Tue05222012

Atualizado em:03:00:34 AM GMT

Previdência privada arrecada R$ 53,5 bilhões em depósitos

 

A previdência privada aberta fechou 2011 com arrecadação de R$ 53,5 bilhões em novos depósitos, registrando aumento de 16,3% ante 2010, de acordo com os dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) divulgados ontem. 
 
No ano passado, com a entrada de 1,3 milhão de pessoas físicas, o número de poupadores atingiu 7,2 milhões. Os planos individuais responderam por R$ 44,755 bilhões dos novos aportes, com expansão de 14,2% no período. 
 
"Temos ainda um grande contingente de poupadores ingressando no sistema, especialmente da classe C. Para esse público, estamos desenvolvendo produtos com tíquete médio menor e treinando a força de vendas para deixar claro que previdência é um produto financeiro de longo prazo", afirma Marco Antonio Rossi, presidente da entidade que reúne 65 sociedades seguradoras e 11 entidades abertas de previdência complementar no País. 
 
Os planos para menores também registraram crescimento no acumulado do ano, com alta de 24% e R$ 1,7 bilhão em contribuições. 
 
Nos planos empresariais, a arrecadação registrou aumento de 29,1% na comparação com 2010 e somou R$ 7 bilhões. Nesse intervalo, o número de contratos passou de 2,6 milhões para 2,9 milhões. 
 
"A previdência se tornou um diferencial importante nos pacotes de benefícios das empresas para atração e retenção de talentos", destaca o executivo. 
 
Na análise por tipo de plano, o VGBL, indicado para quem não declara Imposto de Renda (IR) pelo modelo completo, foi o produto com maior volume de arrecadação (R$ 43,3 bilhões), com crescimento de 18%. Já o PGBL totalizou R$ 6,9 bilhões, com acréscimo de 13,5%. 
 
INSS –  Para alcançar o corte prometido de R$ 55 bilhões nas despesas programadas para este ano, o governo terá de fazer o que não conseguiu no ano passado: reduzir as chamadas despesas obrigatórias. O governo estimou, por exemplo, que neste ano conseguirá diminuir os gastos em benefícios da Previdência Social em R$ 7,7 bilhões. Essa previsão causou ceticismo entre economistas que acompanham mais de perto a política fiscal. 
 
No ano passado, o governo também havia prometido reduzir a despesa previdenciária, em um valor menor: R$ 2 bilhões. Assim, os gastos seriam de R$ 276,4 bilhões. No entanto, dados do Tesouro Nacional mostram que o gasto efetivo com benefícios do INSS foi de R$ 284,1 bilhões no período. Ou seja, houve um aumento de R$ 7,7 bilhões. 
 
O reajuste do salário-mínimo é um dos fatores que levam economistas a não acreditarem nas contas feitas pelo governo. Em 2011, o mínimo, que tem forte impacto na conta da Previdência, foi corrigido em 6,8%. Em 2012, o reajuste foi de 14,1%. 
 
Os dados do governo apontam para um aumento nominal de 9,58% nos gastos previdenciários neste ano, informou o economista-chefe da corretora Convenção, Fernando Montero. Em 2011, o crescimento foi de 10,43%. Como isso é possível, levando-se em conta que em 2012 o reajuste do salário-mínimo foi maior, é o mistério. "A ministra Miriam Belchior descobriu que o mínimo não tem impacto na conta da Previdência", ironizou. 
 
A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, explicou que essa queda ocorre por causa da revisão de vários fatores utilizados para calcular as despesas da Previdência, como a redução, de 3,2% para 3,1%, da taxa de crescimento vegetativo dos pedidos de novos benefícios. 
 
O governo federal também cortou uma gordura que havia pelo fato de a projeção haver se baseado em um mínimo de R$ 623 e não de R$ 622. "As contas do governo têm premissas demais", comentou Montero.
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