Alegria brasileira inspira coleções
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- Publicado em Terça, 07 Fevereiro 2012 21:49
- Escrito por Fátima Lourenço
Se prevalecer o tom da quinta edição do Inspiramais – Salão de Design e Inovação de Componentes para o setor calçadista, a felicidade percorrerá a concepção da coleção de calçados brasileiros do Verão 2012-2013. Não é que o setor esteja alheio aos potenciais impactos da crise internacional, à agressividade comercial dos chineses, ou aos recentes entraves para se vender ao maior comprador internacional, a Argentina. "Queremos ver o que se fará para a frente. A proposta do salão é trazer ideias para se fazer coisas novas", justifica o presidente da Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal), Oséias Schroder.
O design, a inovação e a sustentabilidade estão, segundo ele, no foco do evento, como ferramentas para diferenciar, no mercado externo, a produção dos fabricantes locais de componentes – cerca de 300 exportadores, em um mercado formado por aproximadamente 2,5 mil empresas, majoritariamente de pequeno porte.
O impacto dos produtos chineses, explica Schroeder, aparece mais por causa da importação de calçados prontos. Quem fabrica sapato no Brasil, justifica, prefere comprar componentes aqui, devido à necessária rapidez na produção das coleções.
O olhar para o futuro, acrescenta o executivo, também tem a ver com a alegria do brasileiro, que percorre iniciativas da associação, criadas para inspirar o setor para o novo. "O mercado interno (de componentes) não está abalado pelas importações. Mas há forte ameaça da entrada da China", ressalva o presidente da Assintecal. Olhares diferenciados sobre a alegria local podem redundar em diferenciais para os componentes, aposta Schroeder.
No Salão, além dos produtos trazidos por expositores, como a Magma e Fiveltec, há inspirações resultantes de projetos realizados no âmbito da Assintecal. O "Referências Brasileiras", coordenado por Jeferson de Assis, por exemplo, sugere componentes observados no mobiliário indígena e no sertão da Paraíba. Além do Fórum de Inspirações, coordenado pelo estilista Walter Rodrigues, que apresenta no evento, várias leituras das regionalidades do País, traduzidas em cores e formatos diferenciados de componentes.
Convênio Apex – A abertura do Inspiramais marcou a renovação do convênio entre a Assintecal e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), representada pelo seu presidente Mauricio Borges. A parceria já envolveu, entre os anos 2000 e 2011, investimentos de R$ 41,5 milhões. Para a nova etapa a Apex destinará R$ 10 milhões e a Assintecal, outros R$ 2,5 milhões.
Segundo Borges, é momento de se ousar e aproveitar a boa exposição da marca Moda Brasil no exterior. O programa da Apex-Brasil com a Assintecal envolveu, até agora, 293 empresários locais, 1,5 mil importadores e resulta em exportações efetivadas por 135 empresas.
O incremento das vendas externas é apontado pelo presidente da Assintecal como prioridade para 2012. No ano passado, de acordo com Schroeder, essas transações movimentaram US$ 1,1 bilhão. A meta é contabilizar US$ 1,2 bilhões neste ano. Argentina, Guatemala (como plataforma para a América Central), China e Itália são mercados prioritários para as prospecções.
A Magma, uma das expositoras do Inspiramais, voltará a prospectar o mercado internacional a partir de 2013. "A exportação nunca passou de 3% do nosso faturamento", explica o sócio-diretor Fernando Vicory. Instalada no Brás há 30 anos, a empresa é especializada em acabamentos especiais para calçados e bolsas e há cerca de um ano investe na ampliação dos negócios com oferta de componentes também para o ramo de confecções. Vicory aposta em crescimento de pelo menos 10% em 2012.
Cada vez mais, segundo o presidente da Assintecal, os fabricantes do ramo diversificam a produção para integrar a cadeia envolvida no universo da moda. Alex Sanchez, da Viveltec, outro dos expositores da Inspiramais, engrossa esse grupo. Ele otimizou a produção da metalúrgica onde fabrica componentes para calçados com a produção de botões para confecções. Atualmente, segundo ele, a empresa, localizada em Birigui, trabalha com 20 mil itens e emprega 200 pessoas. "A concorrência é grande", atesta o empresário. Mas a meta é crescer pelo menos 20% em 2012, repetindo, nesse caso, o desempenho do ano passado. É só alegria!




