País tem 30% das escolas em ‘alerta’
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- Publicado em Segunda, 20 Agosto 2012 11:36
- Escrito por AE
A rede pública de São Paulo teve em 2011 a 3.ª melhor nota do País no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) no ciclo 2 do ensino fundamental, de 5ª à 8ª série, mas 30% de suas escolas estão estacionadas, em estado de alerta: não avançaram na nota, não bateram suas metas e não chegaram ao Ideb 6 - a meta do País para 2021.
O porcentual paulista é igual ao do Brasil. No País, 30% das escolas dessa fase também estão em alerta. Nas unidades de 1.ª à 4.ª série, o quadro é um pouco melhor: são 20% nessa situação.
A classificação em níveis qualitativos, recém-criada pela Meritt Informação Educacional, oferece uma leitura mais adequada da qualidade das escolas brasileiras.
“Precisamos comparar escolas com elas mesmas. Ter duas escolas com a mesma nota, por exemplo, não significa que estão na mesma situação”, explica o diretor da Meritt Alexandre Oliveira.
Por isso, o método cruza três critérios da evolução das escolas para entender melhor os dados do Ideb: crescimento no índice, cumprimento das metas para o ano e o Ideb 6. A combinação desses critérios coloca as escolas em determinado nível qualitativo.
A divisão funciona assim: caso a escola não tenha cumprido nenhum dos critérios, a situação é de alerta. Se pelo menos dois dos critérios foram cumpridos, a situação é de atenção.
Ter evoluído com a nota e ficado acima da meta, mesmo que abaixo de 6, é positivo e recebe a classificação manter.
Na classificação excelente estão as escolas que cumpriram todos os critérios.
A distribuição das escolas entre os níveis mostra grandes desafios, principalmente na fase 2 do ensino fundamental. Nas escolas de 5ª à 8ª série, além de 30% em alerta, 7.584 estão em atenção. Ou seja, só evoluíram em um ou dois critérios. Dessas escolas, metade só cumpriu a meta para aquele ano - sem evoluir.
No ciclo 1 do fundamental, de 1ª à 4ª série, há 27% das escolas no nível de atenção - além dos 20% em alerta. A boa notícia é que 43% das escolas (15.322 unidades) conseguiram crescer no Ideb e bater suas metas.
Apenas 21 unidades crescem acima de meta para 2021
Apenas 21 escolas de 5.ª à 8.ª séries de todo o Brasil podem ser classificadas como Excelentes, segundo a metodologia da Meritt. Isso significa que apenas 0,1% das unidades de ensino desta fase cresceram no Ideb, ficaram acima da meta e também com nota superior a 6, o objetivo do País.
No primeiro ciclo, de 1.ª à 4.ª série, a situação é bem melhor. Há no Brasil 3.840 escolas com nível Excelentes, o que representa 11% do total.
A separação por nível não significa dizer que a escola é de excelência no aprendizado, mas, sim, que ela tem feito um ótimo trabalho. Além disso, segundo Alexandre Oliveira, da Meritt, cria uma pressão boa para que escolas continuem evoluindo. “O que uma escola que avançou na nota, está acima de seis, deve fazer? Ela deve subir ainda mais”, diz.
Além de pressionar as escolas a manterem um comportamento de contínua melhoria, essa classificação expõe escolas, cidades e municípios que se valem do tímido cálculo para evolução das metas.
Quando o Ideb foi criado, em 2007, as metas até 2021 já foram traçadas para as escolas, cidades, Estados e para o Brasil. Mas elas também variam entre si. Apesar da meta para o Brasil como um todo ser 6, a meta da rede pública, por exemplo, é de 5,7 para 2021. “E essa nota 6 é a média que os países ricos tinham em 2007, quando foi criado o Ideb”, completa Oliveira.
Como as metas não são recalculadas a cada edição, algumas escolas, Estados e municípios ficam acima desse parâmetro sem obter nenhum avanço. A Escola de Aplicação da USP, em São Paulo, por exemplo, aparece em primeiro no Estado, com nota acima da meta, mas apresentou queda no Ideb entre 2009 e 2011.




