Homs, a ponto de desmoronar
- Detalhes
- Publicado em Quarta, 22 Fevereiro 2012 21:56
- Escrito por Agências
As forças do presidente sírio, Bashar al-Assad, intensificaram os ataques ontem à cidade de Homs, na tentativa de forçar a submissão do reduto opositor. Pelo menos 19 pessoas morreram, incluindo dois jornalistas ocidentais (leia mais ao lado), provocando clamor internacional a favor de uma intervenção que acabe com o derramamento de sangue. Centenas de pessoas foram assassinadas em bombardeios diários contra Homs pelas forças de Assad que cercam a cidade desde o dia 3 de fevereiro, aumentando os temores de que Assad submeta Homs à mesma devastação infligida por seu pai à cidade rebelde de Hama 30 anos atrás, que deixou mais de 10.000 mortos.
A Cruz Vermelha pediu cessar-fogo diários para permitir que a ajuda chegasse aos moradores que estão perto da inanição, sobrevivendo de água da chuva, e amedrontados demais para sair de suas casas.
No total, 65 pessoas foram mortas em todo o país, já que o regime de Assad intensificou os ataques contra bases rebeldes em outras partes do país.
Autoridades dos EUA disseram que novas táticas podem ser exploradas se Assad continuar a desafiar a pressão para conter violência que já dura 11 meses. O assunto pode dominar as conversas dos "Amigos da Síria" em Túnis na próxima sexta-feira, onde a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, se reúne com autoridades e grupos de 70 países.

Risco (e paixão) do ofício
Dois jornalistas ocidentais morreram ontem durante um bombardeio das forças sírias em Homs, no centro do país. A norte-americana Marie Colvin, repórter do jornal britânico Sunday Times, e Rémi Ochlik, francês que fotografava para a revista Paris Match, estavam em um centro de imprensa improvisado no bairro de Baba Amr, que há semanas está sitiado por tropas.
Ambos eram experientes em conflitos, com atuação em guerras e revoltas no Oriente Médio e África.
Marie, nascida em Oyster Bay, Nova York, tinha 55 anos e era uma veterana correspondente de guerra. Ela foi reconhecida por um tapa-olho usado desde que sofreu ferimentos durante o conflito no Sri Lanka em 2001 e que simbolizava seu compromisso com o jornalismo.
Em janeiro, Ochlik, que tinha 28 anos, recebeu um dos mais importantes prêmios internacionais de fotografia, o World Press Photo, por uma série de imagens feitas em março do ano passado durante conflitos na Líbia.
Sete ativistas e outros dois jornalistas foram feridos durante o ataque. Especula-se que sejam o fotógrafo britânico Paul Conroy, que trabalhava com Marie, e a repórter francesa Edith Bouvier, do jornal Le Figaro.
Alvo - A inteligência do Líbano disse ter interceptado conversas pelo rádio entre soldados sírios que revelariam que foram dadas ordens de bombardeio ao local onde estavam os jornalistas.
O regime sírio, porém, negou a acusação, dizendo que não sabia da presença dos jornalistas em Homs.




