Tue05222012

Atualizado em:02:40:30 AM GMT

Bolsa tenta acertar rota

 

Depois de terem suportado meses de perdas ao longo de 2011, os investidores do mercado acionário brasileiro finalmente puderam recuperar nos poucos pregões deste ano pelo menos parte da desvalorização – e, mais importante, já conseguem enxergar possibilidades de ganhos nos próximos meses. A relativa calmaria nos mercados internacionais, como resultado de indicadores positivos na Europa e nos Estados Unidos, já permite aos analistas prever desempenho melhor para o Ibovespa em 2012. Desde o início de janeiro, o índice acumula alta de 14,91%.

E o comportamento dos investidores estrangeiros, pelo menos por enquanto, confirma essa perspectiva dos especialistas. Para se ter uma ideia, entre os dias 2 e 24 de janeiro, o saldo de investimentos externos na bolsa brasileira (a diferença entre as compras e vendas) ficou positivo em R$ 5,4 bilhões, o melhor resultado para o período em cinco anos. Em janeiro de 2010, o saldo havia ficado negativo em R$ 4,7 bilhões.

Juro baixo ajuda bolsa

Além da melhora do cenário externo, contribui para o bom momento da bolsa a expectativa de continuidade da queda dos juros, reforçada pelo próprio Banco Central (BC) na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O documento indicou, na última semana de janeiro, a possibilidade de a taxa básica (Selic), hoje em 10,5% anuais, chegar a um dígito. Sempre que o juro básico cai aumenta a atratividade da renda variável aos olhos dos estrangeiros, que podem ganhar mais comprando ações do que aplicando em títulos públicos.

E é exatamente essa maciça entrada de estrangeiros que tem derrubado as cotações do dólar no Brasil. Na sexta-feira, a moeda norte-americana encerrou os negócios cotada, para venda, a R$ 1,717, com desvalorização de 0,29%. No ano, a divisa acumula perdas de 8%.

Analistas veem grandes chances de companhias brasileiras continuarem captando recursos no exterior, o que aumenta a entrada de dólares no País e, consequentemente, provoca baixa das cotações.

Nessa cenário, o mercado aguarda alguma intervenção do BC para impedir maior valorização do real.

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