Wed05222013

Atualizado em:03:11:26 AM GMT

Agora é no Rio

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A Olimpíada que consagrou o nadador norte-americano Michael Phelps como o mais vitorioso atleta de todos os tempos, se rendeu ao jamaicano Usain Bolt como o mais veloz habitante do planeta Terra e viu mais uma vez adiado o sonho brasileiro de um ouro no futebol é passado. Agora, o mundo do esporte já olha para o Rio-2016, a primeira edição de uma Olimpíada numa cidade sul-americana.

E os brasileiros olham os resultados de seus atletas em Londres com certa preocupação. Foram 17 medalhas, o maior número da história, mas apenas três ouros, tantos quanto em Atlanta-1996 e  em Pequim-2008, menos do que os cinco conquistados em Atenas-2004. Será que dá mesmo para acreditar na projeção feita pelo Comitê Olímpico Brasileiro de 30 medalhas, daqui a quatro anos, no Rio?

Para isso, a entidade aposta que metade dos pódios será obtido por esportes tradicionais do País: vela, judô, atletismo, basquete, vôlei, futebol. O restante viria com investimento pesado em esportes com potencial para um grande número de conquistas. O carro-chefe do Brasil daqui a quatro anos será o judô. "Nosso objetivo é sermos a maior potência do mundo no Rio", revela Ney Wilson, diretor técnico da equipe brasileira. "Vamos lutar para termos condições de brigar pelas 14 medalhas em jogo", disse, animado pela medalha de ouro e três de bronze conquistadas pelo judô brasileiro em Londres. Para alcançar esse objetivo ambicioso, o judô aposta na equipe, que, segundo os técnicos Luis Shinohara e Rosicleia Campos, é jovem e experiente. Sarah Menezes, Felipe Kitadai, Mayra Aguiar e Rafael Silva, medalhistas neste ano, são esperanças para o Rio.

Em  outros esportes, não faltam projetos. A natação feminina, por exemplo, terá um plano de urgência colocado em prática já nos próximos dias, segundo a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos. Uma equipe de jovens talentos vai se reunir para treinamento específico e participação em competições internacionais.

Outras modalidades serão fortemente incentivadas pelo COB em sua pretensão de duplicar o número de medalhas. O boxe é uma delas. Após quebrar em Londres o jejum de 44 anos sem pódio, os pugilistas sonham: "Vamos ter um caminho semelhante ao do judô", garante o técnico João Carlos, há 16 anos no comando da seleção brasileira. "Em Londres, tínhamos potencial para subir seis vezes ao pódio. No Rio, vamos brigar por medalhas nas 13 categorias (dez no masculino e três no feminino)."

No handebol, a honrosa participação do time feminino, perdendo nas quartas de final para a Noruega, campeã mundial e olímpica, criou a esperança de uma grande participação em 2016. O time masculino também ganhará incentivo maior nos próximos quatro anos.

O atletismo, que não rendeu uma medalha sequer em Londres, também terá investimento pesado para que um time forte possa competir em 2016. Atletas importantes como Maurren Maggi e Fabiana Murer deverão ser substituídas por novas promessas.

Para concretizar a previsão  de 30 medalhas no Rio de Janeiro, o COB aposta que metade será conquistada por esportes tradicionais do País. Em Londres, no entanto, apenas o judô, com quatro medalhas, e o vôlei, com outras quatro distribuídas por quadra e praia, fizeram a alegria dos brasileiros. O futebol feminino, pela primeira vez na história olímpica, não chegou sequer às semifinais. E o futebol masculino, depois de vencer os cinco primeiros jogos, voltou a perder uma final olímpica, como nos jogos de Los Angeles-1984 e Seul-2008, adiando mais uma vez o sonho do ouro olímpico, único título que ainda está faltando à Seleção cinco vezes campeã do mundo.

A derrota de Neymar, Oscar, Hulk, Marcelo, Thiago Silva e companhia, na final da competição  contra o México, surpreendeu até o presidente da Fifa, Joseph Blatter, que fez um involuntário alerta ao futebol brasileiro: "Não podemos esquecer que a equipe que estava em campo era a seleção nacional". Blatter pode até ter exagerado um pouco, mas tem uma boa dose de razão, pois a equipe que representou o Brasil em Londres é, pelo menos, a base da seleção principal. Há bons motivos, portanto, para que os dirigentes do futebol se preocupem com o futuro imediato, aquele que será jogado em campos brasileiros antes que a tocha olímpica aporte no Rio em 2016. Vêm aí a Copa das Confederações, no ano que vem, e principalmente a Copa do Mundo, em 2014.