Tue05222012

Atualizado em:02:40:30 AM GMT

Escolas de samba inspiram empresas

 

O consultor e especialista em treinamentos Eduardo Ferraz, nas palestras que faz em empresas em diversos locais do País, gosta de citar o renomado publicitário Júlio Ribeiro, que dizia que as melhores empresas para se trabalhar  eram as escolas de samba – ou não haveria, sempre, algumas centenas de candidatos por vaga para desfilar.
 
 
"Quando eu falo isso nas palestras ou nos treinamentos, todos riem. Mas eu pergunto, em seguida, quem é que trabalha, na empresa, como se estivesse em uma escola de samba, e as risadas param", afirmou o consultor.
 
Eduardo Ferraz faz o paralelo entre o envolvimento que o "trabalho" em uma escola de samba desperta e a falta de envolvimento de grande parte dos empregados das companhias. Ele próprio se formou inicialmente em Engenharia Agronômica e hoje trabalha, há mais de 20 anos, em uma área que sempre o atraiu mais, o treinamento – fez a opção pelo que lhe dava mais satisfação profissional.
 
"Desde o tempo de estudante observo isso", disse Ferraz. "Há anos, uma grande escola de samba do Rio de Janeiro fez um concurso entre universitários de várias partes do País que estivessem dispostos a fazer pesquisas e trabalhos para o desfile de Carnaval, em troca de uma vaga na avenida. Foi um sucesso. Gente que não tinha ânimo para fazer estágio remunerado na própria cidade se candidatou correndo para ir ao Rio, de ônibus, pagando a passagem", contou o especialista em treinamento.
 
Grande bloco – A tese do consultor afirma que o grande "bloco" dos que estão insatisfeitos no emprego, na função que exercem ou na área que escolheram, poderia bem usar a energia oculta de folião de escola de samba para melhorar sua vida profissional e seus resultados nas empresas.
 
"Muitos empregados têm participação indolente na empresa; não sabem o que está acontecendo com ela, não sabem nem se a empresa está dando lucro ou não", disse Ferraz sobre a realidade que encontra no País.
 
O consultor e treinador observa que tem por objetivo profissional sacudir essa passividade utilizando práticas de neurociência comportamental, para ajudar as empresas a colocar as pessoas certas nos lugares certos. "Ouço muita gente dizendo que não é possível trabalhar no que realmente gostaria e eu respondo que se a pessoa não está satisfeita, não pode poupar o 'corpinho' e tem que se esforçar para trabalhar no negócio que gosta."
 
Motivação – Cabe ao trabalhador procurar a automotivação, reiterou Ferraz. Se ele se acomoda na insatisfação, as coisas só tendem a piorar.
 
"O ideal seria procurar profissões em que haja prazer em executar as principais atividades. Isso só vai ocorrer se a pessoa trabalhar usando seus principais talentos", afirmou.
 
O esforço que será necessário, segundo Ferraz, é como o da escola de samba – não pode faltar aos ensaios várias vezes por semana, não pode desanimar e não pode desafinar – para não atravessar o samba na avenida, diante de todos.
 
A recompensa, lembrou, nem sempre é monetária, mas proporciona benefícios de satisfação pessoal que todos buscam. "O primeiro deles é uma substancial redução do estresse."
 
O paralelo serve, segundo ele, também para os empreendedores, que, de maneira geral, têm mais entusiasmo pelo trabalho que a média dos empregados. "Mesmo o empreendedor, às vezes, tem receio de tentar uma outra área ou um trabalho ainda inédito." 
 
A orientação do consultor em gestão de pessoas vale ainda para esse grupo de trabalhadores – compensa o empreendedor arriscar e fazer o que realmente gosta.
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