Cosan quer melhorar infraestrutura
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- Publicado em Quarta, 22 Fevereiro 2012 20:58
- Escrito por Agência Estado
A Cosan quer se fortalecer na área de infraestrutura no Brasil e a participação do bloco de controle da ALL – América Latina Logística, seria mais um passo nesta direção, de acordo com o presidente da Cosan, Marcos Lutz, em teleconferência com a imprensa ontem. A Cosan anunciou na terça-feira uma oferta para comprar participação de aproximadamente 5% da ALL, por R$ 896,5 milhões.
De acordo com Lutz, a ALL é a grande espinha dorsal do agribusiness brasileiro e fazer parte da empresa está dentro da estratégia da Cosan de elevar a participação em infraestrutura, como a participação do grupo na Rumo Logística, na Radar Terras e no etanolduto Logum, em parceria com a Petrobras.
Para fechar a operação, o que é esperado para ser efetivado em algumas semanas, é necessário a aprovação dos demais acionistas da ALL. "A operação também vai passar pelo crivo governamental, através do Cade", disse ele.
Para Lutz, o fato da Rumo Logística, braço logístico da Cosan, ter acordos de transporte com a ALL não gera conflito para a operação. "Os acordos entre Rumo e ALL tem contratos fechados e não devem ser afetados pela operação", disse. Segundo ele, a relação entre ALL e Rumo é vista com muita tranquilidade pelas duas empresas.
O executivo disse também que a Cosan não irá realizar emissão de papéis para se capitalizar e realizar a operação. Segundo ele, se necessário, a Cosan irá buscar formas mais baratas de obtenção de recursos que já foram utilizadas em outras empresas do grupo, como a busca de investidores com participação minoritária.
O prêmio de cerca de R$ 400 milhões verificado na oferta feita pela Cosan para as ações da ALL tendo em base os preços vigentes dos papéis da ALL se explica, na opinião
de Lutz, porque a empresa
está olhando na geração de valor no médio e longo prazo. "Acreditamos em um ciclo de desenvolvimento de infraestrutura muito grande se avizinhando. Vemos valores adicionais na ALL que talvez o mercado não veja", disse.
O presidente da Cosan não considera que seja um problema o fato de a empresa, mesmo sendo um importante cliente da ALL, vir a se tornar um dos seus acionistas controladores. "Acreditamos que com uma boa política de governança, os possíveis conflitos de interesses são facilmente identificáveis nos contratos comerciais. Nesses casos, a parte conflitada não vota. É fácil endereçar isso", afirmou o executivo.
Questionado sobre se a Cosan pensa em participar de futuras concessões de ferrovias, o que poderia torná-la concorrente direta da própria ALL, o executivo disse que no momento a empresa não tem interesse de atuar diretamente no setor ferroviário. Mas afirmou que, mesmo que isso acontecesse, "certamente acharia um jeito de lidar" com a situação.
Ações – A aquisição dos papéis da ALL pela Cosan poderá ser feita por meio de uma sociedade de propósito específico (SPE), de acordo com Marcos Lutz. Ele ressaltou que não fará a aquisição com a contratação de mais dívidas.
O diretor-financeiro da Cosan, Marcelo Martins, explicou que mesmo se a empresa fizesse a aquisição com a contratação de dívida, a Cosan estaria com seu endividamento bastante confortável e com pouca alavancagem. "Existe espaço para novas dívidas, mas este não será o modelo adotado para a aquisição das ações da ALL", disse Martins.




