Tue05222012

Atualizado em:03:00:34 AM GMT

São Paulo tem espaço para novos hotéis

 

O caminho se abre para novos investimentos hoteleiros na cidade de São Paulo. Após um longo período de estagnação nesse segmento, ocasionado por uma superoferta de unidades habitacionais, a demanda começa a pressionar, sinalizando que o momento é oportuno para se levantar novos hotéis. Desde 2001, o único empreendimento expressivo na Capital paulista é a reforma completa do Ca’d’Oro, na Rua Augusta. Nesse período, a demanda cresceu em média 7% ao ano.
 
Esse movimento fez com que a taxa de ocupação média dos hotéis da cidade subisse de 50%, em 2001, para mais de 70%, em 2011. Naturalmente, nesse intervalo de tempo a diária média também foi elevada, dobrando de valor ao sair de R$ 100 para R$ 200. "Os preços das diárias subiram porque a oferta não acompanha mais a demanda, tanto nos hotéis econômicos quanto nos de luxo. É sinal de que o mercado ficou bom para novos investimentos", diz Diogo Canteras, sócio da Hotel Invest.
 
Oferta – Um levantamento de Canteras aponta que seria preciso disponibilizar 3.034 novas unidades habitacionais para equalizar a oferta à demanda na cidade. Esse número de unidades exigiria, por sua vez, a construção de 15 novos empreendimentos hoteleiros na cidade, considerando que cada um comportasse 200 apartamentos.
 
No entanto, a despeito do que os números indicam, não há nenhum novo projeto previsto para a Capital paulista para os próximos anos. "Temos várias incorporadoras sondando o mercado, mas nada concreto ainda", diz Canteras.
 
Isso ocorre porque o investidor do segmento hoteleiro tende a ser mais cauteloso, de acordo com Élida de Almeida, gerente de marketing da Hotelaria Brasil, empresa que realiza estudos de viabilidade econômica para o setor. "Não adianta construir um hotel tendo a Copa do Mundo em vista. O evento passa, mas o hotel vai ficar lá. Quem investe em hotel sabe que só terá retorno dentro de oito a dez anos. Por isso são cautelosos", diz a gerente de marketing.
 
Nesse contexto, vale lembrar que a superoferta de unidades habitacionais ocorrida na cidade no início dos anos 2000 fez com que muitos investidores – em especial os que apostaram em flat-hotel – perdessem dinheiro. A desvalorização nesse segmento chegou a 70%.
 
Cautela – Além da cautela, Élida aponta ainda que o mercado de hotelaria da cidade de São Paulo passa por uma readequação, o que também pode explicar a ausência de novos projetos. "Hotéis mais econômicos, de quatro estrelas, se aproximaram do padrão cinco estrelas para atender um público crescente de executivos que têm optado por eles", diz a gerente de marketing. "Claro que essa readequação não implicou no aumento das unidades habitacionais, que hoje se faz necessário", complementa Élida.  
 
No Brasil, a dinâmica é um pouco diferente. Embora exista carência significativa de unidades habitacionais – algo estimado em 20 mil quartos por ano para se acertar à demanda crescente –, há novos projetos de hotéis em andamento, e muitos deles estão inclusive no interior de São Paulo.
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