Barcelona: o último olé
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- Publicado em Domingo, 25 Setembro 2011 21:30
- Escrito por Agências
Mais de 18 mil pessoas lotaram ontem a arena Monumental de Barcelona para ver a última tourada da história da Cataluña, que reuniu os "matadores" Juan Mora, José Tomás (foto – ele se aposentou em 2002, mas faz raras aparições desde 2007) e Serafín Marín. A tourada encerrou um capítulo de quase 100 anos na arena La Monumental, que abriu suas portas em 1914 e não poderá mais exibir este tipo de espetáculo por decisão do Parlamento regional catalão.
Simbolicamente, foi o jovem toureiro catalão Serafín Marín, 28 anos, que deu o golpe de misericórdia no último touro a morrer na arena de Barcelona.
"Me sinto mal, triste. Levam parte do meu passado e parte do meu futuro", declarou Serafín Marín antes da corrida. "Estou proibido de exercer minha profissão. Passo de toureiro em minhas terras a clandestino de toureiro. Terei que partir".
Cristóbal, 68 anos, sentado na arquibancada para ver a última torada, afirmou que "para uma capital como Barcelona, fechar a arena é como jogar um quadro de Picasso no lixo".
Os ingressos para a última tourada, com preços entre 24 e 135 euros, se esgotaram em poucos minutos na terça-feira – e no câmbio negro chegaram a 1.500 euros.
Seis touros da fazenda El Pilar de Salamanca estavam previstos para a corrida, mas os matadores ofereceram ao público mais dois animais.
Os defensores dos animais celebraram o fim de uma prática considerada "bárbara". "É um pequeno passo, mas não aceito que os touros que morriam aqui agora vão cair no resto da península ou na França", disse Lluis Villacorta, 47 anos, defensor dos animais e ativista contra as touradas.
A proibição aprovada pelos deputados em julho de 2010 afeta uma Cataluña cada vez menos voltada às touradas..
A lei regional que proíbe a tradição secular das touradas – que coloca um "matador" armado com uma espada em trajes brilhantes e capa vermelha contra um touro enfurecido –, foi criada depois que os catalães assinaram uma petição.
O setor das touradas ainda acredita que tem uma chance de derrubar a proibição e trazer na próxima temporada os "toros" de volta para a Catalunha, a única região da Espanha que proibiu o esporte – ou a arte, como seus fãs a enxergam.
"Acho que os políticos vão pensar duas vezes sobre a proibição e a tourada vai continuar. E graças a Deus, porque a Catalunha tem muitos fãs de touradas e em um país democrático eles deveriam poder ir a uma tourada", disse Moisés Fraile, de 64 anos, proprietário do El Pilar.




