Mon05202013

Atualizado em:05:02:02 PM GMT

O mundo cada vez mais conectado

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O número de telefones celulares no Brasil já é maior do que o de habitantes. E é assim também nos Estados Unidos, na Indonésia, na Rússia, na Alemanha e em muitos outros países.

Cidadãos de todas as classes sociais e de renda possuem um ou mais desses telefones – de milionários a catadores de sucata, passando por crianças, religiosos, profissionais de todos os tipos, praticamente todo mundo tem um (ou acesso a um) nas áreas urbanas. Essas pessoas sabem exatamente a grande utilidade desses equipamentos, que no passado serviam simplesmente para conectarem-se a outros telefones.

Agora, 30 anos depois do aparecimento dos celulares (foram lançados no Japão, em 1979), eles têm muito mais utilidades . Pouco a pouco foram ganhando serviços e aplicações, até que para dar suporte aos recursos atuais e futuros, os fabricantes precisaram embutir um computador em cada aparelho – não é segredo para ninguém que equipamentos como os smartphones são, na verdade, computadores portáteis que contêm um telefone celular. Mais do que isso, são computadores conectados à internet.

Atualmente, o fato de carregarmos um celular no bolso está modificando rápida e profundamente nossa maneira de viver, como mostra Michael Saylor em The Mobile Wave (em português, 'A onda da mobilidade', Editora Vanguard Press, 304 páginas). Michael J.

 Saylor é um engenheiro formado pelo Massachusetts Institute of Technology, dos EUA, especialista em aeronáutica e astronáutica. Entretanto,  acabou ganhando a vida com o desenvolvimento de modelos de simulação em computadores e com a Microstrategy – uma empresa que ele fundou com mais dois amigos, focada em "business intelligence", ou seja, a geração de relatórios informativos a partir de dados brutos obtidos em qualquer sistema de informação. Os relatórios da empresa  permitem, por exemplo, prever tendências, o que orienta a tomada de decisões.

Saylor tira suas conclusões sobre a mobilidade a partir da análise de um mundo totalmente conectado, em que cada ligação telefônica, ou cada transação de dados concluída com a ajuda do equipamento pode ser uma nova oportunidade de negócio, de aprendizado e até mesmo de recuperação da saúde.

 Descontando-se alguns exageros, Saylor tem uma visão parecida com a da GSMA, a associação de operadoras de telefonia que defende e estimula a adoção da tecnologia GSM (Global System for Mobile Communications, padrão mais popular para telefones celulares do mundo todo).

Recentemente, a associação começou a difundir sua visão de "Connected Life", ou Vida Conectada, cujas vantagens também abrangem os temas abordados por Saylor.

Ele cita entre essas vantagens, a de que brevemente qualquer pessoa tenha acesso aos cursos que são dados pela Universidade de Harvard. E mais: o dinheiro se tornará virtual e seguro, podendo ser usado com a ajuda dos dispositivos móveis (o mMoney); as casas, automóveis, frutas, animais e objetos serão "etiquetados" com chips, de modo que poderão fornecer informações sobre si próprios; compras poderão ser feitas simplesmente apontando-se o celular para leitura do código de barras da mercadoria e em seguida autorizando-se o pagamento.

E há previsões bastante discutíveis,  como a de que terra e capital se tornarão cada vez mais uma responsabilidade do que um patrimônio; e que empregos mudarão de lugar, à medida em que vagas destinadas à prestação de serviços tenham o suporte de software dos dispositivos móveis.

A previsão sobre os cursos de Harvard é provavelmente baseada no livre acesso que se pode ter a muitos materiais de cursos, não somente dessa universidade como de muitas outras, graças à política do "open courseware".

As universidades que  adotaram a prática colocam na Internet todo o material dos cursos (filmes, apostilas, gravações de áudio e todos os outros materiais de apoio ao aluno). Infelizmente, isso nunca substituirá uma aula presencial – você pode ter acesso a tudo mas não poderá fazer perguntas nem tirar dúvidas – e nem vai proporcionar um certificado de conclusão de qualquer dos cursos, por mais que você tenha entendido e praticado o que aprendeu.

Além disso, Saylor se esquece de que a maior parte do mundo não fala inglês, e que apenas uma parcela muito, mas muito pequena mesmo da população conseguirá aproveitar essa vantagem.

Isso é  diferente, no entanto, da possibilidade de carregar dinheiro sob a forma de bits num celular, outra inovação dos smartphones. O celular vai funcionar como se fosse um cartão de débito (ou de crédito) com chip: será um instrumento para transações eletrônicas – que,  mesmo se for furtado,  não revelará o conteúdo de sua "carteira" eletrônica. Isso já está sendo experimentado com populações de baixa renda na África, onde possuir  um celular carregado com algum valor monetário representa um meio de "inclusão bancária".

Mas é nos cuidados com a saúde que estão grandes expectativas do autor de Mobile  e também da associação GSM: dezenas de dispositivos de monitoramento de condições de saúde estão prontos ou em desenvolvimento para medir as mais variadas condições do corpo humano. Por meio da comunicação de dados, os aparelhos  poderão alertar médicos, postos de saúde e aos  parentes do paciente caso haja a necessidade de enviar-lhe  socorro ou algum tipo de suporte.

Já nos automóveis, um dispositivo móvel embutido tem condições de monitorar as condições de segurança do veículo – como se fosse a "caixa preta" de um avião – e enviar informações às autoridades no caso de haver um acidente, solicitando os primeiros socorros.

Paulo Brito é jornalista, graduado em Economia e mestre em Comunicação e Semiótica

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