Thu05232013

Atualizado em:04:53:45 PM GMT

Libertadores é timão

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Invicto, sob uma lua cheia de São Jorge, o Corinthians do técnico Tite conquistou a América pela primeira vez. Num Pacaembu completamente lotado, 'pintado' de preto e branco, o Timão derrotou o argentino Boca Juniors por 2 a 0 (dois gols de Emerson) e ficou com a Taça Libertadores da América. 

Ao conquistar o título sul-americano em sua décima tentativa, o Corinthians se iguala aos seus rivais São Paulo, Santos e Palmeiras e também a Cruzeiro, Flamengo, Vasco, Grêmio e Internacional como os brasileiros campeões da Libertadores. Mais importante, quebra a sina de não ter troféus continentais – e de forma invicta, algo que ninguém conseguia desde 1978.

Agora, o Timão tem compromisso entre os dias 6 e 16 de dezembro. É o Mundial de Clubes, a ser jogado no Japão. Em busca do bicampeonato (venceu a edição de 2000, no Brasil), o time brasileiro já tem como adversários o mexicano Monterrey, o neozelandês Auckland City e o inglês Chelsea, campeão da Europa.

Os dois times começaram nervosos, fazendo muitas faltas (quatro em apenas três minutos). Logo aos quatro minutos, Chicão e Mouche levaram cartão amarelo. O primeiro chute a acertar o gol foi de Alex, que arriscou  de longe.

A primeira chance real de gol aconteceu aos 16 minutos. Emerson foi  à linha de fundo, e passou  por dois marcadores, mas Ledesma desviou  para escanteio. Nesse lance, o defensor do Boca  acertou a perna esquerda do goleiro Orión, que acabou precisando ser substituído por Sebastián Sosa (aos 34 minutos).

A essa altura, o time  argentino atacava mais, mas sem oferecer perigo. O Timão voltou a ter boa chance aos 37, num cruzamento de  Emerson pela esquerda que atravessou a defesa, mas a bola não chegou a Paulinho. Cinco minutos depois, Santiago Silva era 'amarelado' por uma cotovelada no  rosto de Castán. O árbitro colombiano Wilmar Roldan deus cinco minutos de acréscimo e o jogo seguiu amarrado. O Timão teve um pouco mais de posse de bola no primeiro tempo.

Delírio –  A Fiel recebeu o Corinthians com muita festa e nova bateria de fogos para o segundo tempo. A partida seguia truncada, até que, aos oito minutos, Emerson levou o Pacaembu ao delírio.  Alex bateu falta cometida por Riquelme, Jorge Henrique desvia de cabeça, em meio à confusão na área, Danilo tocou de calcanhar. Emerson matou no peito, girou e estufou a rede.

O Boca, sentiu o gol, mas teve de buscar mais o ataque. O jogo continou travado e pagado, com amarelos para Caruzzo (aos 10) e Jorge Henrique (aos 13). Aos 21, o técnico Julio Falcioni substituiu  Pablo Ledesma por  Darío Cvitanich. A equipe argentina não se acertava e as faltas se sucediam (amarelo para Castán aos 25).

Emerson 2 X 0 Boca – Aos 26, grande chance para o Boca: Riquelme bateu falta levantando a bola na área. Livre,  Mouche cabeceou e Cássio fez grande defesa. No minuto seguinte, nova explosão no Pacaembu. Schiavi errou e a bola sobrou  Emerson. Ele  arrancou, deixou  Caruzzo para trás e tocou  na saída de Sebastián Sosa. .

Daí para frente, o Timão dominou e ainda teve outra grande chance aos 38 minutos, quando uma cobrança de falta de Chicão, a bola passou raspando a trave direita de  Sosa. Tite mexeu no time aos 43, trocando  Alex por Souza. Na sequencia, substituiu Emerson por Liedson (46) e Jorge Henrique por  Wallace (47). Com três minutos de acréscimo, o árbitro encerrou a partida.

Antes de o jogo começar, a  Fiel não parava de cantar – fazendo do Pacaembu um caldeirão como o estádio La Bombonera, do Boca – e gritar os nomes dos jogadores, principlamente do goleiro Cássio. A Fiel seguiu apoiando o Timão durante todo o jogo. Os argentinos não se intimidadavam e exibiam exibe faixas e bandeiras. Fora do Pacaembu, a PM precisou jogar bombas de efeito moral para dispersar mais de cinco mil torcedores  que estariam sem ingressos.

Mais de 28 mil corintianos acompanharam o jogo nos dois telões instalados no Sambódromo do Anhembi.

 

As lições do mestre e desabafo do heroi

 

O técnico Tite, 51 anos, escreve seu nome definitivamente entre os principais treinadores do Brasil com o título do Corinthians na Copa Libertadores. Além da importância natural da conquista, ele será lembrado para sempre por ser um dos responsáveis por acabar com um dos maiores fantasmas do futebol brasileiro, já que o torneio continental era o principal sonho da torcida corintiana.

Com a conquista de ontem, Tite entra para o 'clube' de técnicos como Luiz Felipe Scolari, Muricy Ramalho e Abel Braga. Para se ter uma ideia da dificuldade de ganhar uma Libertadores, Vanderlei Luxemburgo, um dos principais treinadores brasileiros dos últimos tempos, jamais a venceu.

E Tite é, sim, um dos grandes causadores desta vitória. Chamado de retranqueiro em muitas oportunidades, foi ele quem imprimiu o estilo marcador a este Corinthians, que tem justamente em sua defesa a maior virtude. A invencibilidade ao longo dos 14 jogos da competição só foi conquistada graças à consistência dada pelo esquema de jogo do treinador.

Na equipe de Tite, todos têm alguma função defensiva, principalmente se levarmos em conta a formação que terminou o torneio como titular. Jorge Henrique e Emerson eram os dois atacantes, no esquema 4-4-2, mas não era raro vê-los defendendo, marcando os laterais. Foi desta forma, também, que o treinador garantiu uma defesa quase intransponíve.l Na fase de grupos, por exemplo, foram apenas dois gols sofridos em seis partidas.

Depois, o desabafo – O atacante Emerson, 33, autor dos gols da vitória do Corinthians sobre o Boca que decretou o primeiro título da Libertadores na história do Corinthians, desabafou ao final do jogo: "Há um ano, me tiraram de um lugar por uma coisa que eu não fiz. Vocês erraram comigo, e hoje eu sou campeão da Libertadores." Ele referia-se à diretoria do Fluminense, que o dispensou sob alegação de indisciplina durante a Libertadores de 2011. A acusação era de que Emerson teria cantado músicas em homenagem ao Flamengo, rival do Flu, no ônibus da equipe carioca. 

 

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