Wed05232012

Atualizado em:03:09:19 AM GMT

Fora de controle

Um trem cheio de passageiros bateu na movimentada estação ferroviária Once, em Buenos Aires, no horário de pico da manhã de ontem, deixando pelo menos 49 mortos e 676 feridos, disseram autoridades. Horas após o acidente, familiares de passageiros continuavam sua peregrinação para descobrir o paradeiro de seus entes queridos, que não apareciam nas listas de centenas de feridos levados para 13 hospitais da cidade. Não há uma lista oficial de mortos nem de desaparecidos.

O acidente ocorreu às 8h32 (9h32, de Brasília), quando o trem da linha Sarmiento proveniente de Moreno, periferia de Buenos Aires, entrou na estação e não conseguiu parar. O trem, que ia a uma velocidade de cerca de 25 km/h, chocou-se contra a barreira de proteção no final da plataforma, produzindo um dos acidentes ferroviários mais graves da história do país. Cerca de 1.200 a 1.500 pessoas estavam no trem

A estação Once é a mais importante do centro da cidade, mas distante do roteiro turístico tradicional.

Passageiros relataram caos e pânico depois que o impacto da colisão fez com que o segundo vagão atropelasse o primeiro, deixando dezenas de pessoas presas.

"De repente formos surpreendidos por uma explosão e nós literalmente voamos pelo ar ... havia muitas pessoas jogadas no chão, feridas, sangrando", disse à TV local um passageiro que usava um colar cervical e se identificou como Fabio. "O trem (carro) ficou incrustado dentro do outro ... os bancos sumiram, eles desapareceram, e as pessoas estavam pulando pela janela", disse o jovem.

Resgate - Mais de cem ambulâncias e dois helicópteros participaram dos trabalhos de resgate para levar os feridos aos hospitais. Equipes trabalharam por mais de quatro horas na estação e tiveram que cortar os tetos dos vagões para retirar as vítimas. Cerca de 130 passageiros ficaram presos entre as ferragens dos primeiros vagões.

As equipes de resgate improvisaram uma sala de emergência em plena estação para organizar o transporte dos feridos. Muitos receberam primeiros socorros no próprio local.

"Há amputados, mortos, feridos no tórax, feridos graves, de tudo que vocês podem imaginar", desabafou o diretor do Sistema de Atenção Médica de Emergências (Same), Alberto Crescenti.

O consulado do Brasil na capital argentina informou que não havia notícia de brasileiros mortos, mas a identificação das vítimas não havia sido concluída ontem.

Apesar dos esforços das autoridades para evitar tumultos, centenas de familiares dos passageiros fizeram uma dolorosa peregrinação pelos diversos hospitais de Buenos Aires para localizar parentes.

Para ajudar essas pessoas, as autoridades colocaram no local do acidente listas com os nomes dos feridos e dos hospitais aos quais foram conduzidos.

Os corpos são progressivamente conduzidos ao necrotério judicial, enquanto a maioria dos feridos já recebeu alta, embora centenas permaneçam ainda internados nos hospitais da cidade, que se mantêm em estado de alerta.

Causas - Autoridades apontaram a possibilidade de uma falha nos freios como causa do acidente, mas esperam o depoimento do maquinista, que está em terapia intensiva, para esclarecer as circunstâncias em que ele ocorreu.

Segundo a Secretaria de Transportes, houve uma tentativa de frear, registrada pelo aparelho de GPS do trem, mas algo teria ocorrido "nos últimos 40 metros" que impediu a finalização do processo.

Líderes do sindicato ferroviário apressaram-se em denunciar que o veículo acidentado é um Toshiba importado há pelo menos 40 anos e denunciaram a deterioração do sistema de trens argentino por falta de investimentos e manutenção.

O estado de conservação e a qualidade dos serviços de trens em Buenos Aires são objetos de críticas há anos.

Na Argentina, o governo arca com parte dos custos das viagens de trens e ônibus. O novo governo de Cristina Kirchner já cancelou boa parte dos subsídios à eletricidade e à água, mas resiste a terminar com os de transportes, temendo o custo político.

A oposição diz que os subsídios às empresas as libera de fazer as melhorias necessárias nos veículos, o que estaria por trás do alto número de acidentes ocorridos recentemente. Nos últimos 12 meses, houve pelo menos quatro choques fatais entre trens na cidade. 

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