Thu05232013

Atualizado em:09:38:29 PM GMT

Dia de faxina em Londres. E pânico no norte do país.

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A Inglaterra viveu na noite de ontem a quarta madrugada consecutiva de tumultos, saques, incêndios e choques entre a polícia e jovens de periferia nas principais cidades. Londres permaneceu em alerta com 16 mil policiais pelas ruas – 10 mil a mais que na noite anterior –, enquanto os distúrbios se estenderam ao norte para cidades como Manchester e Birmingham.

Os primeiros focos de violência na noite de ontem aconteceram em cidades da periferia de Birmingham, como West Bromwich e Wolverhampton, e de Manchester, como Salford.
O centro de Manchester também testemunhou o confronto de quase 2 mil jovens com a polícia, além de saques e incêndios de lojas, o que provocou a paralisação do serviço do bonde.
 
 
 
Em Birmingham, segunda cidade mais populosa do país, houve distúrbios pelo segundo dia consecutivo, com grupos de jovens assaltando lojas e enfrentando a polícia.
Já Nottingham, no centro do país, teve uma delegacia incendiada por um grupo de aproximadamente 30 jovens.
 
Com o reforço policial, Londres viveu uma noite de calma mas tensão, em contraste com a noite anterior, quando 6 mil agentes não puderam evitar uma série de saques e incêndios por toda a cidade.
 
Ataques pontuais aconteceram em bairros centrais, como Notting Hill e Camden Town. Em Clapham Junction, Ealing, Hackney e Walthamstow, nas imediações da capital, prédios foram destruídos e saqueados.
 
A Sony disse que um incêndio atingiu seu centro de distribuição perto de Enfield, no norte da cidade, danificando DVDs e outros produtos.
 
A polícia de Londres já deteve 685 pessoas. Um homem de 26 anos morreu baleado em Croydon, na zona sul. Foi a primeira vítima fatal dos distúrbios.
 

Tensão - Durante todo o dia, os londrinos mostravam um misto de indignação e medo de uma nova onda de ataques. Lojas nas zonas norte e sul fecharam mais cedo por temor de saques, funcionários foram dispensados e muitas pessoas preferiram ficar em casa. 
 
Outras pessoas decidiram reagir à violência de forma pacífica. Reunidos em "brigadas", moradores das regiões atingidas pelos distúrbios foram às ruas armados de vassouras, baldes e sacos de lixo para "limpar a bagunça" e retomar a vida normal.
 
Muitos estavam indignados e cobraram as autoridades e a polícia, que foi incapaz de impedir a violência cometida por jovens, que começou no sábado. 
 
O prefeito de Londres, Boris Johnson, que interrompeu suas férias, ouviu aplausos e gritos para renunciar enquanto visitava Clapham Junction, no sul, onde vitrines foram destruídas, lojas saqueadas e um prédio incendiado na segunda-feira. 
 
"Onde estava a polícia?", gritavam os moradores. Segundo eles, a violência durou duas horas e só no final apareceram alguns policiais. O vice-premiê britânico, Nick Clegg, foi vaiado em Birmingham. 
 
O primeiro-ministro David Cameron, que também interrompeu as férias e voltou a Londres, convocou o Parlamento para uma sessão extraordinária hoje e insistiu que os "criminosos responsáveis pela violência serão presos e processados". 
 
Inocência - As críticas à atuação de Cameron e da polícia aumentaram ontem depois que a corregedoria da polícia britânica informou que Mark Duggan, o suposto traficante morto pela polícia em Tottenham no sábado, ocasionando as primeiras revoltas, não havia atirado nos agentes, conforme a versão dos policiais. "Não há evidências de que a arma encontrada na cena do crime tenha sido de fato disparada", afirmou Rachel Cerfontyne, a investigadora da corregedoria.
 
Extrema direita vai às ruas para 'deter' tumultos
 

O líder de um grupo britânico de extrema direita anunciou  ontem que mil integrantes de sua organização sairão às ruas com a intenção de "deter" os distúrbios que tomaram conta de várias cidades inglesas.
 
Stephen Lennon, líder da Liga da Defesa Inglesa, disse à Associated Press sairia às ruas de Luton, onde fica a sede do grupo, e outras partes do país afetadas pelos tumultos.
 "Nós vamos acabar com os distúrbios. A polícia obviamente não tem capacidade de lidar com isso", disse Lennon.
 
O grupo foi recentemente mencionado como uma das inspirações de Anders Behring Breivik, o autor confesso do duplo ataque na Noruega em 22 de julho.

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