Sat05252013

Atualizado em:03:15:45 PM GMT

Para ficar na história

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De um lado, o Santos, buscando igualar um recorde do Corinthians, com o terceiro tricampeonato estadual de sua história — que seria também o primeiro em São Paulo desde 1969, ano em que o próprio Alvinegro Praiano, ainda com Pelé, tornou-se  o último clube a alcançar tal feito. Do outro lado, o Guarani, que, apesar de ter sido campeão brasileiro em 1978, jamais conseguiu o título paulista. Essa é a final inédita que movimentará o futebol nos próximos dois domingos, com jogos que devem ser em Campinas e em Santos. Para chegar à decisão, os dois times tiveram que passar por tradicionais rivais e alcançaram o mesmo resultado: 3 a 1.

 No Morumbi, o craque Neymar, mais uma vez, desequilibrou, ao fazer  simplesmente os três gols que classificaram o Santos e eliminaram o São Paulo. Chegou, assim, aos 102 gols marcados com a camisa do clube e à liderança isolada da artilharia do campeonato, com 16 gols, contra 15 de Hernane, do Mogi Mirim. Willian José descontou para o Tricolor, quando a vantagem alvinegra já era de 2 a 0 desde o primeiro tempo.

Logo a um minuto de jogo, Arouca puxou um contra-ataque e lançou para Alan Kardec, que tentou driblar Paulo Miranda e foi calçado por baixo pelo zagueiro dentro da área. Na cobrança do pênalti, Neymar bateu no alto, no canto direito de Dênis, e marcou o primeiro. Aos 31, Rhodolfo tirou a bola, mas ela ficou com Ganso, que tocou rápido para Neymar. O atacante aproveitou a bobeada de Paulo Miranda na marcação, arrancou e tocou de pé esquerdo no canto de Dênis para marcar. Na comemoração, ao rodear a bandeirinha de escanteio, ele homenageou Juary, a quem Neymar alcançou na condição de 21º maior artilheiro da história do clube.

No segundo tempo, o São Paulo descontou aos 18 minutos, com Willian José, em posição irregular não marcada pela arbitragem. Mas o Santos chegou ao terceiro gol em uma infelicidade do goleiro Dênis. Léo tocou para Neymar, que girou sobre a marcação e bateu de fora da área, no meio do gol. O goleiro são-paulino tentou defender, mas espalmou contra o próprio gol: 3 a 1. Pouco depois, Cícero ainda foi expulso e acabou de vez com as chances de reação do São Paulo.

“O Santos está fazendo história.” Foi assim, com uma frase simples, entrecortada por risos de alegria pela classificação para a final do Paulistão, que Neymar definiu o jogo e a própria atuação no domingo. Companheiros de time, chefe e até seus adversários exaltaram a tarde inspirada do camisa 11 santista. Do técnico Muricy Ramalho, Neymar recebeu elogios rasgados e um conselho: “É difícil marca-lo. Só não quero que ele brigue com o adversário. Que ele drible os caras, mas nunca tentando menosprezar. Mas ele é um garoto humilde, e continua assim, o que é bom.” Do melhor amigo Ganso, mais confete: “Ele é matador, não tem jeito. Se deixar espaço para ele, ele faz, não tem jeito.” Uma das primeiras pessoas que o abordaram foi Emerson Leão. Com passos rápidos, o técnico são-paulino foi em direção ao carrasco de seu time e, por um instante, fez Neymar parar a comemoração para ouvi-lo. As palavras  ficaram só para o craque, mas não foram hostis. “O que ele disse vou guardar só para mim. Mas foram coisas boas.” Leão também não revelou o que exatamente disse para o atacante do Santos, mas deixou no ar um pedido e uma constatação: “Dei conselhos para ele. Tem que preservá-lo para a Copa de 2014. Ele está entre os dois melhores jogadores do mundo.” Lucas, ainda em campo, também exaltou o desempenho de Neymar como preponderante para a derrota de sua equipe: “Numa só jogada ele já decide. Está de parabéns.” Entre os companheiros de Santos, coube a Allan Kardec dar o tom de “jogo coletivo”. O atacante exaltou a qualidade individual do colega mais famoso, mas sem deixar de frisar a importância da força do time. “Nós sabemos que ele tem muito talento individual. Ele decide o jogo mesmo, mas tem também a importância do grupo. Ele decide a partida, mas é um grupo forte que é capaz de ganhar o campeonato.”

 Em um dos jogos mais importantes  em 100 anos de história do dérbi de Campinas, o Guarani derrotou a Ponte Preta por 3 a 1, de virada, em seu estádio, o Brinco de Ouro, e garantiu vaga na decisão do Campeonato Paulista pela segunda vez em sua história. A primeira foi em 1988, quando perdeu o título para o Corinthians, em Campinas, com um gol de Viola marcado já na prorrogação.

Já sem Fumagalli, um de seus principais jogadores, machucado e substituído por Medina durante o jogo, o Guarani sofreu o primeiro gol, marcado por Caio, para a Ponte Preta, aos 39 minutos do primeiro tempo. No segundo, o Guarani empatou aos 7, com Fábio Bahia, virou para 2 a 1 aos 22, com Medina, e ampliou aos 41, novamente com Medina.

Para o técnico do Guarani, Osvaldo Alvarez, o Santos é o grande favorito ao título. “É uma questão real, porque não há dúvida de que o Santos tem um elenco bem maior e melhor do que o Guarani. Mas até eles serem campeões, vão ter que nos superar nos dois jogos.” Vadão  continua invicto em dérbis, dirigindo tanto Ponte quanto Guarani. Agora são cinco vitórias e quatro empates. Um dos trunfos de seu time será disputar o primeiro jogo dentro do Estádio Brinco de Ouro, onde o aproveitamento no Paulistão é superior a 90%. Em 12 jogos, venceu 11 e perdeu apenas uma vez. Justamente para o Santos, por 2 a 0, dia 29 de fevereiro, pela 11ª rodada.