Wed05232012

Atualizado em:03:09:19 AM GMT

FHC e Serra: fogo amigo. E de grosso calibre

 

O momento é oportuno para perguntar a José Serra por qual partido ele pretende ser  candidato à Presidência da República em 2014. Até seu aliado nº 1, Fernando Henrique,  com quem manteve inclusive uma relação de aluno e professor, está entregando de bandeja a legenda presidencial do PSDB a Aécio Neves.
 
O ex-presidente defende a  tese de que o senador mineiro sabe agregar mais do que Serra, atraindo mais apoios de  outros partidos importantes.
 
Serra deve ter-se sentido machucado com as considerações  do ex-presidente, de que não soube promover alianças nas eleições de 2010, quando foi  derrotado pela petista Dilma Rousseff. 
 
FHC acusa Serra de ter-se isolado na campanha.  Fernando Henrique, contudo, comete um erro primário: Serra não perdeu a eleição por  ter-se isolado na campanha. Ele foi derrotado porque Dilma Rousseff contou com o  apoio decisivo de Lula, que deixou o governo com cerca de 80% de índice de   aprovação. 
 
Até prova em contrário, Serra parece não ter sentido o golpe, não admitindo ficar sem  tentar uma terceira candidatura presidencial em 2014, por entender que dispõe de forte  cacife eleitoral, com o testemunho de 44 milhões de votos conquistados nas eleições de  2010. 
 
Disputar uma nova eleição para a Prefeitura, como sugere o governador Geraldo  Alckmin, nem pensar. O projeto político de Serra tem caráter nacional e não municipal.  
 
Tucanos paulistas fizeram outra leitura das palavras de Fernando Henrique. Para eles, o ex-presidente está forçando Serra a se candidatar à sucessão de Gilberto Kassab. Há   quem entenda que Serra não tem melhor opção, a não ser a candidatura a prefeito, se  Aécio Neves for consagrado antecipadamente como candidato do partido ao Palácio do Planalto.  
 
Detalhe: Serra está sem mandato e pode continuar assim por mais tempo, porque em   2014 não poderá tentar, por exemplo, o governo do Estado, uma vez que Geraldo   Alckmin consolidou sua candidatura à reeleição. Restaria a Serra concorrer à vaga que   se abrirá no Senado com o término do mandato do petista Eduardo Suplicy, mas que já   anunciou ser  candidato à reeleição. 
 
Apesar do momento ser desfavorável, Serra não admitiu até hoje trocar de partido. Ele  é um dos fundadores do PSDB, juntamente com Mário Covas, Fernando Henrique e  Franco Montoro. Mas estão tentando fechar as portas para ele no PSDB, embora o  presidente do partido, Sérgio Guerra, tenha dito que concorda em realizar prévias  para a indicação do próximo candidato tucano ao Planalto. 
 
Por enquanto, o partido tem como postulantes à legenda somente José Serra e Aécio Neves.  Mesmo provocado, Serra não quis se estender em resposta às declarações de FHC, a  quem ainda chama de "meu amigo".
 
Mas dois de seus principais aliados não fecharam  o bico, o ex-vice-governador Alberto Goldman e o senador Aloísio Nunes Ferreira.   Para Goldman, não basta ser mais agregador: é preciso que o candidato tenha mais  capacidade para superar os problema do País.
 
Aloísio Nunes lembra que o partido  ainda está longe de ter candidato. 
 
O mesmo sentimento tem Geraldo Alckmin, que  considera "muito prematuro" falar hoje em candidatura ao Palácio do Planalto. 
 
Até Aécio Neves, que foi quem mais se beneficiou com os movimentos de Fernando  Henrique, procurou dourar a pílula, lembrando que o partido ainda não escolheu seu  candidato. Foi além: disse que existem mais do que dois presidenciáveis no partido, mas  se esquivou de citar outros nomes. Aécio revela que é um mineiro manhoso, neto que  aprendeu a fazer política na escola do avô Tancredo Neves. 
 
Eymar Mascaro é jornalista e comentarista político This e-mail address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.
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