Tue05222012

Atualizado em:02:02:51 AM GMT

País a caminho do pleno emprego?

 

Em economia, o termo "pleno emprego" significa que todos os fatores de produção (trabalho, capital e ociosidade) são usados em sua capacidade máxima. Com a economia brasileira na contramão de quase todo o resto do mundo – ou seja, passando por um período de relativa estabilidade, com perspectivas otimistas de crescimento e queda na taxa de juros –, muito se ouve dizer, nos últimos tempos, que o Brasil está "quase dentro" deste  ciclo no mercado de trabalho . 
 
Os números, pelo menos, são otimistas: o nível médio de desemprego, que ficou em 10,5% em 2011 na Região Metropolitana de São Paulo, pode chegar, ainda este ano, a um dígito, apontaram economistas da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), na divulgação da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), no início deste mês. Já a pesquisa do Instituto Brasileiro de Economia e Estatística (IBGE), do fim de janeiro, destacou que o índice nacional já atingiu esse patamar, e fechou o ano passado em 6%.
 
Alguns especialistas, porém, são mais cautelosos. Apesar de o País passar por um processo de redução quase continuada na taxa de desemprego desde 2005, segundo o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, o contingente alto de desempregados (por trabalho precário e informalidade) e, principalmente, escassez de mão de obra, mostram que o caminho a percorrer é longo. 
 
"Principalmente entre os mais pobres, a baixa qualificação e a inserção estruturalmente precária dificultam as oportunidades de ingresso no mercado de trabalho. Ou seja, ainda não dá para falar que isso existe (o 'pleno emprego')."     
 
O professor de Economia da Unicamp Claudio Dedecca, especializado em economia social e do trabalho, considera que falar em pleno emprego é "um certo exagero". Mesmo reconhecendo que "o mercado melhorou", e está "mais favorável que há dez anos", Dedecca também cita o trabalho informal ("cerca de 40% do mercado", segundo ele) como impeditivo para que isso aconteça. 
 
"Pleno emprego significa um mercado minimamente estruturado, onde as pessoas  têm proteção social e mais condições de qualificação profissional. No ritmo que o mercado está, nada impede que o País chegue a esse nível. Mas não é o caso ainda", ressalta o professor.   
 
Impulso – Um dos fatores preponderantes para chegar ao nível de pleno emprego, a qualificação, é unanimidade entre especialistas. Lúcio, do Dieese, destaca que a carência de mão de obra é um fenômeno experimentado pelas empresas, resultado de um processo anterior (década de 1990) de economia em baixa, que desestimulou, entre outras coisas, a profissionalização. 
 
"Hoje não dá para dizer que há 'amadurecimento' do mercado de trabalho, mas sim, 'adequação'. A necessidade (economia estável) está fazendo as empresas procurarem trabalhadores especializados. Vivemos uma época de revalorização das ocupações", destaca, dizendo que a tendência do nível de emprego é se manter em queda, "mesmo pequena". 
 
Dedecca, da Unicamp, também cita o longo período de crise no anos 1990, em que os investimentos em qualificação foram muito baixos, o que fez com que, no atual momento, o mercado perca com isso. Segundo ele, o mercado está  aprendendo a se requalificar e investir na mão de obra. A população percebe melhora no emprego se sua qualificação também melhorar. 
 
"Empresas que querem se destacar, porém, precisam fazer esforços de investimento em qualificação profissional rapidamente. Treinar demora, e não resolve o problema imediato de responder ao mercado. Com isso, se a perspectiva de crescimento e geração de empregos se sistematizar, esse desequilíbrio será momentâneo, mas rapidamente resolvido", diz ele, que aposta em "alta probabilidade" de queda do desemprego em 2012, pelo cenário atual. "Se não houver surpresas, claro", conclui.
 
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