Tue05222012

Atualizado em:03:00:34 AM GMT

Leilão de aeroportos tem ágio médio de 347%

 

O resultado do leilão de privatização dos aeroportos de Guarulhos, Campinas e Brasília superou as expectativas mais otimistas do mercado. Ninguém duvidava que a disputa seria acirrada, mas não se esperava ágios de até 673%, como ocorreu com o Aeroporto de Brasília. Na média, as três concessões tiveram ágio de 347% e vão render ao governo federal R$ 24,5 bilhões. O dinheiro, pago em parcelas anuais durante o período de concessão, será usado em melhorias no setor aéreo.
 
Realizado na manhã de ontem, na sede da BM&FBovespa, no Centro, o leilão lembrou as grandes privatizações da década de 90, com direito a protestos na Rua XV de Novembro e buchicho entre os investidores. No saguão da bolsa paulista, estava a nata da infraestrutura brasileira e da construção civil, como Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa. As três gigantes, no entanto, saíram de mãos abanando.
 
Quem causou furor entre os investidores foi o consórcio formado pela Invepar, empresa formada pelos fundos de pensão (Previ, Funcef e Petros) e a construtora OAS. Em parceria com a operadora estatal sul-africana ACSA, o grupo minou qualquer possibilidade da concorrência arrematar o Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. A oferta, de R$ 16,21 bilhões e ágio de 373,5%, era R$ 3,3 bilhões superior ao segundo melhor lance. A disputa foi para o viva voz, mas ninguém ousou fazer propostas.
 
 
Rodinhas – Nas rodinhas entre executivos que participaram do leilão, a aposta era descobrir como o consórcio conseguiu fazer uma proposta tão alta por Guarulhos. E não faltaram insinuações como: "É um consórcio chapa branca" ou "ficou dentro de casa", uma referência ao fato de o consórcio ser formado por fundos de pensão de estatais como Banco do Brasil, Caixa e Petrobrás.
 
Advogados que estudaram os três aeroportos acreditam que o retorno do investimento não supere 4%. O presidente da Invepar, Gustavo Rocha, mostrou-se bastante satisfeito com o resultado e revelou que espera elevar de forma significativa o volume de receitas não tarifárias do aeroporto. "Há uma carência muito grande de serviços nos terminais."
 

Passageiros – Segundo ele, o lance foi feito com base em oito meses de estudo. "Para entrar numa disputa como essa, tínhamos de estar muito seguros. Vamos entregar o que se espera para o acionista e para os passageiros." No mercado, no entanto, fala-se que até quatro semanas atrás o grupo nem tinha fechado parceria com a estatal sul-africana ACSA.
 
Guarulhos foi o que recebeu o maior número de propostas. No total, 10 grupos fizeram ofertas para levar o maior aeroporto da América Latina. As ofertas variaram de R$ 4,5 bilhões e R$ 16,2 bilhões. O volume de investimentos será de R$ 4,6 bilhões, sendo R$ 1,4 bilhão até a Copa com a construção do terceiro terminal de passageiros. 
 

O aeroporto de Viracopos, em Campinas, será operado pelo consórcio Aeroportos do Brasil, que inclui a Triunfo Participações e a francesa Egis Airport. Para arrematar o terminal no interior paulista o grupo ofereceu R$ 3,8 bilhões , ágio próximo de 160%.
 
Viva-voz – O aeroporto de Viracopos foi o terminal com menos interessados: quatro grupos entregaram propostas em envelopes e a disputa não seguiu para o viva-voz. O de Brasília, no Distrito Federal, ficou com o consórcio Inframérica, formado pela Engevix e pela argentina Corporación América, com lance final de R$ 4,5 bilhões. Foram oito ofertas em envelopes e igual número de lances no sistema viva-voz por Brasília.
 
O governo da presidente Dilma Rousseff deu largada ao processo de privatização dos aeroportos no ano passado, com a concessão do terminal de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte, que ficou com o consórcio  Inframérica. 
 
A expectativa agora é que outros aeroportos sejam licitados, entre eles o Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, e Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte.
 
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