, há pouca renovação de seus quadros. Acreditamos muito na utilização das mídias sociais e já trabalhamos intensamente com essas ferramentas, mas elas, de forma alguma, substituirão os partidos. A representatividade e a atuação de um partido político são fundamentais em um processo democrático. Mas, sem dúvida, o partido político pode ser mais transparente, atuante e eficaz utilizando a ferramenta digital. Tanto que, em nosso caso, respondemos qualquer questionamento feito por meio do nosso site, no "Fale Conosco", ou pelas mídias sociais em no máximo 24 horas. Além disso, utilizaremos a web para divulgação de informações, ideias e discussões de propostas.
 
DC - Até o momento, quais passos legais já foram dados para a criação do Partido Novo? Qual é o número de filiados no momento?  Quando o partido prevê que conseguirá a legalização?
 
Amoedo – O Novo foi fundado em 12 de fevereiro de 2011, com a indicação do seu Diretório Nacional Provisório e a aprovação do seu estatuto. Posteriormente, registramos o partido no Cartório de Registro Civil de Brasília e demos início à coleta de 500 mil fichas de apoio necessárias ao registro do Novo nos TREs (Tribunais Regionais Eleitorais) e no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Estamos agora nesta fase e já iniciamos a entrega das assinaturas nos cartórios eleitorais para validação. Pela legislação em vigor, a filiação só pode acontecer após o registro definitivo do partido no TSE. Apesar do prazo curto, estamos trabalhando com a meta de obtermos todas as assinaturas de apoio até setembro.
 
DC – Há um perfil determinado pelo PN para aceitar filiados?
 
Amoedo – Não, mas nosso estatuto prevê códigos de conduta e ética, bem como os requisitos de ficha limpa.
 
DC – No momento, o PN já decidiu como participará das eleições municipais do próximo ano?
 
Amoedo – Gostaríamos de lançar candidatos para as prefeituras e para as câmaras municipais em cidades de médio porte, mas isso dependerá da obtenção do registro definitivo até o fim de setembro.
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