Nasce um guerreiro
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- Publicado em Domingo, 19 Fevereiro 2012 21:29
- Escrito por DC

“Foi uma boa semana para mim”. Assim Thomaz Bellucci definiu sua participação no Brasil Open, o principal torneio de tênis disputado no país. O melhor tenista nacional da atualidade foi até as semifinais e, mais do que isso, mostrou-se ao torcedor como um jogador que se entrega ao máximo e se supera em quadra – uma característica que o brasileiro adora, mas nunca fez parte do perfil de Bellucci.
O brasileiro se queixa e não concorda com o rótulo de “tenista frio”, que se abate com facilidade durante os jogos: “Acho que meu esforço talvez nunca vá ser o bastante para alguns, mas acho que isso é normal na nossa profissão”, disse. Mas é fato que na sua carreira são mais marcantes as derrotas de virada do que as vitórias depois de começar mal um jogo.
No sábado, a história foi diferente: com dores no tornozelo direito, Bellucci enfrentou dificuldades físicas desde o primeiro set na semifinal contra o italiano Filippo Volandri, mas se manteve em quadra e conseguiu vencer a primeira parcial. Depois, não resistiu e acabou superado por 2 sets a 1, parciais de 5/7, 6/0 e 6/2.
Mesmo assim, o Ibirapuera apoiou o brasileiro, assim como havia feito na sexta-feira, quando bateu o argentino Leonardo Mayer, também de virada, por 3/6, 6/2 e 7/5 – justamente o jogo em que se machucou. “Estava muito cansado, com dores pelo corpo todo, cãibras, e nem conseguia nem pensar direito”, afirmou Bellucci, que admitiu aumentar a carga de treinos físicos – outro problema que o acompanha desde o início da carreira. “Faço treinamento físico diário de três ou quatro horas, mas talvez não esteja sendo suficiente.”
Bellucci pode pagar caro pelo esforço: tentando se recuperar da lesão, desistiu do torneio de Buenos Aires, nesta semana, para chegar bem ao de Acapulco, no México, que começa no dia 27 e no qual defenderá 180 pontos no ranking mundial, por ter chegado às semifinais em 2011. O Brasil Open lhe rendeu 70 pontos, que não devem fazer muita diferença no ranking, mas ele sabe que os ganhos das boas exibições em casa (ele nasceu em Tietê, no interior, mas morou a vida toda em São Paulo) são incontáveis. “Espero que tenha terminado com uma imagem boa, de superação.”
O Brasil Open consagrou o espanhol Nicolas Almagro, que venceu na final deste domingo o italiano Filippo Volandri por 2 sets a 1 (6/3, 4/6 e 6/4) e se tornou o maior campeão do Brasil Open – já havia vencido em 2008 e 2011, na Costa do Sauípe.
A mudança fez bem a Almagro, que havia tido problemas com torcedores em participações anteriores no Sauípe, mas no Ibirapuera se mostrou simpático e ganhou vários aplausos do público. Ele comemorou o título vestindo uma camiseta na qual diz amar o Brasil. “Fiquei feliz de ver o ginásio cheio, sempre dá mais força para os jogadores ter um grande público como este.”
Aos brasileiros, restou comemorar o título de duplas, conquistado por Bruno Soares, em parceria com o norte-americano Eric Butorac. Na decisão, ele bateram outro brasileiro, André Sá, e o eslovaco Michal Mertinak, por 2 sets a 1 (3/6, 6/4 e 10/8).




