Europeus vêm pedir emprego no Brasil
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- Publicado em Quarta, 22 Fevereiro 2012 22:05
- Escrito por Renato Carbonari Ibelli
O desemprego recorde na zona do euro, causado pela crise fiscal que acomete a região desde 2009, tem feito os europeus olharem o mercado de trabalho do Brasil como alternativa. Além de relatos de empresários brasileiros sinalizando essa movimentação, balanços do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) conseguem mensurar o crescimento expressivo da mão de obra europeia empregada no País nos últimos anos. Os dados mostram, por exemplo, que em 2008 o governo brasileiro forneceu cerca de 740 autorizações de trabalho temporário para espanhóis. Em 2011, esse número saltou para aproximadamente 1,7 mil.

O caso espanhol é emblemático. O desemprego naquele país atingiu 22,5% da sua população economicamente ativa. Mas a situação não é muito diferente entre as 17 nações que compartilham a moeda única. Entre esses países, o desemprego atingiu 10,4% da população ativa em 2011, o equivalente a 1,65 milhão de pessoas. O número também configurou um incremento de 751 mil desempregados quando comparado com o resultado de 2010. Os dados são da agência de estatísticas da União Europeia, a Eurostat.
Chama a atenção nas estatísticas do MTE brasileiro também a evolução das autorizações de trabalho para temporadas longas, de até dois anos. Para espanhóis, essas autorizações saltaram de 85, em 2008, para 314, no ano passado. A evolução foi ainda mais significativa entre os portugueses que buscaram a estabilidade do mercado brasileiro, crescendo de 82 para 468 na comparação entre os dois anos. Em ambos os casos, os números dizem respeito a autorizações para estrangeiros com contrato de trabalho no Brasil.
Esses profissionais estrangeiros com vínculo empregatício dobraram a presença no País comparando 2008 com 2011, saindo de 2.301 para 4.615. Esses são números gerais do MTE, que englobam diferentes nacionalidades.
No ano passado, 281 italianos obtiveram autorização temporária para trabalhar no Brasil, mesmo não possuindo contrato com nenhuma empresa. Esse número foi quase três vezes maior que o registrado em 2008 (116 autorizações).
Pelas informações do MTE, os estrangeiros que vêm ao Brasil para trabalhar possuem, em sua maioria, ao menos o nível superior completo. Eles ocupam um vácuo existente no nosso mercado de trabalho, que carece de qualificação profissional.
Pondera-se que o crescimento da economia brasileira tem aberto caminho para estrangeiros interessados no nosso mercado de trabalho, independentemente da crise fiscal europeia. Mas dados do MTE apontam que entre países da União Europeia, a partir de 2008, a tendência de aumento da migração se fortaleceu.
Assim como as autorizações de trabalho temporário para espanhóis cresceram , evolução semelhante se percebeu entre autorizações temporárias para italianos, que pularam de 1.371 para 2.111; ou para franceses, que subiram de 1.583 para 2.015 e para alemães, que passaram de 1.813, em 2008, para 3.079, em 2011.
Mais custos – Segundo o professor do Instituto de Economia da Unicamp, Claudio Dedecca, o momento favorável pelo qual o País passa deixou-o mais atrativo não só para capital estrangeiro, mas também para mão de obra. Se nos anos 1990 o Brasil mandava pessoas para fora (como os dekasseguis, no Japão), hoje é o oposto.
Ele cita como exemplo a cidade de Campinas, que atraiu companhias coreanas e japonesas – assim como profissionais qualificados – para o seu complexo automobilístico. "Não é por problema de desemprego ou precariedade em seu país, como é o caso de bolivianos e paraguaios, mas de ampliação e crescimento de setores da economia", explica.
Ao comentar os números do Ministério do Trabalho, Dedecca faz um alerta sobre os altos índices de desemprego em países da Europa – que têm gerado especulações sobre a chegada de estrangeiros que tentam trabalho aqui.
"Uma coisa é vir para cá com a empresa, outra é mandar para filial de outro país para não demitir (e não ampliar os índices no país de origem). O MTE precisa acompanhar se o aumento é decorrente desse desemprego, ou o Brasil terá que arcar com esses custos", frisa.
Mídia internacional destaca mercado
O potencial do mercado de trabalho brasileiro tem ganho destaque também na imprensa internacional. A revista Forbes, publicação norte-americana especializada em economia e finanças, divulgou matéria na semana passada destacando o avanço dos salários reais no País e o aumento do custo de vida em consequência disso. Intitulada Brazil Companies Hiring, Incomes Rising (Companhias brasileiras contratando, renda aumentando), a reportagem mostra que os salários cresceram 4,8% em uma base anual, e a taxa de desemprego segue em baixa, se mantendo em 5,6% pelos últimos três meses, menor patamar nos últimos anos. Nesse contexto, a matéria inicia da seguinte maneira: "se você fala português e tem um visto, siga para o Brasil. O mercado de trabalho nunca esteve melhor".
Ainda assim, a publicação chama a atenção para os custos nas grandes cidades, como São Paulo. Ela traz que um jantar no restaurante Fasano custava US$ 600 em 2010, mas hoje pode chegar a US$ 800. Porém, ainda que os custos de bens e serviços sejam elevados no País, a Forbes aponta que a inflação brasileira é estável, tendendo para baixo, o que daria margem para flexibilização da taxa de juros.




