Rússia sobe o tom contra Assad
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- Publicado em Segunda, 28 Maio 2012 21:53
- Escrito por Agências
O massacre de 108 pessoas ocorrido na Síria na sexta-feira tornou-se ontem um potencial ponto de mudança para a crise no país, fazendo até mesmo com que a Rússia, fiel aliada síria, se pronunciasse de forma dura contra o regime do presidente Bashar al-Assad.
Analistas disseram que Moscou pode estar advertindo Assad de que ele precisa mudar o curso ou vai perder o apoio do Kremlin, extremamente importante na proteção do regime de Damasco durante todo o levante, iniciado em março de 2011.
A Rússia tem criticado cada vez mais o regime sírio nos últimos meses, mas os últimos comentários do ministro de Relações Exteriores, Sergey Lavrov, foram incomumente mais fortes.
Embora tenha dito que forças opositoras incluam terroristas, Lavrov responsabilizou principalmente o governo de Assad pelas mortes ocorridas nos últimos 15 meses.
"O governo tem a principal responsabilidade pelo que está acontecendo", disse Lavrov em Moscou, após uma reunião com o secretário de Relações Exteriores britânico, William Hague. "Qualquer governo de qualquer país tem responsabilidade pela segurança de seus cidadãos."
Ele disse que a Rússia não tem interesse em sustentar o regime de Assad, mas quer sim que a Síria siga sua própria transição de acordo com o plano apresentado pelo enviado especial das Organizações das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan. "Nós não apoiamos o governo sírio, nós apoiamos o plano de Annan."
Alexei Malashenko, especialista em Oriente Médio do Centro Carnegie em Moscou, disse que os comentários de Lavrov sugerem que a Rússia pode estar recuando de seu antigo apoio a Damasco. "Assad está colocando a si mesmo e a Rússia de lado. Definitivamente, Bashar percebeu que pode perder a simpatia da Rússia e pode recuar um pouco."
Outro massacre – Annan chegou ontem a Damasco dizendo estar "horrorizado com o terrível massacre" em Houla. Também ontem, ativistas sírios relataram que as forças de Assad mataram pelo menos 41 pessoas, incluindo oito crianças, durante ataques de artilharia nas últimas 24 horas contra a cidade de Hama.
O ministro Antonio Patriota (Relações Exteriores) afirmou que o Brasil está "preocupado" diante do massacre em Houla e disse que os observadores das Nações Unidas devem apurar o episódio.
A Síria nega as acusações de que suas forças sejam responsáveis pelas mortes.






