Baixa nos juros, imóvel atraente
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- Publicado em Terça, 08 Maio 2012 21:49
- Escrito por Renato Carbonari Ibelli
O segmento imobiliário acredita que a redução dos juros no mercado interno possa levar os investidores a direcionarem seus recursos para a compra de imóveis, considerada uma alternativa mais segura em momento de queda de rentabilidade de outros investimentos. Essa perspectiva positiva supera o receio de possíveis perdas para o setor decorrentes das alterações no cálculo da remuneração da caderneta de poupança – feitas pelo governo na semana passada –, que é uma das principais fontes de recursos para o financiamento de imóveis.
Com as seguidas reduções da taxa básica de juros (Selic) – hoje em 9%, mas que deve cair neste mês para 8,5% –, a rentabilidade dos fundos de investimentos perde atratividade. Tendo essa perspectiva, Cláudio Bernardes, presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), acredita que "os investidores migrem seus recursos para aquisições imobiliárias". A expectativa do Secovi-SP é de que, ao longo deste ano, os preços dos imóveis tenham uma valorização média de 4,5%.
A Selic é um dos fatores que compõe os juros concedidos pelo mercado. Com sua redução, os financiamentos oferecidos pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil ficaram menos onerosos. A tendência é de que as instituições privadas revisem suas taxas. Essa é outra aposta de Bernardes para estimular as vendas de imóveis. Um cálculo feito pelo Secovi-SP aponta que a redução dos juros dos empréstimos imobiliários oferecidos pela Caixa permite "a aquisição de um imóvel 10% mais caro com o mesmo número de prestações".
Entretanto, as recentes mudanças na poupança atingem negativamente o segmento imobiliário. Como a Selic não tinha grande interferência na remuneração da poupança, o governo lançou mão de nova sistemática de cálculo para impedi-la de se tornar mais atrativa que os fundos de investimentos. O mercado teme que esse freio para a poupança possa ter um efeito negativo em seu saldo. Vale observar que, junto com o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), os recursos da poupança são a principal fonte de financiamento imobiliário.
Na opinião de Bernardes, caso esse impacto negativo realmente atinja o segmento, ele se mostrará no médio ou longo prazo. Como o novo cálculo da poupança afetará apenas as novas aplicações, o presidente do Secovi-SP acredita em impacto mais tardio. "Hoje temos uma grande massa de recursos na poupança que não será afetada pelas mudanças", disse.
Em 2011, os financiamentos que usaram a poupança somaram R$ 80 bilhões, compatíveis com a construção ou aquisição de 493 mil unidades. Os dados são da Associação Brasileira de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).
Eles mostram ainda que o volume de crédito imobiliário concedido com recursos da poupança cresceu 9,9% no primeiro trimestre de 2012, chegando a R$ 17,5 bilhões, ante R$ 16 bilhões no primeiro trimestre de 2011. Para 2012, a expectativa é de que o volume de crédito imobiliário oriundo da poupança cresça 30% em relação ao ano passado, para R$ 103,9 bilhões.
Lançamentos diminuem
O número de imóveis lançados na capital paulista no primeiro trimestre foi 29,2% inferior ao observado em igual período de 2011, segundo balanço divulgado ontem pelo Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP). Enquanto neste ano foram colocados no mercado 3.635 imóveis até março, no ano passado, os lançamentos chegaram a 5.133 em igual comparação. Por outro lado, a vendas deste ano avançaram 27% no trimestre, com negócios de R$ 2,73 bilhões, ante R$ 2,15 bilhões obtidos nos primeiros três meses do ano passado.
Segundo Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP, a redução do número de lançamentos é uma consequência da "acomodação natural do mercado", que busca o equilíbrio entre unidades lançadas e as vendas. O estoque na cidade de São Paulo em março era de 18 mil unidades. Em igual mês de 2011, esse número era de 12,1 mil unidades.
As projeções do Secovi-SP para o ano são de avanço de 10% nas vendas e redução de 5% no número de unidades lançadas na cidade de São Paulo. Petrucci considera saudável o aumento das vendas do setor. "O financiamento médio ainda é baixo e o brasileiro costuma dar 37% do valor do imóvel na entrada. Depois de deixar esse montante, dificilmente o mutuário deixará de pagar. Isso torna a inadimplência do mercado baixa", disse.
O valor médio dos financiamentos de imóveis no primeiro trimestre do ano foi de R$ 168 mil, conforme dados da Associação Brasileira de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). A inadimplência do setor foi de 2% nos meses de janeiro e fevereiro.




