Uma história mal contada
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- Publicado em Quarta, 18 Janeiro 2012 20:26
- Escrito por Aristóteles Drummond
O Brasil efetivamente não sabe reconhecer as figuras que, através da história, se anteciparam a acontecimentos ou a movimentos legítimos. Leva fama quem fez o gol ou até quem tem a própria existência posta em dúvida, como são os casos de Zumbi dos Palmares e do escultor Aleijadinho, de documentação muito frágil com relação às versões de heroísmo ou genialidade.
No caso da abolição, inúmeros são os heróis conhecidos, sem retirar o mérito maior que, inegavelmente, foi da Princesa Isabel. Mas aparece pouco um pioneiro na defesa da abolição, mais de meio século antes do fato, que foi o patriarca José Bonifácio. Na questão dos índios, em que vivemos um momento de exaltação que beira o ridículo, pelo exagero, a primeira e sensata voz observando a proteção devida aos habitantes originais do Brasil foi a do poeta maranhense Gonçalves Dias.
Getúlio Vargas ainda não foi colocado no ponto de quem livrou o Brasil de envolvimento na guerra – entramos já no final com a disputa decidida – e nas lutas ideológicas radicais, que dividiam a maioria das nações.
A abertura econômica, que trouxe o progresso que vivemos, evitando um total vexame, deve-se ao presidente Fernando Collor. Mas, antes dele, Roberto Campos já defendia o modelo da China Nacionalista – Taiwan –, depois Singapura, Coreia do Sul e outros países dos denominados "tigres asiáticos". E lembremos o general Albuquerque Lima, que implantou a Zona Franca de Manaus, no governo Costa e Silva, e que poderia ter se desdobrado em outras.
No governo Sarney, ocorreu a última tentativa das Zonas de Processamento para Exportação (ZPE), sonho
do seu ministro da Indústria e do Comércio, José Hugo Castelo Branco. Agora, o modelo tucano-petista de exportar produtos primários é exaltado, enquanto os manufaturados perdem a importância que ganharam
no tempo de Delfim Netto.
Os programas sociais, colocados em prática nos governos petistas, foram criados no governo do Distrito Federal, na administração Cristóvam Buarque. E ideias modernas, como o uso de vagas na rede privada para bolsistas, gestão direta das escolas das verbas de manutenção, criação de polos de excelência, em Brasília, devem-se ao governador Joaquim Roriz, de quem se fala mal – mas não se reconhece que não se governa quatro vezes uma unidade da federação sem méritos.
Brasília quis renovar e colocou um nome desqualificado, como José Arruda – e, pelo que parece, depois de tudo que se viu, a emenda saiu pior do que o soneto, pois o atual não difere muito do anterior. Roriz, ao menos, teve o que mostrar.
Este ano, que será mesmo de crise por todo lado, pode apresentar a conta da política externa equivocada, com hostilidades aos nossos melhores aliados e tolerância com o atraso latino do velho e corrupto caudilhismo populista. Temos de conhecer melhora nossa história.
Aristóteles Drummond é jornalista e vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro.
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