Pista sem visibilidade preocupa a indústria automobilística
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- Publicado em Segunda, 06 Agosto 2012 22:17
- Escrito por Rejane Tamoto

O crescimento de 4% da economia no próximo ano dependerá de uma reação neste terceiro trimestre. O resultado também definirá o cenário para o setor automotivo em 2013, que ainda é de muitas incertezas diante da crise na Europa, da indefinição do novo Regime Automotivo e das mudanças de regras constantes nas negociações com a Argentina. A análise é da sócia-diretora da Prada Assessoria, Letícia Costa, que ministrou palestra sobre o tema em workshop da indústria automotiva, organizado pela revista Automotive Business, na manhã de ontem.
Segundo Letícia, para que o Produto Interno Bruto (PIB) do País cresça 4% em 2013 é preciso encerrar este ano com elevação acima de 2%. Ela avalia que, embora o governo tenha declarado que não prorrogará a medida de isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os veículos, que termina no próximo dia 31, quem decidirá isso é o próprio desempenho da economia neste trimestre.
Para Letícia, o grau de incerteza de recuperação da economia mundial é grande, com um aumento de aversão ao risco causado pelo agravamento da situação na Espanha. "A economia norte-americana tem recuperação abaixo da esperada e houve menor crescimento na China em função da crise europeia. No Brasil, a queda no consumo e o aumento na inadimplência também pesaram. Além disso, os investimentos ficaram abaixo do esperado, considerando-se os eventos esportivos como a Copa do Mundo", avalia.
A especialista diz que o cenário macroeconômico desfavorável para o setor foi agravado por problemas específicos. O novo Regime Automotivo, lançado em abril pelo Plano Brasil Maior, do governo federal, espera regulamentação e ainda passará pelo Senado. "As regras do regime não estão claras. Um exemplo é a exigência de que as montadoras utilizem conteúdo regional na produção de veículos em troca de benefícios tributários. É preciso ter um critério sobre isso e uma base de cálculo. É necessário também medidas de controle e um estudo sobre se o setor de autopeças tem capacidade de responder a isso", afirma.
A previsão é que o regime automotivo dure de 2013 a 2017, e ele deve gerar um desconto de 30% no IPI para montadoras que cumprirem os seguintes requisitos: percentual mínimo de conteúdo regional, investimento em pesquisa e inovação, aumento do volume de gastos de Tecnologia Industrial básica e na eficiência energética dos veículos. A sócia da Prada diz que há dúvidas sobre se o plano aumentará a competitividade do Brasil ou se será apenas um incentivo ao protecionismo. "É um plano que resolve o problema de curto prazo, mas cria problemas maiores no longo prazo. É preciso um ganho de produtividade por meio da inovação e da eficiência."
Da mesma forma, a especialista defende que a Argentina, principal parceiro regional do Brasil, entenda que o Mersocul tem de se tornar mais competitivo. Ela lembra que o terceiro obstáculo para o setor é a dificuldade de monitorar e controlar as negociações com este país. "A cada desvantagem na balança comercial, a Argentina quer mudar a regra do jogo. A nova discussão de regime do Mercosul, válida até o final de 2013, também gera incerteza." A definição de regras sobre o conteúdo local é importante para que as empresas invistam no Brasil, segundo o diretor-geral da IHS Automotive para a América do Sul, Paulo Cardamone, que falou de projeções. "Se houver exigência de componentes eletrônicos, algo que não fabricamos, podemos ter aumento de custos dos veículos."
Apesar de IPI, há queda na produção de veículos.
Depois de garantir marcas históricas nas vendas de veículos, a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) fez a atividade nas fábricas esboçar uma reação em julho. O nível, contundo, ainda se mantém abaixo do ritmo de 2011. A produção no setor cresceu 8,8% em julho em relação ao mês anterior, para 297,8 mil veículos. Entretanto, na comparação com julho do ano passado, o número representa uma queda de 3,6%.
Os dados foram divulgados ontem pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). No ano acumulado do ano, a indústria registra uma retração de 8,5% quando comparada aos primeiros sete meses de 2011. A redução do IPI foi adotada no final de maio para reduzir os altos estoques no setor.
A Anfavea trabalha pela prorrogação do prazo de redução do imposto.




