Thu05232013

Atualizado em:02:22:19 AM GMT

Haverá sempre moicanos

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Nada na vida do "Dr.Ruy" foi fácil. Até aí, nada de mais. Nada na vida de ninguém é fácil. A diferença estava no modo como ele lidava com essa circunstância. 
 
Seja porque tenha tido de se haver com a dor física mais cedo do que esse aprendizado se impõe à maioria dos mortais, seja porque já nasceu navegando longe da costa, exposto aos ventos e ás tempestades do mar sem fim da História sem nunca ter posto os pés em terra muito firme, o fato é que jamais se manifestaram nele nem o medo da instabilidade nem a ânsia das vitórias pequenas que atormentam os que acreditam ter sempre algo de muito importante a perder. 
 
O "eu" nunca foi sua referência.
 
"Dr.Ruy" foi abençoado com aquilo que a ninguém é dado escolher. Não enxergava o que era (moralmente) pequeno. Não olhava para a vida de dentro de si mesmo; olhava para si mesmo de dentro do vasto todo que é a vida e com a serenidade de quem tem a consciência exata da proporção relativa das coisas.

O menor espião do mundo

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A viagem de trem entre Princeton e Nova York é feita em menos de uma hora. Naquela tarde de domingo, no entanto, o trem ia quase vazio e silencioso, de modo que as duas vozes com sotaque alemão ouvidas ali impediam os poucos passageiros de ler em paz o suplemento de arte e lazer do New York Times, ou de cochilar sob o  sopro leve do ar condicionado do vagão. 
 
Nas estações e antes do chamado estridente do  all aboard, as vozes se destacavam e uma delas falava claramente do mais perfeito espião que o FBI havia inventado no seu pouco mais de um século de vida. "Com um milhão desses agentes", dizia a voz masculina mais grave, "não haverá mais segredos no mundo". 
 
A outra voz, sem dúvida feminina, fazia eufórica uma pergunta: "E haverá um modo de combater esse agente?". Depois de um silêncio veio a resposta e logo em seguida explodiu no trem uma dupla risada: "Talvez um bom inseticida".